16/12/2015

Dez estratégias mais comuns de manipulação em massa
através dos meios de comunicação

Por Tales Luciano Duarte, Portal yogui

Noam Chomsky é um linguista, filósofo, cientista cognitivo, comentarista e ativista político norte-americano, reverenciado em âmbito acadêmico como "o pai da linguística moderna", também é uma das mais renomadas figuras no campo da filosofia analítica – elaborou esta lista e elenca as estratégias mais utilizadas diariamente há dezenas de anos para manobrar massas, criar um senso comum e conseguir fazer a população agir conforme interesses de uma pequena elite mundial.

  • A estratégia da Distração
  • O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio, ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes.

    A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se por conhecimentos essenciais, nas áreas da ciência, economia, psicologia, neurobiologia e cibernética.

    Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais
  • Criar problemas e depois oferecer soluções
  • Este método também é chamado "problema-reação-solução". Se cria um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja aceitar.

    Por exemplo: Deixar que se desenvolva ou que se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas desfavoráveis à liberdade.

    Ou também: Criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos. (qualquer semelhança com a atual situação do Brasil não é mera coincidência)

  • A estratégia da gradualidade
  • Para fazer que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Foi dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas, neoliberalismo por exemplo, foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estratégia também utilizada por Hitler e por vários líderes comunistas. E comumente utilizada pelas grandes meios de comunicação.

  • A estratégia de diferir
  • Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura.

    É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente.

    Depois, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "amanhã tudo irá melhorar" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

  • Dirigir-se ao público como crianças
  • A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse uma criança de pouca idade ou um deficiente mental.

    Quanto mais se tenta enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê?

    Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como as de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade.
  • Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão
  • Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e finalmente no sentido crítico dos indivíduos.

    Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos.

  • Manter o público na ignorância e na mediocridade
  • Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão.

    A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de ser revertida por estas classes mais baixas.
  • Estimular o público a ser complacente com a mediocridade
  • Promover ao público a crer que é moda o ato de ser estúpido, vulgar e inculto.

  • Reforçar a auto-culpabilidade
  • Fazer com que o indivíduo acredite que somente ele é culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, suas capacidades, ou de seus esforços.

    Assim, no lugar de se rebelar contra o sistema econômico, o indivíduo se auto desvaloriza e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E, sem ação, não há questionamento!

  • Conhecer aos indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem
  • No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes.

    Graças à biologia, a neurobiologia a psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado sobre a psique do ser humano, tanto em sua forma física como psicologicamente.

    O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior que o dos indivíduos sobre si mesmos.

09/12/2015

A idolatria nossa de cada dia

Por Denis Monteiro, Portal Bereianos

Certa ocasião Lutero disse:

As pessoas que confiam e se apoiam na sua grande habilidade, na sua inteligência, no seu poder, no seu trabalho, na sua misericórdia, nas suas amizades, na sua honra também tem deuses, mas tal deus não é o único Deus verdadeiro. [1]

Alguns dizem que quando Lutero disse essa frase ele se dirigia aos protestantes, mostrando que a idolatria praticada por eles eram iguais a dos católicos romanos com suas imagens. Será que essa atitude condenada por Lutero não permeia a nossa vida diariamente?

Neste artigo faremos uma análise básica daquilo que a Bíblia chama de idolatria e veremos em cada detalhe apresentado, se somos ou não idólatras.

O que é a idolatria?

Para alguns de nós idolatria é alguém se prostrar diante de alguma imagem prestando culto, atitude que quebra os dois primeiros mandamentos. No entanto, idolatria conforme a Bíblia nos mostra, não se reduz ao fato de alguém adorar uma imagem, mas como diz Wright, idolatria é:

A tentativa de limitar, reduzir e controlar a Deus, recusando sua autoridade, constrangendo ou manipulando seu poder de agir e querendo que ele esteja disponível para servir aos nossos interesses. [2]

As nossas desobediências ativas aos mandamentos de Deus, aquilo que nos seduzem, confiamos, ou necessitamos e até mesmo algumas maneiras que tentamos alcançar o favor de Deus é idolatria, como mostra Waltke:

Sempre que um crente adota um padrão de comportamento no qual desempenha certas atividades para alcançar o favor de Deus, e depois espera uma palavra divina por meio de algum sinal obscuro, creio que está nadando em águas perigosas. Cristãos que utilizam a Bíblia como um livro de magia, abrindo-a ao acaso e apontando um versículo com o dedo, chegam perigosamente perto da idolatria. Aqueles que usam 'caixinhas de promessas', com vários versículos escritos em cartões que são retirados ao acaso para atender uma certa necessidade do momento, comportam-se como os adoradores de terafins [ídolo]. [3]

Sendo assim, idolatria é tudo aquilo que toma o lugar de Deus. É aquilo que fazemos, mesmo crendo em Deus, como se nós fôssemos o deus de nossa vida, nos portamos como um ser supremo fazendo do Deus Todo Poderoso algo manipulável a nossa vontade.

