10/11/2017

Flertando com o Inferno

Por Israel C. S. Rocha

Homens de Deus, Herois da fé, deram suas vidas ao desafiar os poderes papais para que pudéssemos ter acesso às verdades bíblicas e hoje temos a bênção momentânea de livre acesso às Escrituras, mas ao invés de comer este Livro para não sermos enganados, delegamos essa responsabilidade, aos nossos pastores-gurus, deixando para que eles deglutem os manjares do Verdadeiro Evangelho e regurgitem em nossas bocas apenas as "verdades" alinhadas a seus interesses ministeriais.

Néscios! Loucos! Acorde! Acorde em nome de Jesus Cristo porque não há mais tempo para brincar de flertar com o mundo, não há mais tempo para tolerar falsos profetas. Homens que travestidos de cristãos, destilam todas sorte de heresias do Anticristo e doutrinas de demônios:

Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência. (1 Timóteo 4:1,2)
Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;

E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já agora está no mundo. (1 João 4:1-3)

Pare de flertar com eles só porque lhe convém ministerialmente. Pare de flertar com eles só porque lhe convém financeiramente. Pare! Não flerte com hereges, não dependa deles! Você só depende de Jesus! E para glória de Jesus Cristo!

Essa é a Geração que vai encher o Inferno mais rápido que as outras" (Leonard Ravenhill)

Pare com o louvor extravagante, com a teologia da prosperidade, com baladas gospel, inferno gospel, macumbaria gospel.

Deixemos de ser uma geração débil que não conhece a Bíblia, que cai em todas as armadilhas do engano satanista. Deixemos de ser meninos inconstantes levados por todo vento de doutrina por não estarmos firmados na Rocha que é Cristo.

Qual a desculpa que vamos dar a Deus? Que não sabíamos? Mas como se temos a Bíblia?

Que não vimos? Que somos cegos? Mas como se temos o Espírito Santo que nos ajuda a discernir? Se temos acesso a Internet para pesquisar e descobrir as "verdades que não mais convém" à pseudoigreja moderna?! O que diremos? Qual a nossa desculpa?

Néscios! Loucos! Acorde! Acorde em nome de Jesus Cristo!

Acorde! Por que enquanto perdemos tempo com essas baboseiras heréticas e recebemos "unções" malditas de falsos profetas, almas estão indo para o Inferno sentados nos bancos dos templos e fora por se escandalizarem com toda a enganação e manipulação desses que se dizem de Deus mas não o são.

Conheço as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são a sinagoga de Satanás. (Apocalipse 2:9)
Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; pois ensinam doutrinas que não passam de regras criadas por homens. (Mateus 15:8-9)

Os falsos profetas brasileiros

Enquanto batemos palmas para eles rindo do stand-up comedy e demais eventos culturais, circenses e de autoajuda que eles promovem, o Inferno se gloria de seu grande engendro: destruir a igreja dentro dos templos.

Satanás não teme suas palmas, nem suas declarações positivas, nem toda autoajuda que você receba. Satanás teme a igreja que ora! A igreja que é santa e que glorifica o nome de Jesus em tudo o que faz!

Igreja que enaltece homens não é igreja mas, um clube de amigos de farra gospel. Igreja que não ora não é igreja, é clube! Igreja que só canta e dança relegando a Palavra míseros minutos não é igreja, é boate gospel. Igreja cujo foco são campanhas de arrecadação em troca de chuvas de bênção dos céus não é igreja, é sinagoga de Satanás.

Acorde! Acorde em nome de Jesus Cristo!

Concordo com o Pr. Paulo Jr. de que se você "nasceu em uma igreja" nos últimos 20 a 25 anos a chance de você não saber nada do Verdadeiro Evangelho é total. Por que não se prega mais nos púlpitos o Verdadeiro Evangelho há décadas. Os falsos profetas, como instrumentos do diabo, criaram crentes carnais, débeis, dependentes dos homens e não de Deus, fracos na fé e assim levados por todo vento de doutrina.

A salvação é unicamente pela Fé em Jesus Cristo!

Liberte-se em nome de Jesus! Não é preciso dar (entregar) dízimo (nem trízimo) ou ofertas para ser salvo, não é preciso fazer boas obras para ser salvo, não é preciso se aconselhar com pastor para ser salvo, nem pagar penitências, nem confessar os pecados para sermos salvos. A fé em Jesus Cristo é suficiente para expiar o pecado dos eleitos para Deus por adoção em Jesus Cristo e a única forma de "perder a salvação" é negar que Jesus Cristo veio em carne e ressuscitou ao terceiro dia! Negar que o sangue de Cristo nos purifica de todo o pecado. Negar que Jesus Cristo é o Salvador dos homens!

Não caia nessa cilada! Não existe guru espiritual e só há um mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo!

Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. (1 Timóteo 2:5)

A Jesus toda glória! A Ele toda louvor e toda obediência! Não a homens! Não a falsos profetas! Acorde em nome de Jesus Cristo.

Consumamos Paulo Jr., Hernandes Dias Lopes, Leonard Ravenhill, Paul Washer, Spurgeon, Jonathan Edwards, David Wilkerson e todos aqueles que pregam as verdades "inconvenientes" da Bíblia. Todo o mais lancemos no fogo antes que sejamos levados para as chamas do Fogo Eterno. Assim eu rogo em nome de Jesus!

05/11/2017

A Nova Era e o Círculo dos deuses

Por Carl Teichrib. Forcing Change, Volume 9, Edição 2.

Este ensaio é o rascunho de um capítulo para um livro a ser lançado, que possivelmente terá o título Visions of One. Neste artigo, exploraremos a ideia da divindade, conforme ela é expressa no Movimento de Nova Era e em várias ramificações da filosofia espiritual. Mais do que isto, compararemos e confrontaremos essas afirmações de divindade com o texto bíblico.

O propósito? Compreender melhor a profundidade e abrangência do relato do Gênesis e reconhecer que sua essência continua em ação ainda hoje. Na verdade, Gênesis 3 revela como é nosso mundo moderno.

"Como não há separação, cada um de nós é como Deus, e Deus está em cada um de nós. Experimentamos Deus e Deus experimenta por meio de nós. Somos literalmente formados pela energia de Deus..." — Shirley MacLaine. [1]
"Quando esse dia chegar, olharei para todos vocês, irmãos e irmãs, como trabalhadores da Luz e me envolverei com vocês na transformação do nosso mundo... Preparem-se para verem a si mesmos como Deuses." — Maitreia, um Mestre Ascencionado [2].
"Somos como deuses em nosso poder, somos universais e participamos na evolução da própria matéria em consciência e vida." — Barbara Marx Hubbard. [3].

"— Levantem-se todos."