A origem da idolatria

Será que a origem da idolatria, ou melhor, o primeiro ato idólatra que a Bíblia relata é em Gênesis 11:27,28 que, segundo Josué, era ali onde Abraão servia a outros deuses (cf. Js 24:2)? Não! Como nós vimos anteriormente, o fato de alguém ser um idólatra não quer dizer que, necessariamente, tenha que se prostrar diante de uma imagem, mas, simplesmente, desobedecer a Deus e obedecer alguma outra coisa. Portanto, na história bíblica o primeiro ato de idolatria – mesmo sem o texto mencionar – foi o ato de rebeldia de Adão e Eva.

Adão e Eva foram criados por Deus para refletirem à Sua imagem, e essa imagem deveria ser mostrada pela obediência a Deus de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, de guardar e cultivar o jardim e de ser uma família – esses três aspectos é o que chamamos de Mandato Espiritual, Mandato Cultural e Mandato Social – (Gênesis 2:15-25).

Após o relato da criação do primeiro casal, a Bíblia nos mostra que Adão não cumpriu com o que fora ordenado por Deus (Gênesis 2:16,17), mas passou de guardião da criação para escravo da criação e de servo de Deus para ser fiel ao Diabo.

Aquilo que o Diabo oferece ao casal – de ser igual a Deus – parecia ser uma proposta tentadora, pois, ser igual a Deus, na menor das hipóteses, é tomar as nossas próprias decisões baseadas em nós mesmos, como se fôssemos senhores de nós mesmos e foi isso que Adão fez, pois Deus dissera que se ele comesse do fruto ele morreria, já o Diabo disse que se ele comesse do fruto seria como Deus. A proposta do Diabo foi verdadeira, pois o próprio Deus confirma (Gênesis 3:22). No entanto, Satanás não disse toda a verdade mostrando que tal conhecimento que eles (Adão e Eva) teriam seria benéfico, mas fora afastando o primeiro casal (e posteriormente toda a criação) de Deus.

Mas será que tal explicação não é forçar demais o texto e dizer que Adão e Eva foram idólatras? Um texto que pode nos ajudar a entender a queda de Adão é Ezequiel 28, que relata o juízo de Deus sobre o Rei de Tiro, de forma poética (ou prosa):

Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro: Assim diz o Senhor DEUS: Porquanto o teu coração se elevou e disseste: Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento no meio dos mares; e não passas de homem, e não és Deus, ainda que estimas o teu coração como se fora o coração de Deus (cf. Gênesis 3:5).
Estiveste no Éden, jardim de Deus (cf. Gênesis 2:15);
de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados (cf. Gênesis 2:10-12).
Tu eras o querubim, ungido para cobrir (Gênesis 2:15),
e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti (cf. Gênesis 3:6).
Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus (cf. Gênesis 3:23),
e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas (Ezequiel 28:2,13-16 – itálico acrescentado) [4]

Sendo assim, o mesmo pecado que este rei cometera é o mesmo que Adão praticara: egolatria. O ego do ser humano é a causa da nossa desobediência a Deus e obediência a nós ou a outro, a qual, segundo as suas ofertas, se encaixa perfeitamente naquilo que nos satisfaz, pois se olharmos para Adão e este rei, Deus os colocara em lugar de destaque, mas eles não ficaram felizes com o que Deus dera, e tentaram ser igual a Deus, como mostra Beale:

[Trocando a] sua fidelidade a Deus pela fidelidade a ele próprio e talvez também a Satanás. [5]

Pois, o ego ou orgulho, como mostra Agostinho:

É o começo de todo pecado.

E também, Pondé, quando diz:

Fora os ídolos esculpidos, qual é o erro da idolatria? É adorar sua própria capacidade, esquecendo que somos seres insuficientes. [6]

Essa ideia de “seres insuficientes” pode ser visto em Sartre, segundo o Profº Franklin Leopoldo [7], de que a liberdade pregada por Sartre faz do homem um deus constituindo um drama, pois tal autonomia deixa o homem entre aquilo que ele já foi e aquilo que ele deseja ser e ainda não, e neste meio termo resta uma coisa a ser analisada, que somos um “nada”.