As cadeiras foram deslocadas quando todos na sala de conferências se levantaram.

"— Agora, peguem a mão da pessoa que está ao seu lado e formem um círculo", pediu nosso conferencista do período da tarde. Rapidamente, procurei a saída, mas uma mão segurou a minha e me puxou para o fim de uma linha. Outra mão conectada.

Olhando para minha cadeira a três metros de distância, pude ver que a luz do meu gravador em fita microcassete ainda estava ligado. Pelo menos, eu conseguiria captar o áudio daquilo que eu estava testemunhando. Eileen Sarafis, uma vocalista da Broadway com álbuns de músicas evangélicas gravados, entrou em nosso círculo gigante. A riqueza de sua voz fluiu para cada canto daquele salão.

"Eu SOU o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, o Primeiro e o Último. Eu SOU, Eu SOU... Eu SOU a Palavra de Deus, Eu SOU o Cordeiro... Eu SOU o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores. Eu SOU Santo, Santo Senhor, Deus Todo-Poderoso, que era, e é e que há de vir... Eu SOU isto Eu SOU..."

A última nota do canto dela terminou em um sussuro reverente e muitos estavam com seus olhos fechados e em profunda introspecção. Interrompendo o momento, nosso palestrante — agora em pé no centro — calmamente reconheceu a divindade que estava ao redor dele:

"— O Cristo que está dentro de mim saúda, honra e respeita o Cristo dentro de cada um de vocês."

As mãos foram liberadas e os homens e mulheres, idosos e jovens, voltaram-se e inclinaram-se com veneração uns para os outros. Cada um era um ser divino; todos eram Deus.

Fiquei parado como uma estátua e depois, junto com os demais, retornei para o meu assento.

O ano era 1999 e a civilização estava prestes a entrar em um novo milênio. Para este fim, aquele evento de um dia, realizado em 10 de julho em Fort Wayne, no estado de Indiana, promovido pela Unidade Espiritual das Nações (SUN, de Spiritual Unity of Nations) [4] tinha como título "1999: O Ano da Aliança". Os participantes de todo o meio-oeste americano tinham se reunido para ajudar na criação de uma nova era na evolução da consciência. A aurora de Aquário estava próxima.

Foi um dia interessante. O egiptólogo Ahmed Fayed, que tinha sido um guia pessoal para Shirley MacLaine, Henry Kissinger, Frank Sinatra, a princesa Diana e Elizabeth Taylor, conversou conosco sobre a importância mística do Ano 2000. O curandeiro pelas energias Roger Stair leu um trecho do Evangelho Aquariano de Jesus o Cristo [5], de inspiração "angélica" e nos disse que, "sua verdade pessoal era tão mutável quanto suas convicções". John Davis (fotografia ao lado), diretor da SUN, tinha anteriormente lançado seu livro Revelations For Our Time: A New Paradigm for the Next Millennium (Revelações Para o Nosso Tempo: Um Novo Paradigma para o Próximo Milênio), e estava disponível para autografar os exemplares. Houve discussões animadas de uma Nova Era emergente no terreno da interação social, religião e política — até a ideia de um Partido da Luz, uma "síntese dos partidos Republicano, Democrata, Libertário e Verde." [6].

Em todo o evento houve atividades para transformação participativa, incluindo a canalização em grupo de inteligências extra-humanas e uma liberação hipnótica em massa da culpa. Mais tarde, os participantes foram levados a uma entonação coletiva e dinâmica do AUM hindu. Começando em uma nota baixa e ritmo lento, a entonação cresceu em intensidade até terminar em um clímax. O líder, visivelmente esgotado após o êxtase alcançado com o som, encerrou dizendo: "— Vamos rezar." Em uníssono, as muitas vozes invocaram:

"— Nosso Pai que estás nos céu, santificado seja o teu nome, venha o teu reino..."

Tudo foi muito espiritual.

Por que eu estava ali? Como um cristão chamado para pesquisar a Unicidade e suas derivações, compareci ao evento para compreender melhor como o Movimento de Nova Era estava abordando o milênio. No processo, testemunhei expressões de autodivindade, correlacionadas com aquilo que o apóstolo Paulo chama em Romanos 1 de "a mentira".

A Mentira

Em Romanos 1:18-32, Paulo escreveu sobre como a verdade está sendo suprimida e substituída por uma mentira específica. Em vez de adorar o Deus verdadeiro, cujos atributos são claramente visíveis a partir do tempo da criação até o momento presente — incluindo Seu "eterno poder", uma característica que distingue Ele mesmo de tudo o mais — a humanidade "adorou e serviu a criatura em vez de o Criador". Substituímos o "Deus incorruptível" pelo "homem corruptível". O resultado? Paulo vinculou a imoral transformação sexual como uma extensão da adoração à criação, pois no processo passamos a odiar a Deus e a humanidade se aparta da justiça em sua busca por interesses mesquinhos e malignos.

A chave liga-desliga espiritual e social sobre o qual Paulo falou é uma conclusão lógica da rejeição do Criador, de Seus padrões e de Seus atributos. À medida que declaramos a nós mesmos como "Deus" e adoramos o homem corruptível, seja de uma maneira auto-realizada ou no narcisismo da sabedoria coletiva, nossa moral fica solta e sem âncora, mudando sempre que nossas convicções também mudarem. Os padrões morais de Deus não são mais obedecidos; ao contrário, nós é que criamos as regras da forma que mais nos agrade. Presentemente, fazemos isto no Ocidente por meio do poder caótico da democracia emocional e a imposição do politicamente correto. É uma estrada confusa de "ditadura das massas" e historicamente isto abre a porta para mais medidas coercitivas.

Entretanto, ao considerarmos a raiz da "mentira", precisamos abordá-la em sua origem: o livro do Gênesis. Em particular, precisamos examinar rapidamente duas seções — a Queda do Homem e a Imagem de Deus.

À Sua Imagem

Em Gênesis 1:26-27, vemos que a Humanidade foi criada em um ponto inicial definitivo na história — houve um princípio — e que fomos modelados segundo a imagem de Deus. A linguagem usada expressa a singularidade posicional da humanidade em contraste com o restante da natureza criada. Existe algo especial com o ser humano; Deus nos criou de forma distinta do reino animal. Mas, ser feito à "Sua imagem" não significa "tornar-se Deus" ou estar em um processo de "união divina" — uma alma divina refletindo e retornando para uma alma divina — como é interpretado no misticismo judaico, [7] pois algo criado não pode se equiparar a Deus, que está fora da criação. [8] Isaías 42:8 deixa bem claro que Deus não compartilha Sua glória com ninguém, nem dá Seu louvor aos ídolos. Fazer isso invalidaria Sua posição exclusiva como o Deus verdadeiro. Além disso, pedir para Deus compartilhar Sua glória é similar a sugerir que Ele pratique uma falácia lógica.