Portanto, quando agimos de maneira autônoma estamos mostrando a nossa ingratidão a Deus e ao mesmo tempo sendo infiel a Ele. Não obstante, a nossa autonomia é contraditória, pois faz com que nos apeguemos a algo sendo dependente dela para ser autônomo.

Idolatria no Antigo Testamento

Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. (Êx 20:3-5)

Todas as vezes que falamos de idolatria os dois primeiros mandamentos são os mais lembrados por nós quando tratamos do assunto. Esses mandamentos, resumidamente, significam que todo ato de adoração, pertencida a Deus, dada a alguma imagem ou outra coisa é idolatria. E foi justamente isso que os israelitas fizeram:

Fizeram um bezerro em Horebe e adoraram a imagem fundida. E converteram a sua glória na figura de um boi que come erva. Esqueceram-se de Deus, seu Salvador, que fizera grandezas no Egito. (Salmos 106:19-21)

A segunda passagem em evidência é quando nos lembramos do tema do Salmo 115:4-8:

Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens. Têm boca, mas não falam; olhos têm, mas não veem. Têm ouvidos, mas não ouvem; narizes têm, mas não cheiram. Têm mãos, mas não apalpam; pés têm, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta. A eles se tornem semelhantes os que os fazem, assim como todos os que neles confiam.

Este Salmo, assim como o Salmo 135-15-18, mostra que os ídolos são mudos, cegos e surdos e todo aquele que os adora se torna semelhante a eles.

E este é um ponto importante para prestarmos atenção, pois como parte do juízo de Deus sobre o idólatra, Deus faz que idólatras se tornem semelhantes aos seus ídolos (cf. Salmos 115:8). E essa condenação foi justamente a que Deus anunciara ao profeta Isaias sobre uma nação idólatra (cf. Isaías 1:29-31; 2:8,18,19):

Então disse ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis. Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado. (Isaías 6:9,10 – itálicos acrescentados).

Portanto, a idolatria mostra que tal pessoa está morta espiritualmente, pois, não ouvem e nem enxergam. Logo, se adorarmos algo que não seja Deus, Ele nos entrega às mesmas condições que esses ídolos como forma de juízo. Em contraste aos ídolos mudos que nada são, o Deus Soberano possui vida porque Ele é o doador da vida:

Aquele que fez o ouvido não ouvirá? E o que formou o olho, não verá? Aquele que argui os gentios não castigará? E o que ensina ao homem o conhecimento, não saberá? O Senhor conhece os pensamentos do homem, que são vaidade. (Salmos 94:9-11).

A idolatria no Novo Testamento

Até aqui vimos alguns pontos do que a Bíblia, no Antigo Testamento, ensina sobre idolatria. Será que o tema idolatria se relaciona com o Novo Testamento e com a comunidade da Nova Aliança? Pois, se nós, nos dias de hoje, olharmos para algumas sociedades a idolatria ainda permeia a cultura delas.

As pessoas que confiam em horóscopos se assemelham muito ao pecado de Israel cometido contra Deus (2 Reis 21:3-6). Será que os judeus da época de Jesus, por exemplo, não eram idólatras como os seus antepassados? Sim, eles eram idólatras, mas a sua idolatria manifestavam de maneira diferente, como veremos adiante.

A tradição

E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas? Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.

Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, e compreendam com o coração, e se convertam, e eu os cure. (Mateus 13:10-15)

Perceba que o juízo que Jesus pronuncia sobre o povo de sua época é o mesmo do profeta Isaías. Sendo assim, sobre que idolatria Jesus condenara? O Evangelista Marcos responde:

E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim; Em vão, porém, me honram, Ensinando doutrinas que são mandamentos de homens.

Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas. E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição. (Marcos 7:6-9 – itálicos acrescentados).

Quando Jesus cita Isaías 29, sabia que o mandato profético de Isaías 6 se cumprira em Isaías 29:9-14 e 63:17 [8], assim podemos entender o que o profeta Isaías tinha predito sobre sua nação que prefiguravam aquilo que ocorreria no Novo Testamento. Sendo assim, podemos ver que o pecado de idolatria cometido pelos judeus da época de Jesus era invalidar a Palavra de Deus em nome de suas tradições, ou daquilo que chamamos de “boa intenção”. No entanto, a “boa intenção” da tradição, quando nos leva a desobedecer a Deus é pecado. Veja, por exemplo, o caso do Rei Saul que recebera a ordem de Deus para destruir todos os amalequitas e seus animais (1 Samuel 15:3,8). Não obstante, Saul poupou “tudo o que era bom” (1 Samuel 15:9) para “oferecer ao Senhor” (v.19). A “boa intenção” de Saul não agradou a Deus, pois Deus o respondera: “Não cumpriu as minhas palavras” (v.11), que é a mesma coisa de invalidar “o mandamento de Deus” (Marcos 7:9). Mas alguém poderia dizer: “sacrificar animais não era mandamento de Deus?”. Sim. No entanto, a ordem de Deus era eliminar tudo e Saul não obedecera e, ainda mais, criou para si um estilo próprio e regra de adoração não obedecendo a Deus.