Gênesis 1:26-27, ao revés, é sobre refletir a natureza espiritual de Deus e as características atribuídas: amor, empatia, consciência moral e justiça, racionalidade, discernimento e julgamento, dignidade e personalidade distintiva. A "semelhança" de Deus colocada dentro da humanidade comunica uma qualidade que tem o objetivo de refletir a bondade de Deus e, como Deus é espírito, e nós temos um espírito, um relacionamento eterno torna-se possível. Um vínculo significativo entre o Criador e a humanidade pode assim ocorrer, conforme modelado nos eventos de Gênesis 2, quando Deus comunga diretamente com o primeiro casal — que estando dentro de Sua vontade e sem pecado, é uma demonstração na Terra dos atributos de Deus. O amor, refletindo e respondendo ao amor.

Devido ao fato de sermos criados à imagem de Deus, o valor da humanidade não é medido pelos padrões humanos, classificações econômicas, editos políticos ou mensurações técnicas. Temos valor intrínseco por causa do nosso Criador e é nisto que descobrimos o fundamento para a dignidade e valor do ser humano.

Mas, é no Novo Testamento que encontramos a implicação mais profunda da imagem revelada de Deus, Sua encarnação em um corpo humano para o propósito da nossa salvação: Jesus Cristo. [9]. Além disso, Jesus Cristo recebe o título de "último Adão" e Homem celestial" (1 Coríntios 15:45,47), rótulos que trazem o testemunho para a declaração em Gênesis 1:26 e a restauração da comunhão entre Criador e criação — uma renovação que vem por meio da obra de Deus, e não do homem corrompido. Como o apóstolo Paulo observou, nós que estamos em Cristo Jesus, "traremos também a imagem do homem celestial" [10]. Finalmente, em linguagem em paralelo com Gênesis 1, Jesus Cristo é mostrado como "a imagem do Deus invisível", por excelência (Colossenses 1:15).

Portanto, nossa salvação vem literalmente de fora, não de nós mesmos. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie." [Efésios 2:8-9]. Conhecendo e reconhecendo nossos limites, que não podemos reivindicar a obra da salvação, que é de Deus, corretamente aceitamos quem nós somos: criados à Sua imagem, sem qualquer vanglória de autodivindade. Por outro lado, o mundo proclama que podemos salvar a nós mesmos [11] — nós nos tornamos "como Deus".

O historiador esotérico Richard Cavendish revelou como o Gênesis 1:26 é usado pelos ocultistas para fortalecer a crença deles de "se tornar como Deus":

"'O homem foi feito à imagem de Deus' e tem sido frequente e sardonicamente observado que 'Deus foi feito à imagem do homem'. Ambas as afirmações são aceitas como verdadeiras na magia. O homem pode fazer a si mesmo Deus, porque tem a centelha divina dentro de si. Ele é uma imagem em miniatura de Deus e Deus é homem exaltado." [12].

A Queda do Homem

Em Gênesis 2 lemos que o primeiro casal humano, Adão e Eva, tinha um relacionamento íntimo com seu Criador; era uma comunhão real e que envolvia conversação frequente. Não somente eles interagiam em um nível pessoal, mas Deus atendeu diretamente às necessidades físicas deles preparando-lhes um lugar especial, o Jardim do Éden. Propósito, significado, descanso e prazer estavam resumidos neste paradigma do amor expressado de Deus. Todavia, uma opção foi deixada para o casal sair desse projeto e romper a comunhão, pois como Deus é o autor do amor, a escolha é necessária para o amor existir. Entra em cena a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.

A escolha dada em Gênesis 2 é clara: comer do fruto da árvore, ou obedecer a Deus e se abster. Com essa opção vem uma advertência: Se comeres, morrerás. Essa consequência aparentemente severa tem uma consideração lógica. Como Deus é o Criador e, portanto, o detentor legal da vida, escolher intencionalmente um caminho diferente do Dele é entrar no caminho da morte. Em Gênesis 3, a humanidade fica diante de um tentador serpentino, chamado de Satanás, ou Diabo. Embora as interpretações artísticas desse adversário variem desde um monstro medieval até uma figura de revistas de quadrinhos com chifres, ou um elegante homem de negócios, 2 Coríntios 11:14 nos diz que ele pode aparecer como um "anjo de luz". No Jardim do Éden, ele veio dialogar, questionar e se envolver na arte da contemporização — ele veio fazer política.

"Certamente não morrereis", foi a mensagem que ele deu a Eva. "Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal." [Gênesis 3:5]. Aquele era um momento de decisão e de exercer a responsabilidade. Os benefícios de escolher comer do fruto pareciam mitigar o custo; a vida permeneceria, a sabedoria seria concedida e o status seria elevado. Eles se envolveram na técnica dialética apresentada — eles pegaram o fruto e o comeram.

Ao fazerem isso, as informações apresentadas pelo tentador foram descobertas como meias-verdades. O "benefício" da imortalidade desapareceu e o sonho de se tonar "como Deus" provou ser ilusório. Ao contrário, a humanidade desde então tem sofrido a praga dos "pesadelos divinos" — reis, poderes e estados "brincando de Deus" para o detrimento de incontáveis milhões. Logicamente, a parte da verdade foi que nós experimental e espiritualmente entramos no reino do "conhecimento do bem e do mal".

O "conhecimento do bem e do mal" é algo que há muito tempo tem sido debatido nos círculos teológicos, embora o significado essencial possa ser algo muito básico: experimentar autonomia sem reverência a Deus e com a capacidade de atuar sobre o bem e o mal. Observe que Adão e Eva não tinham falta de capacidade intelectual antes de comerem o fruto, pois tomavam decisões com conhecimento (Gênesis 2:15-25). Além disso, Eva demonstrou compreensão antes de intencionalmente desobedecer a ordem de Deus (Gênesis 3:2-3). Assim, a existência deles antes da queda não era como a da "alegria ignorante" dos animais, nem eram eles inocentes de relações sexuais, como alguns já sugeriram, pois tornar-se "uma carne" foi instituído em Gênesis 1:28 e 2:24. Ao contrário, a existência deles antes da queda estava estruturada em torno da ordem amorosa estabelecida por Deus. Eles somente eram responsáveis por escolher o amor e a vida segundo a vontade de Deus, ou buscar uma alternativa.