Portanto, invalidar ou desobedecer a Palavra de Deus é pecado de idolatria, assim como Saul o fez (cf. 1 Samuel 15:23) os judeus da época de Jesus também o fizeram.

A glória dos homens

Outra passagem a qual também cita Isaías 6 é João 12:37-43:

E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele; Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Por isso não podiam crer, então Isaías disse outra vez: Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure. Isaías disse isto quando viu a sua glória e falou dele. Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga. Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.

A passagem acima faz duas referências a Isaías. Uma (Isaías 53:1) para indicar o cumprimento de que Israel não creria no servo, e a menção de Isaías 6 indica o cumprimento de juízo sobre aqueles que não creram. E, sendo assim, a preferência pela glória dos homens do que à glória de Deus é uma prova de idolatria. Pois, eles rejeitaram o Filho de Deus e Seus sinais, se assemelhando mais aos homens do que a Deus, preferindo a glória dos homens à glória de Deus.

J.C. Ryle comenta:

O temor dos homens os impede de abandonar seu caminho. Têm receio de serem zombados, escarnecidos e desprezados pelo mundo. Odeiam perder a boa reputação da sociedade e o julgamento favorável de homens e mulheres semelhantes a eles. [9]

Como identificar os nossos ídolos?

Será que possuímos ídolos que precisam ser identificados ou nenhuma das explicações anteriores se encaixa no nosso dia a dia? Às vezes nós temos a tendência de que detalhes não são importantes, pois são “meros detalhes”, e sempre nos atentamos para coisas maiores. Mas não é assim! Toda e qualquer forma de idolatria parte do coração humano, como nós podemos ver desde o primeiro pecado que a Bíblia relata. E assim, quando olhamos para o Novo Testamento estranhamos que não haja nenhuma menção direta ao tipo de idolatria como praticada no Antigo Testamento. Não obstante, a forma que o Novo Testamento trabalha com a idolatria é mais profunda, o qual pode ser caracterizada também por palavras: desejo, concupiscência ou cobiça. E assim, nos mostra que toda idolatria praticada na Antiga Aliança, provera de um coração idólatra.

Por isso que Jesus mostra que a quebra dos mandamentos, como por exemplo, o sétimo, vem de um coração cobiçoso (Mateus 5:28). E aí nós podemos entender o que Calvino quis dizer: o coração do homem é um fábrica de ídolos. Portanto, podemos pontuar algumas coisas que, provavelmente, são formadas em nossos corações os quais nos afastam de Deus e não prestamos à atenção.

Como mostra David Powlison:

Os ídolos do coração conduzem-nos a abandonar a Deus de muitas maneiras. Manifestam-se e expressam-se em qualquer lugar, nos mínimos detalhes na vida interior e exterior. [10]

As coisas que nos seduzem

Quem de nós não deseja ser reconhecido por aquilo que faz? E na verdade o problema não está em ser reconhecido por aquilo que faz, mas como alcançamos este reconhecimento e qual o motivo que nos leva a ser reconhecido.

No ramo do trabalho algumas pessoas, mesmo sem saber, estão aderindo ao Workaholic, que é uma pessoa viciada em trabalho, que faz isso não só para aumentar a sua renda, mas para alcançar um cargo maior do que ela possui. Além de ser um vício - e bem sabemos que todos os vícios são prejudiciais não só para a própria saúde, como para aqueles que estão ao nosso redor, e uma pessoa assim, para subir de posição, não mede esforços para fazer qualquer coisa para ser reconhecido, sendo possível até mesmo pisar em alguém, se esquecendo de que devemos amar uns aos outros.

Esse tipo de comportamento não se aplica somente ao trabalho, mas em qualquer área em que a pessoa seja seduzida ou tentada a obter, sendo levada pela ganância em busca de poder, glória e majestade.