Mas, todos nós não temos essa mesma responsabilidade? Parte de sermos "feitos à imagem de Deus" significa que precisamos responder ao nosso Criador. Acredito que Emil Brunner, um teólogo suíço, acertou quando escreveu:

"O homem é, e continua sendo, responsável, qualquer que seja sua atitude pessoal em relação ao seu Criador. Ele pode negar sua responsabilidade, pode fazer mal uso de sua liberdade, mas não pode se livrar de sua responsabilidade. A responsabilidade é parte da estrutura imutável de ser do homem. Isto é: a existência real do homem — de todo homem, não somente o homem que acredita em Cristo — consiste no fato positivo que ele foi criado para responder a Deus." [13].

Adão e Eva responderam na negativa. A comunhão com Deus foi interrompida, a humanidade ficou distanciada da verdadeira sabedoria (podemos apenas especular que tipo de conhecimento benéfico teríamos ganho se eles não tivessem sucumbido à tentação) e nos encontramos em hostilidade à "imagem de Deus" do amor justo. A morte, não a falsa promessa de imortalidade, foi colocada em movimento.

Tampouco a divindade humana-ascencionada, "ser como Deus" veio a frutificar. Deus reconheceu que eles tinham se tornado "como um de nós" em Gênesis 3:22, mas o contexto é sobre o conhecimento do bem e do mal, não sobre tornar-se uma divindade. Em vez disso, Deus declarou isto como um fato consumado. Em outras palavras, a queda de Adão e Eva não foi um acontecimento que levou a algo maior ou melhor — como ensinado no Mormonismo. [4] — mas um ato completo de desobediência. Eles tinham deliberadamente desobedecido a ordem de Deus e agora o pecado e a morte estavam incorporados na existência espiritual e física da humanidade. Provérbios fala sobre o erro cometido: "Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte." [Provérbios 14:12]. Romanos 5:12 explica o pecado e a morte fazendo um vínculo direto ao relato do Gênesis. "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram."

Mas, da mesma forma como Gênesis 1:26 tem sido usado como base para afirmar que "Deus é um homem exaltado", a queda em Gênesis 3 tem sido usada para justificar o "progresso humano".

Retornando à visão ocultista, Cavendish escreve o seguinte em seu livro, The Black Arts (As Artes Negras):

"A força de direção que está por trás da magia negra é a sede por poder. Seu objetivo final foi declarado, de forma bastante apropriada, pela serpente no Jardim do Éden... 'Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.' No ocultismo, a serpente é um símbolo da sabedoria e há vários séculos que os magos se dedicam à busca do fruto proibido que cumprirá a promessa da serpente. Isto, levado ao extremo máximo é... tornar a si mesmo um deus." [15].

Arte negra é um termo inadequado. A busca de união em um jugo com uma "divindade cósmica" envolvida na natureza e na humanidade é uma esperança e aspiração que abrange toda a experiência humana.

Um exemplo pode ser encontrado no Ano Europeu do Meio Ambiente (de 1987). Para marcar a ocasião, a Comissão das Comunidades Europeias e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) colaboraram em um livro intitulado New Ideas in Environmental Education (Novas Ideias em Educação Ambiental). Iniciando no Capítulo 1 — um ótimo lugar para iniciar — descobrimos que "no caso da ecologia planetária, o problema está na consciência humana." [16].

A Queda em Gênesis foi então apresentada como uma metáfora do despertar evolucionário. "A fonte dos nossos problemas planetários está no ponto na evolução em que o indistinto foi transformado em intenção por meio da ação da vida humana. Como tantos eventos, isto é lembrado nos mitos e foi contado ao longo dos tempos nas lendas do Jardim do Éden..."

Tradicionalmente, a Serpente é o símbolo da Sabedoria e o mensageiro de Deus na Terra. Portanto, a Serpente simboliza a consciência, um ponto bem-compreendido pelos iogis e outros praticantes que conhecem um pouco da Kundalini, o "poder da serpente", esse despertar, por meio da hierarquia dos chakras, ou centros de consciência, como eles são compreendidos no pensamento hindu e budista, permite ao iniciado adquirir sucessivamente níveis mais elevados de consciência." [17].

Tenha em mente que esse texto foi usado "como um apelo para novas abordagens para a educação ambiental" [18] O Prefácio declarava: "O que é necessário é tanto evolução e transformação radical, guiando o sistema educacional por novas avenidas..."

O Capítulo 1 continua:

"A Serpente, como o princípio da consciência, fecundou Eva, a Mãe Terra, que por sua vez, deu origem a um novo Adão, um novo tipo de Homem... Ao comer da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, Adão rompeu as amarras do indistinto e entrou no terreno da mente, com seu potencial para reflexão e escolha." [19].

Destacando escolha, foi explicado que, "nosso tempo é um tempo marcado por uma busca espiritual. Embora tenha havido uma perda de fé em práticas religiosas tradicionais, e pouca satisfação no secularismo das décadas passadas, há uma busca generalizada por significado que pode incluir, mas não pode ser satisfeita pela racionalidade ordinária." [20].

Para este fim, um inventário das correntes espirituais foi sugerido como uma validação da busca: Judaísmo-Cristianismo no "espírito, em vez de na letra", Hinduísmo, Budismo Tibetano e Zen, Taoísmo, Sufismo, Escolas de Mistério, Gnosticismo, Catarismo, Templarismo, Maçonaria, Cabalismo, Rosa-Cruz, Antroposofia e Teosofia. [21].

Por que esta lista? Simples: cada uma dessas correntes oferece "união com Deus". O Hinduísmo, por meio da Yôga, [22] o Cabalismo (misticismo judaico) por meio da emanação do simbolismo iluminado, [23] o misticismo cristão por meio do ascetiscismo e das práticas experimentais [24]... cada corrente estende as técnicas de unificação e perfectibilidade. A Árvore da Expansão da Consciência está carregada com um fruto apetitoso e reluzente.

Finalizando esta "nova visão para a educação", o texto oferecia a possibilidade de avanço humano na luz do que o místico católico Pierre Teilhard de Chardin previu em seu famoso livro The Phenomenon of Man (O Fenômeno do Homem):

"O resultado do mundo, as portas da entrada futura para o super-homem... Elas serão abertas para um avanço de todos juntos, em uma direção em que todos juntos possam se unir e encontrar completude em uma renovação espiritual da terra..." [25].

A mensagem? Juntos comemos o fruto. Juntos, nos tornamos mais do que Homem.

O Mercado de Frutas

O que testemunhei na conferência da SUN, em Fort Wayne, e o que você acaba de ler com relação à interpretação mística do Jardim do Éden, são pequenas amostras da nossa declarada divinização humana. Ao considerar as citações seguintes, ensinos de autoridades eminentes em cada campo respectivo, ficará óbvio o quão disseminada e similar é a busca pela Unidade humana-divina.