Até mesmo os discípulos de Jesus discutiram sobre quem estaria à direita e a esquerda na glória de Cristo, no entanto, a resposta de Cristo foi enfática:

Jesus os chamou e disse: Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Marcos 10:42-45).

Poder, glória e majestade pertencem a Deus (Salmos 96:6). Nós fomos chamados para cumprir aquilo que Ele nos ordenou e que devemos fazer para a glória d’Ele e nunca para a nossa glória. E o primeiro passo que alguém deve dar, ao querer alcançar uma posição maior do que possui, é ser servo de todos. Portanto, que não venhamos ser seduzidos pelo poder que não pertence a nós, mas que aquilo que nos fora dado, seja feito de modo que glorifique a Deus.

As coisas que confiamos

Toda criança, quando pequena, entende que o seu pai é o melhor, é o seu Super-Herói e isso faz a criança ter confiança quando está perto do seu pai. Quando essa criança vai crescendo, o pai vai ficando velho, dificilmente ela terá o pai como referência de confiança diante de alguma situação que possa a constranger. Sendo assim, ela passa a confiar em outra coisa, mas nunca desprezando o seu pai, e boa parte daquilo que o pai fala já não é tão verdade como antes, e isso vai se estendendo por muitos anos. Nós sempre colocamos confiança em algo temporal e, até mesmo, em algo mais fraco do que nós ou corrupto.

Alguns colocam a sua confiança no dinheiro, em seus aparelhos tecnológicos de última geração ou em si mesmo. No entanto, de uns tempos pra cá, uma antiga idolatria está se reerguendo aos poucos em nosso país: Estado Messiânico ou culto ao Estado.

Joseph Ratzinger, diz:

Quando a política pretende ser redentora, promete demais. Quando pretende fazer a obra de Deus, não se torna divina, mas demoníaca. [11]

Se hoje você digitar em algum site de pesquisa a palavra esquerda, direita, liberalismo e/ou comunismo acharemos vários periódicos, vídeos, livros e sites que defendam suas posições. Resumidamente, por definição, podemos dizer que a Esquerda põe o seu foco na comunidade e que a direita e/ ou liberalismo é focado no indivíduo [12]. A primeira ideologia, de longa data, coloca o Estado como totalitário sendo aquele que decide o que terá e o que vai ser de várias áreas de nossa vida pública e até privada; escola, criação de filhos, religião, trabalho e etc. A segunda, entende que o indivíduo é livre para escolher e agir dentro dessas áreas; isto é, sem a intervenção do Estado, mas sendo a função do Estado de proteger e garantir a propriedade privada e a liberdade.

No entanto, qual o problema da idolatria quando se envolve a política? Primeiro, todo sistema político é formado por homens e mulheres pecadores. Segundo, se é formado por pecadores, logo, possuem falhas. E, terceiro, teorias políticas não são Deus e o Estado não é messiânico. Se nós colocarmos a nossa esperança, com um fim supremo, num seguimento político, nós estaremos trocando a glória de Deus pela glória do Estado ou da ideologia, crendo que quem poderá nos libertar deste mal que nos cerca é alguma coisa que não é o Deus verdadeiro:

Nenhum rei se salva pelo tamanho do seu exército; nenhum guerreiro escapa por sua grande força. O cavalo é vã esperança de vitória; apesar da sua grande força, é incapaz de salvar. (Salmos 33:16:17)

Mas aqueles que confiam no Senhor, mesmo em meio a questões que nos cercam, sabe que Deus é o nosso auxilio supremo:

Nossa esperança está no Senhor; ele é o nosso auxílio e a nossa proteção. Nele se alegra o nosso coração, pois confiamos no seu santo nome. Esteja sobre nós o teu amor, Senhor, como está em ti a nossa esperança. (Salmos 33:20-22)

As coisas que necessitamos

O que você faz para ser feliz? é um trecho do refrão e título da música de Clarice Falcão. A música não dá uma resposta definitiva, mas mostra que a felicidade pode estar voando num balão, dentro de você ou até mesmo debaixo do nariz.

Desde a queda a humanidade vem buscando meios para ser feliz. Alguns vão à procura de sexo, outros de amor, outros usam drogas, enfim, meios terrenos e passageiros para tentar buscar sentido para a vida ou a sua felicidade.

Isto não quer dizer que ninguém deva ser feliz, mas que a felicidade, por se tornar um ídolo, quando os meios para buscá-la, ou ela própria não fazem parte da vontade de Deus, ou seja, quando a nossa felicidade não se encontra em Deus, mas em outra coisa que nos faz mais feliz do que Deus, isso é idolatria.