Movimento de Nova Era

O Movimento de Nova Era é um classificação eclética da espiritualidade e autoconscientização, incorporando elementos das religiões orientais, Filosofia Perene (todas as religiões compartilham uma mesma verdade), ensinos canalizados ("anjos", espírito-guia, etc.), esoterismo e neopaganismo. A mensagem fundamental é a seguinte: "Uma Humanidade, um mundo, uma expressão verdadeira da divindade, unidade dentro do Cristo... Um Centro de Consciência... Unidade em todas as coisas." [26]. Embora o termo "Movimento de Nova Era" seja menos usado hoje do que foi em décadas passadas, ele permanece relevante, pois seus preceitos foram infundidos dentro de todas as facetas da sociedade ocidental.

Nas palavras de John Denver, um músico e cantor popular estadunidense e ícone da Nova Era: "Ouvimos o clamor dos nossos corações expressando a conectividade e a integridade e o reconhecimento de que somos um." [27].

"Nada pode me tocar, exceto a ação direta de Deus e Deus é meu Eu Onipotente. Posso fazer todas as coisas por meio da Força do Cristo Eu SOU. Eu SOU a FORÇA!" — John Randolph Price (maiúsculas no original). [28].

"Você é a Presença de Deus. Deus está presente na Terra por causa de você." — Ken Carey. [29].

"O Deus universal é um, porém ele é mais do que um; todas as coisas são Deus; todas as coisas são uma só... os homens, os pássaros, as bestas e os animais que rastejam são divindades, feitas em carne." — The Aquarian Gospel of Jesus the Christ (O Evangelho Aquariano de Jesus, o Cristo) [30].

Teosofia

A Teosofia chama a si mesma de "Sabedoria Divina" e é um sistema de filosofia esotérica emprestada dos mitos mundiais, do ocultismo ocidental e da espiritualide oriental. A Teosofia organizada foi fundada no fim dos anos 1800s por meio do trabalho da médium espírita de origem russa Helena Petrovna Blavatsky, que foi uma das co-fundadoras da Sociedade Teosófica. William Q. Judge, outro co-fundador, descreveu a Teosofia como "inclusiva de todos os sistemas e de todas as experiências". [31]. A palestrante e autora Cherry Gilchrist, nos diz que "o ímpeto da Teosofia é que permitiu que todo o Movimento de Nova Era viesse a existir". [32].

"A Teosofia pede que todos reflitam se devem dar lugar ao animal inferior, ou olhar para cima e serem governados pelo Deus interior." — William Q. Judge. [33].

"O homem não deve ser forçado, ele deve ser livre. Ele não é um escravo, mas um Deus em formação, e o crescimento não pode ser forçado, mas precisa ser desejado a partir de dentro." — Annie Besant. [34].

"... O homem interior é o único Deus do qual podemos estar cientes. E como poderia ser diferente? Aceitem nosso postulado que Deus é um princípio infinito e universalmente difundido, e como pode o homem sozinho deixar de se encher da e na Divindade?" — H. P. Blavatsky. [35].

Sociedade Rosa-Cruz

A Sociedade Rosa-Cruz é uma escola esotérica de pensamento que tem sua origem no século 17 e afirma possuir a linhagem da figura lendária do místico alemão Christian Rosenkreuz. Ao longo dos séculos, várias ordens e sociedades inspiradas pela Rosa-Cruz — ou afirmadas credenciais rosa-cruzes — surgiram e se multiplicaram na Inglaterra, Alemanha, França e EUA. Algumas ainda existem e novas ordens foram formadas nos anos recentes. Mas, o gene rosa-cruz inegavelmente influenciou o ocultismo moderno e o misticismo ocidental.

Uma organização com uma linhagem rosa-cruz professa é a Antiga e Mística Ordem Rosa-Cruz (AMORC), que foi constituída em 1915 e tem sua sede em San José, na Califórnia, EUA. Famosa por seus anúncios públicos em jornais e revistas de circulação nacional, a AMORC é um corpo fraternal mundial com lojas e cursos de estudo em ritmo individual. Seus ensinos em divindade apresentam Deus como a "Força Universal Criadora" [36] e que "para encontrar Deus, precisamos vê-lo em todas as coisas ao mesmo tempo..." [37].

Em um Discurso Confidencial do Nono Grau da AMORC, lemos que: "Desde o mais elevado até o mais baixo, tudo é UM (maiúsculas no original), junto com uma narrativa profética da redenção da humanidade por meio do intercurso místico da natureza." [38].

As três citações seguintes da AMORC apresentam seu conceito de divindade:

"Ela [a Mente Divina] não é somente a mente de Deus, mas também a consciência e mente de todos os seres vivos no plano terreal..." — AMORC. [39].

"O Templo do Universo, o Templo da Terra e o Templo da Vida são somente um no Templo do Homem... A Luz Messiânica precisa emanar da Jerusalém Celestial, que vibra dentro de nós." — Christian Bernard. [40].

"O Deus de hoje, em nossa compreensão e consciência, não será o Deus do próximo ano, pois Deus evoluirá, conforme a consciência da alma evoluir. Essa evolução continuará até que o homem se torne plenamente consciente da consiência do Cósmico..." – AMORC. [41].

Maçonaria

A maioria dos homens que ingressa na loja maçônica faz isso sem compreender a filosofia e o alcance espiritual da Maçonaria. Como a experiência da loja está envolvida em simbolismo e alegorias, é fácil para o membro mediano passar pelas experiências sem compreender as mensagens profundas incorporadas nos rituais e movimentos. Os historiadores maçônicos há muito tempo reconhecem essa ignorância geral.

Todavia, a partir do primeiro grau — Companheiro Aprendiz — o candidato é incentivado a buscar a luz do conhecimento maçônico e trabalhar pela perfeição. [42]. Se esse desafio for verdadeiramente buscado, não somente o membro da loja procurará estudar as camadas de significado do ritual, mas se envolverá ativamente em um estudo mais profundo de sua Arte. É nessa busca que se encontra uma riqueza de literatura produzida por ilustres pensadores e líderes maçônicos: obras de história, filosofia, jurisprudência e comentários. Aqui, neste corpo de conhecimento, encontramos a aplicação espiritual da Maçonaria.

Como Grande Comandante Soberano do popular ramo do Rito Escocês, Henry C. Clausen, escreveu em 1981: "…a ciência e religião serão fundidas em um expoente unificado de um poder espiritual de sobreposição… O tema, em essência, é que as revelações do misticismo oriental e as descobertas da ciência moderna suportam as crenças e ensinos maçônicos e do Rito Escocês." [43].

"O homem é um deus em formação e, como nos mitos místicos do Egito, na roda do oleiro ele está sendo moldado. Quando sua luz brilha para elevar e preservar todas as coisas, ele recebe a coroa tripla da deidade e ingressa na assembleia dos Mestres Maçons que, em seus mantos de azul e dourado, procuram dispersar as trevas da noite com a luz tripla da Loja Maçônica." — Manly P. Hall. [44].