No entanto, quais são os meios que buscamos felicidade?

Além do dinheiro, um dos mais cogitados e cantados atualmente é o “amor”. Se pesquisarmos a palavra “amor” como forma de música acharemos o tema em quase todos os ritmos. Não obstante, esse amor que é tão procurado, é em forma de uma paixão não correspondida, ou em busca de sexo, ou segundo o movimento LGBT, love wins (o amor vence). Uma “legalização” de algo pecaminoso sendo propagado como algo natural. Todas essas formas da busca desenfreada pela felicidade baseada num amor, ou melhor, para ter “sucesso no amor”, é uma forma de idolatria confundindo o amor com Deus [13].

Outras coisas que necessitamos, além do amor, é o comer, beber e vestir, os quais envolvem dinheiro. E é verdade, nós como criaturas necessitamos dessas coisas para viver. Mas a grande questão que nós não paramos para pensar é como buscamos essas coisas necessárias e o que essa busca desenfreada pela sobrevivência pode causar. Jesus, certa vez, advertiu os discípulos sobre a forma como eles buscavam essas coisas:

Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Não andeis, pois, ansiosos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas. (Mateus 6:25,31,32)

Creio que muitos de nós nunca paramos para pensar, mas ansiedade é pecado de idolatria. Quando nos desesperamos, nós buscamos meios não convencionais para conseguirmos aquilo que, aqui neste mundo, são de extrema necessidade. É por isso que Jesus, em Mateus 6:19-32, nos mostra o que a ansiedade pode causar.

  • Não confiança na eternidade celestial (Mateus 6:19-24)

    A Bíblia não condena a propriedade privada, ou seja, ter bens materiais. O grande problema é o apego do nosso coração a este bem (v21). E o que isso pode gerar? Esquecimento da promessa celestial (v19); tornando-nos cobiçosos (ou para um linguajar mais regional: olho gordo) (v22,23) e Idólatras (v24).

  • Falta de confiança na providência de Deus (Mateus 6:25-34)

    Como consequência lógica, aquele que não crê na eternidade celestial dificilmente crerá na providência Divina, e seus valores serão invertidos (v.25) entendendo que os bens que estão em nossas vidas sejam mais importantes que a própria vida.

E por que ansiedade é um pecado de idolatria? Quando o nosso coração se apega fortemente naquilo que não é o Deus verdadeiro, em alguma coisa esse coração se apega. E essa entrega total do coração nos leva a trocar Deus por algo, e como diz a passagem bíblica “não podemos servir a dois senhores”, pois um sentirá ciúme do outro. Portanto, nós devemos amar a Deus sobre todas as coisas, acumular bens no céu e buscar em primeiro lugar o Reino de Deus, pois “o pão nosso de cada dia dai-nos hoje”, e como nos mostra esses textos:

Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós (1Pedro 5:7); o meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus. (Filipenses 4:19 – itálicos acrescentados).

Conclusão

Vimos que idolatria não é, somente, nos prostrar diante de uma imagem, mas trocar a glória de Deus por algo, mesmo que isso venha dEle. E o que nós devemos fazer? João nos dá a resposta:

Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém. (1João 5:21)

Simples, perceberam? É só se guardar dos ídolos. Mas como eu faço isso? Parece que o apóstolo está advertindo sobre a idolatria dos templos pagãos daquela época com suas festas religiosas, as quais Paulo enfrentou (1Co 8:10) e que, mais tarde, João ao escrever Apocalipse, enfrentou em algumas igrejas na Ásia, como Pérgamo (Ap 2:14) e Tiatira (Ap 2:20). Não obstante, todo ato idólatra acontece por não conhecer o Deus verdadeiro, e é justamente isso que João diz:

E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para que conheçamos ao Verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. (1 João 5:20).

Um exemplo que nós podemos dar de quando alguém não conhece ao Senhor é o caso de Juízes 2:10 o qual nos diz que a geração que não conheceu ao Senhor e nem aos Seus feitos adorou outros deuses. Por isso que João, em toda sua primeira carta, o vemos mostrando quem é o verdadeiro Cristo, o verdadeiro Deus e como devemos agir. Se não compreendermos realmente quem é Cristo e o nosso dever por causa de Sua obra em nossa vida, nós nos apegaremos aos ídolos e se entregaremos a eles colocando toda a nossa confiança.

No entanto, se entendermos que Cristo é o nosso advogado diante de Deus (1 João 2:1,2), santo (3:1-6), amor (4:8), o Espirito Santo (5:7) e Jesus (5:20), nós nos guardaremos dos ídolos confiando em Deus e em Sua Palavra. Amém.