"Aqui está o grande segredo da Maçonaria — que ela torna um homem ciente dessa divindade que está dentro dele..." — Joseph Fort Newton. [45].

"A Maçonaria, portanto, não é apenas um sistema de moralidade, que inculca as éticas mais elevadas por meio das quais resultam, se seguidas, o desdobramento consciente da divindade, mas é também uma grande apresentação dramática da regeneração. Ela retrata a recuperação da divindade oculta do homem e seu encaminhamento para a luz.” – Foster Bailey. [46].

As citações acima se encaixam na seguinte seleção de J. D. Buck, um estimado proponente da Maçonaria e Teosofia espirituais de um século atrás. Este texto, um pequeno exemplo do que é a vanglória humana, é um excerto de seu livro Mystic Masonry (Maçonaria Mística).

"É muito mais importante que os homens se esforcem para se tornarem Cristos do que creiam que Jesus era o Cristo. Se o estado crístico somente pode ser alcançado por um único ser humano durante toda a evolução da espécie, então a evolução do homem é uma farsa e a perfeição humana é uma impossibilidade... Jesus não é menos Divino porque todos os homens podem alcançar a mesma perfeição Divina." [47].

Ou, para colocar a divindade humana dentro do contexto coletivista: "A humanidade como um todo é, então, o único Deus Pessoal." [48].

Mormonismo

Tornar-se um "Deus" e a fisicalidade de Deus como um ser humano avançado são conceitos encontrados no Mormonismo. A história da religião inicia com Joseph Smith e as visitações que ele recebeu de um mensageiro angelical, de modo que citarei os ensinos de Smith.

"O próprio Deus foi o que nós somos agora, e é um homem exaltado, que está assentado lá nos céus!"

"... Aqui, então, está a vida eterna — conhecer o único Deus sábio e verdadeiro; e vocês têm de aprender como serem deuses vocês mesmos, e serem reis e sacerdotes para Deus, o mesmo que todos os deuses fizeram antes de vocês, isto é, indo de um pequeno grau para outro, e de uma pequena capacidade para uma grande, de graça em graça, de exaltação em exaltação..." — Joseph Smith (itálico no original; tradução nossa). [49].

"O Pai [Deus] tem um corpo de carne e ossos tão tangível quanto o do homem..." — Doutrina e Convênios. [50].

"[Falando da condição divina] O que é isto? Herdar o mesmo poder, a mesma glória e a mesma exaltação, até que você chegue à posição de um deus e ascenda ao trono do poder eterno, da mesma forma como aqueles que partiram antes." — Joseph Smith [51].

Dificilmente Tudo Isto É uma Coincidência

Você consegue ver uma tendência?

Infindavelmente o homem afirma sua divindade. Hoje, o Humanismo Cósmico vende isto como um pacote de grupo — afinal, é sobre cada um de nós, juntos, evoluindo o universo em harmonia e unidade. "A humanidade em um todo", aceitando e adotando a Unidade. O diretor da SUN, John Davis, explica da seguinte maneira: "O Sol de Deus representa a consciência em massa, ciente de si mesma, como ela verdadeiramente é por meio da unidade de todas as pessoas. O conceito do indivíduo e do todo tornados Um..." [52].

Philip Comella, autor de The Collapse of Materialism e apresentador do programa Conversations Beyond Science and Religion, expressa isto assim: "A verdade está diante de nós: Somos a mente única e estamos sonhando este mundo. Somos Deus..." (itálico no original). [53].

Alternativamente, o Criador dos Céus e da Terra declara uma posição contrária da que possui o mundo: "Porque eu sou Deus e não homem..." [Oséias 11:9].

"A quem, pois, me fareis semelhante, para que eu lhe seja igual? diz o Santo." [54].

Não há comparação — nós não criamos o universo, não vencemos a morte. Por mais que tenhamos avançado, nossas limitações são manifestas. Quanto mais a humanidade aprende e mais o conhecimento avança, mas descobrimos o quão incompreensivelmente complexo nosso universo realmente é — um universo que declara a glória do Criador. [55].

Mas, em vez de dobrar nossos joelhos diante de Jesus Cristo, o Santo que separou a luz das trevas, que formou o reino animal com fronteiras distintas entre as espécies, que elevou a humanidade como um embaixador real [56] e que está exaltado acima de tudo — "Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele" [57] — o homem orgulhosamente proclama sua própria grandeza e quer redimir a si mesmo.

Além disso, nossa autoredenção é reforçada por "inteligências exteriores" seja por "Mestres Ascencionados" que falaram a Helena Blavatsky, ou a figura angélica que visitou Joseph Smith, ou os espíritos-guias que sussuram aos médiuns da Nova Era. Até as mensagens canalizadas dos aparentes extradimensionais "irmãos do espaço" pregam essa mesma doutrina: você é parte do contínuo da consciência universal, você é parte de Deus e, portanto, é Deus, e sua redenção — de fato, a salvação da Terra — está latente dentro de você mesmo. Um médium para mensageiros de outros planetas escreve: "A Segunda Vinda é iminente e você também pode se preparar. Esta é particularmente uma boa ideia porque você é isto. Você é a Segunda Vinda... Torne-se seu próprio Messias..." [58].

Sem qualquer surpresa, o famoso pesquisador de abduções por extraterrestres e professor na Escola de Medicina da Universidade de Harvard, John E. Mack, (fotografia ao lado) explicou que muitos abduzidos por OVNIs experimentam um estado mental tranformacional:

"A consciência alterada que os encontros de abdução produzem se assemelham de algumas formas com os estados de transe dos xamãs e, como os povos indígenas e nativos, os abduzidos são levados mais para perto de um mundo natural que está vivo com espíritos de todos os tipos e é cada vez mais visto como sagrado." [59].

Isto reflete apropriadamente aquilo que os próprios extraterrestres retratam: "os abduzidos consistentemente reportam que os seres parecem estar mais próximos de Deus do que nós estamos, atuando como mensageiros, espíritos guardiães, ou anjos, intermediários entre nós e a Fonte Divina." [60].

Reconectar-se à "Fonte" — ou como um paciente de Mack descreveu, "Deus-Deusa-Tudo o que é — torna-se para muitos abduzidos o novo propósito da vida." [61].

Nada disto acima é coincidência, pois cada expressão simplesmente reflete aquilo que um anjo ofereceu a Adão e Eva, com a morte sendo o alto custo de realizar o negócio. Repetidamente a humanidade nega o Deus do Gênesis e continua a cair na enganação dos supostos anjos.