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Notas

  1. MARTINHO, Lutero. In: PEIXOTO, Leandro B. Deus somente Deus. Disponível em:
  2. WRIGHT, Christopher J.H. A missão de Deus: desvendando a grande narrativa da Bíblia. - São Paulo: Vida Nova, 2014, p.169.
  3. WALTKE, Bruce; MACGREGOR, Jerry. Conhecendo a vontade de Deus para as decisões da vida. – São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p.37.
  4. Para uma melhor explicação dessa passagem, leia: BLOCK, Daniel I. Comentário do Antigo Testamento – Ezequiel, Vol II. São Paulo: Cultura Cristã, 2012, p.99-125 (cf. BEALE, G.K. Você se torna aquilo que adora: Uma teologia bíblia da idolatria. – São Paulo: Vida nova, 2014, p.135-40).
  5. BEALE, G.K. Você se torna aquilo que adora: Uma teologia bíblia da idolatria. – São Paulo: Vida nova, 2014, p.132.
  6. PONDÉ, Luiz Felipe. Os dez mandamentos (+ um): aforismos teológicos de um homem sem fé. – São Paulo. Três Estrelas, 2015.
  7. Disponível em: . Acesso 24 Outubro 2015.
  8. BEALE. Você se torna aquilo que adora, p. 164.
  9. RYLE, J.C. Meditações no Evangelho de João. São José dos Campos – SP. Ed. Fiel, 2011, p. 166.
  10. POWLISON, David, Ídolos do coração & Feira das vaidades: Vida cristã, motivação individual e condicionamento sociológico. Ed. Refugio, p.5.
  11. RATZINGER, Joseph. Fé, verdade, tolerância. 2015. In: FERREIRA, Franklin. “Estadolatria”: Sobre a idolatria da esquerda ao Estado 1.
  12. Alguns liberais vão dizer que o sistema Liberal não é nem de esquerda e nem de direita.
  13. KELLER, Timothy J. Deuses falsos: eles prometem sexo, poder e dinheiro, mas é disso que você precisa? – Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2001, p.40.

06/12/2015

Daniel e o Fim dos Tempos

Portal Centro Apologético Cristão de Pesquisa

O sonho de Nabucodonosor

Nesse sonho, Deus revela seu plano para com as nações gentílicas (Lc.21:24). Esse capítulo é conhecido como o ABC da profecia, e contém o mais simples e completo quadro de toda a Bíblia.

Israel havia sido infiel a Deus; por isso Deus entregou a Nabucodonosor o poder para governar as nações e deu-lhe um sonho que fez com que ele ficasse perturbado em seu espírito e não pudesse dormir mais.

29/11/2015

As pragas do nosso egito

Por Israel C. S. Rocha.

Quantas calamidades precisará derramar o Senhor para que seu povo deixe o egito para adorá-Lo?!

O livro de Êxodo diz que Deus ouviu o gemido de seu povo que estava escravizado no Egito (Êxodo 2:24-25). O Senhor então envia Moisés à Faraó para que o povo seja liberto para adorar a Deus no Deserto. Faraó recusa-se a atender os pedidos de Moisés e Deus então envia 10 pragas que assolam o Egito terrivelmente.

Permita-me fazer uma analogia: Faraó como sendo nossa concupiscência, a escravidão do pecado que nos impede de servir e adorar a Deus. Ora, somos escravizados pelo pecado assim como o povo da promessa o era por Faraó; também somos povo de Deus, adquiridos pelo sangue de Cristo na Cruz do Calvário, todavia, por vezes:

  • nascemos escravos no Egito;
  • escravizados pelo pecado; ou
  • o egito contamina a mentalidade do povo de Deus
    fazendo-o desviar do Caminho do Senhor.

E então vem a calamidade e a tragédia para que nosso "Faraó", isto é, nossos desejos carnais sejam vencidos por nosso espírito para adorarmos a Deus "em Espírito e em Verdade". Faraó representa isto: nossa carnalidade e anseio pelas coisas que desagradam a Deus e que nos impedem de ter uma vida consagrada de adoração a Jesus.

Muitas pragas tem sido lançada contra esta nação, por que o povo de Deus recusa-se a deixar o egito. Recusa-se a deixar as coisas que não agradam ao Senhor e a viver uma vida de oração e adoração. Mas quando lembra-se o Senhor de sua aliança por meio de Cristo, "Moisés" são enviados para interceder, homens como David Wilkerson, Paul Washer, David Owour, Billy Graham e muitos outros, tem sido enviados para alertar a igreja sobre o que está por vir. O mundo jaz em calamidades, guerras e rumores de guerra, um cumprimento profético do apocalipse, mas também um alerta de Deus para despertamento de seu povo para que deixe o comodismo e a idolatria do egito e vá para o deserto adorar a Deus.