Não somos deuses — somos corruptos. Ironicamente, quanto mais proclamamos sermos "como Deus", mas afirmamos a baixeza da humanidade. Isto apesar das boas intenções. As palavras do teórico social Jeremy Rifkin ecoa pelo tempo, mostrando-nos simplesmente outro "círculo dos deuses".

"A humanidade está abandonando a ideia que o universo opera com verdades inflexíveis, porque ela não mais sente a necessidade de ser restringida por essas cadeias. A natureza está sendo feita de uma maneira nova, desta vez pelos seres humanos. Nós não mais nos sentimos como convidados na casa de outra pessoa, obrigados, portanto, a fazer nosso comportamento se conformar com um conjunto de regras cósmicas pré-existentes. É a nossa criação agora. Nós é quem fazemos as regras. Nós estabelecemos os parâmetros da realidade. Nós criamos o mundo e, por causa disso, não mais nos sentimos em posição de submissão às forças de fora. Não temos mais de justificar nosso comportamento, pois agora somos os arquitetos do universo. Não somos responsáveis por nada além de nós mesmos, pois nós somos o reino, o poder e a glória para sempre." [62].

Notas Finais

1. Shirley MacLaine, Going Within: A Guide for Inner Transformation (Bantam Books, 1989), pág. 66.

2. Messages from Maitreya the Christ, Volume 1, conforme canalizadas por Benjamin Crème (Tara Press, 1980), pág. 76. Maitreia é considerado um bodhisattva — um Homem Aperfeiçoado no caminho budista, um Mestre Ascencionado — e é profetizado nos círculos esotéricos como o vindouro "Instrutor Mundial".

3. Barbara Marx Hubbard, Conscious Evolution: Awakening the Power of Our Social Potential (New World Library, 1998), pág. 212.

4. A Unidade Espiritual das Nações (Spiritual Unity of Nations, ou SUN) é uma derivação da Comunhão Copta Internacional, um centro de aprendizado sediado em Michigan para o ensino esotérico e ocultista.

5. The Aquarian Gospel of Jesus the Christ (O Evangelho Aquariano de Jesus o Cristo) foi uma "escritura" dada a Levi H. Dowling por um declarado ser angélico, que conferiu a Levi o acesso aos Registros Akáshicos, um compêndio não-físico de conhecimento secreto. O livro foi lançado em 1907 e, desde então, tem sido um texto importante nos círculos de Nova Era e teosóficos.

6. A partir de um folheto distribuído no evento da SUN em 1999, "O Partido da Luz". Essa estranha aspiração política foi a criação de Da Vid, diretor da Fundação da Paz Global. O Partido da Luz foi fundado em 1994.

7. O misticismo judaico está centrado na Cabala (também se escreve Qabalah, ou Kabbalah), construída com base nos significados simbólicos e esotéricos do universo. Veja The Early Kabbalah, editado por Joseph Dan (Paulist Press, 1986), pág. 84. Interpretação adicional inclui a ideia de um homem e mulher universal aperfeiçoados, "para o aperfeiçoamento de todas as coisas", conforme expresso por meio do poder regenerativo do membro masculino. Veja The Kabbalah Unveiled, traduzido por S. L. MacGregor Mathers (Samuel Weiser, 1970), pág. 84.

8. Na visão da Cabala de Gênesis 1:26-27, Deus como espírito não está em atuação física direta na criação da humanidade; ao revés, este é o processo criativo em ação. Mas, não é isto que a leitura direta do Gênesis descreve. Ao contrário, encontramos Deus intimamente envolvido em toda a criação, incluindo a criação de Adão e Eva.

9. Veja João 14:9, Colossenses 2:9 e Hebreus 10:5.

10. 1 Coríntios 15:49.

11. Eu me lembro do que Anton LaVey, fundador da Igreja de Satanás, escreveu com relação à salvação "satânica": "Não existe céu algum de glória reluzente, nem inferno onde os pecadores são tostados. O aqui e o agora são nosso dia de tormento! O aqui e o agora são nosso dia de alegria! O aqui e o agora são a nossa oportunidade! Escolhei este dia e esta hora, pois redentor algum vive! Diga ao teu próprio coração: 'Sou meu próprio redentor'." A Bíblia Satânica (Avon Books, 1969; tradução nossa), pág. 33.

12. Richard Cavendish, The Black Arts (G. P. Putnam’s Sons, 1967), pág. 5.

13. Emil Brunner, "Man and Creation", Readings in Christian Theology, Volume 2: Man’s Need and God’s Gift (Baker Book House, 1976, editado por Millard J. Erickson), pág. 49.

14. Veja Gospel Principles (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 1997), pág. 33. Veja também True to the Faith: A Gospel Reference (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 2004), pág. 57.

15. Cavendish, The Black Arts, pág. 1.

16. Mark Braham, "The Ecology of Education", New Ideas in Environmental Education (Croom Helm, direitos reservados pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, patrocinada pela Comissão das Comunidades Européias, 1988, editado por Salvano Briceno e David C. Pitt), pág. 5. Nos agradecimentos, os editores observaram o "auxílio e estímulo" da UNESCO e do UNEP.

17. Idem, pág. 8, 9.

18. Idem, "Introdução", pág. xi.

19. Idem, pág. 9.

20. Idem, pág. 20.

21. Idem, pág. 20.

22. O Bhagavad Gita é uma escritura hindu épica sobre o papel do Yôga em alcançar a perfeição, salvação e unidade com Deus. "Quando um sábio é alguém no Yôga, ele logo é alguém em Deus." (5:6b). No Srimad-Bhagavatam, Canto Primeiro, Capítulo 2, Texto 29, lemos que o Yôga é também a realização de Sri Krsna, a "Personalidade da Divindade". Veja a edição de A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada (The Bhaktivedanta Book Trust, 1978), pág. 131. O Harper’s Dictionary of Hinduism explica que o propósito do yôga é misturar mente e corpo em "perfeita unidade" e que cada método é uma preparação para o Raja yôga. Quando alcançada, "a unidade fundamental de tudo o que existe é realizada". Veja Margaret e James Stutley, Harper’s Dictionary of Hinduism: Its Mythology, Folklore, Philosophy, Literature, and History (Harper & Row, 1977), pág. 350. O livro The Hindu Tradition, editado por Ainslie T. Embree (The Modern Library, 1966), fala de Shiva (ou Xiva), o Deus Supremo na cosmologia hindu e a identidade e natureza de Shiva em continuidade: "Shiva assume as formas de Brahma e Vishnu e o chefe dos celestiais... Ele assume as formas também de homens e mulheres, de fantasmas e espíritos e de todos os animais aquáticos... Algumas vezes, ele cria presentes, outras vezes recebe esses presentes; algumas vezes ele se apresenta no Yôga e outras vezes, torna-se o objeto da contemplação de outros no Yôga. Ele pode ser visto na plataforma sacrificial ou na estaca sacrificial; no meio do fogo... ele é todo ato, ele é toda omissão; ele é justo, ele é injusto" (pág. 235-236). A mais elevada forma de autoconsciência é considerada a consciência de Shiva, "em que todo o universo aparece como eu ou Shiva" e isto é alcançado pela graça obtida por meio da disciplina espiritual do yôga. Veja Jaideva Singh, Siva Sutras: The Yoga of Supreme Identity (Motilal Banarsidass Publishers, 2006), pág. xxx.