A última praga foi a morte dos primogênitos. A última e derradeira tentativa de Deus de nos libertar quanto obstinadamente continuamos com o coração endurecido é matar aquilo que mais amamos. Somente após a morte dos primogênitos, Faraó libertou o povo de Deus deixando-os ir. E quanto a nós? Quantas calamidades e tragédias pessoais precisamos para que o "faraó de nossos concupiscências" - nosso ego - nos liberte para adorarmos e servimos ao Senhor?! Precisará Deus tocar no que mais amamos?!

Amados, quando somos libertos do poder do pecado, da escravidão de nosso concupiscências, quando somos libertos de Faraó, começamos uma longa caminhada com Deus pelo Deserto, os desejos da carne nos perseguirão, mas pela fé, oração e perseverança o Mar Vermelho abrir-se-á, passaremos em segurança e o exército de Faraó será destruído. Faraó continuará vivo e muitos outros inimigos nos cercarão: o sol, o frio, o desânimo, cansaço, depressão, serpentes e todos os demais perigos do Deserto buscarão nos destruir, mas Deus nos sustentará e nos guiará à Terra Prometida. Deus derramará o Maná do Espírito Santo e nos susterá até o Grande Dia. A caminhada pelo Deserto é exaustiva e difícil - certamente pereceríamos não fosse a mão do Senhor - ela também é necessária para:

  • Mostrar quem somos ao revelar nossas fragilidades, nossos medos, angústias
  • Mostrar que dependemos de Deus
  • Eliminar a mentalidade de escravo do pecado
  • Eliminar a murmuração e a idolatria

A caminhada pelo Deserto nos aproxima de Deus, nos revela o quanto somos gafanhotos sozinhos e gigantes com Ele, arranca de nós o egito, o pecado, a carnalidade e nos prepara para entrar na Nova Jerusalém.

22/11/2015

O Plano de Satanás para o Fim dos Tempos (Jeremy James)

Por Jeremy James, Portal Espada do Espírito, 1 de junho de 2013

Se o cenário profético referente ao fim dos tempos mostrado no Apocalipse for inevitável (e é), então devemos esperar ver certos sinais inegáveis que o mundo está avançando em direção a ele. De fato, devemos ser capazes de inferir elementos específicos do Plano de Satanás, conforme eles se relacionam com o fim dos tempos, a partir dos eventos descritos no livro do Apocalipse.

É um fato triste que pouquíssimos cristãos hoje considerem seriamente o perfil de Satanás que é apresentado para nosso benefício na Palavra de Deus. Se fizessem isso, entenderiam que Satanás certamente tem um plano — um plano muito detalhado e muito sofisticado — para ter alguma chance de alcançar suas soberbas ambições. Ele quer controlar o mundo de forma aberta, não apenas ocultamente como faz no tempo presente, e quer ser adorado no lugar de Deus por toda a humanidade. (Veja Isaías 14:12-14.). Para fazer isto, ele precisa solapar e destruir o Cristianismo bíblico. Ele também precisa destruir o povo judeu em sua totalidade. É por isto que Jesus Cristo declarou que somente retornará quando os judeus, como uma nação, O invocarem em um espírito de súplica e arrependimento verdadeiros — "Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor." [Mateus 23:39].

Sabemos, a partir do livro do Apocalipse, que o Plano de Satanás precisa enfocar as três áreas principais da atividade humana — a religiosa, a econômica e a política. Neste ensaio, o enfoque será dado principalmente no aspecto religioso, pois é o menos compreendido. Uma estratégia voltada para o domínio mundial requer claramente um sistema integrado de governo global e um regime econômico controlado centralmente. Entretanto, os aspectos essenciais de um sistema totalmente inclusivo de religião — para não mencionar as etapas requeridas para produzi-lo — são mais difíceis de imaginar.

Um ex-satanista revelou algumas informações impressionantes sobre o aspecto religioso do Plano em um pequeno livro publicado em 1982. Entretanto, antes de examinarmos essas informações, precisamos primeiro considerar uma fase tumultuosa na história mundial e que, sem dúvida, teve uma grande influência no Plano e, em particular, no modo como ele está agora sendo implementado.

Patrocinado por: Francisco D. - Rio de Janeiro/RJ