23. A literatura da Cabala que apresenta este aspecto inclui Gareth Knight, The Practical Guide to Qabalistic Symbolism (Samuel Weiser, 1978, edição em um volume); A. E. Waite, The Holy Kabbalah: A Mystical Interpretation of the Scriptures (Carol Publishing Group, 1995 — publicado originalmente em 1929); S. L. MacGregor Mathers, The Kabbalah Unveiled (Samuel Weisner, 1970 — publicado originalmente em 1887); Gershom Scholem, Major Trends in Jewish Mysticism (Schocken Books, 1995 — publicado originalmente em 1941); e Leo Schaya, The Universal Meaning of the Kabbalah (University Books, 1971).

24. Para uma visão crítica do misticismo cristão, veja Greg Hammond, Mystic Seduction: Awakening Christians to a Real and Present Danger (BeAlertMinistry.com, 2014). Dois outros livros cristãos que analisam aspectos do misticismo cristão são A Time of Departing: How Ancient Mystical Practices are Uniting Christians with the World’s Religions, de Ray Yungen (Lighthouse Trails Publishing, 2002/2006), e Faith Undone, de Roger Oakland (Lighthouse Trails Publishing, 2007).

25. Mark Braham, "The Ecology of Education", New Ideas in Environmental Education, pág. 29.

26. John Davis and Naomi Rice, Messiah and the Second Coming (Coptic Press, 1982), pág. 21.

27. John Denver, "É uma Possibilidade", Windstar Journal, Winter 1986, pág. 6. Denver iniciou a Fundação Windstar em 1976 para promover a educação sobre paz, sustentabilidade, crescimento pessoal e desenvolvimento espiritual da Nova Era.

28. John Randolph Price, The Planetary Commission (The Quartus Foundation, 1984), pág. 133.

29. Ken Carey, The Starseed Transmissions (HarperSanFrancisco, 1982/1995), pág. 51. O texto de Starseed é composto de mensagens canalizadas de uma autoproclamada projeção da consciência crística da divindade da humanidade.

30. Levi. H. Dowling, The Aquarian Gospel of Jesus the Christ (De Vorss & Co., 1982), Capítulo 28:4,9a.

31. William Q. Judge, Ocean of Theosophy (The Theosophy Company, 1947, publicado originalmente em 1893), pág. 20.

32. Cherry Gilchrist, Theosophy: The Wisdom of the Ages (HarperSanFrancisco, 1996), pág. 4.

33. Judge, Ocean of Theosophy, pág. 51.

34. Annie Besant, Esoteric Christianity (Theosophical Publishing House, 1901, edição de 1982), pág. 220. Besant foi presidente da Sociedade Teosófica e uma líder dentro do movimento socialista fabiano.

35. Helena Petrovna Blavatsky, The Key to Theosophy (Theosophical University Press, 1995, publicado originalmente em 1889), pág. 67.

36. Christian Bernard, So Mote It Be! (Supreme Grand Lodge of AMORC, 1995), pág. 157.

37. Master Monograph, Illuminati Section, Degree 12, Monograph 25 (Antiga e Mística Ordem Rosa-Cruz, sem data definida), pág. 4.

38. Fragmentos de Masters and the Afflatus of the Illuminati, Ninth Degree Confidential Discourse, Number One (Antiga e Mística Ordem Rosa-Cruz, sem data definida). O texto "tudo é UM" é encontrado na parte inferior da penúltima página. Em seguida, o Princípio Divino Criativo — manifestado como sexo — é revelado por meio do relato de um intercurso místico e profecia da redenção.

"Por meio do conhecimento a terra será salva e os Grandes caminharão na terra, como nos tempos antigos. Observem a cauda do Escorpião conforme ele cai pelo ar (onde ele primeiro torna-se visível por aquilo que é) até o mar, que se torna em sangue. Quando o Escorpião está na terra ele é ali o Princípio do Pai dentro da Mãe. Não revelem isto. Portanto, a árvore produz, a seiva aparece, surgem as folhas, as flores florescem e o fruto aparece... Mas, o Escorpião se levantará da terra, a partir do mar, passando pelo ar, levando com ele sua coroa estrelada, a redenção da humanidade."

39. Rosicrucian Glossary: A Key to Word Meanings (Antiga e Mística Ordem Rosa-Cruz, 1975, sétima edição), pág. 13.

40. Bernard, So Mote It Be!, págs. 87-88.

41. Master Monograph, Temple Section, Degree 9, Preliminary Monograph 3 (Antiga e Mística Ordem Rosa-Cruz, sem data definida), pág. 5.

42. Veja Entered Apprentice Lecture, terceira edição, conforme editado por Ralph P. Lester, Look to the East! A Ritual of the First Three Degrees of Masonry (Fitzgerald Publishing Corporation, 1918 — publicado originalmente em 1874).

43. Henry C. Clausen, Emergence of the Mystical (Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria, Jurisdição Sulista, 1981), pág. xi.

44. Manly P. Hall, The Lost Keys of Freemasonry (Macoy Publishing and Masonic Supply Company, 1954 — publicado originalmente em 1923), pág. 92. Hall, um filósofo esotérico, foi considerado um dos maçons mais influentes do século 20.

45. Joseph Fort Newton, The Builders: A Story and Study of Masonry (The Torch Press, 1916), pág. 293.

46. Foster Bailey, The Spirit of Masonry (Lucis Trust, 1996 — publicado originalmente em 1957), pág. 105.

47. J. D. Buck, Mystic Masonry and the Greater Mysteries of Antiquity (Regan Publishing, 1925), pág. 62.

48. Idem, pág. 61.

49. Joseph Smith, discurso em King Follett, conforme impresso por Bruce R. McConkie, Mormon Doctrine (Bookcraft, 1979, segunda edição), pág. 321.

50. Doutrinas e Convênios da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 130:22. Frequentemente abreviado como D&C, o livro é considerado pelos mórmons uma escritura revelada a Joseph Smith.

51. Joseph Smith, discurso em King Follett, conforme impresso por Bruce R. McConkie, Mormon Doctrine (Bookcraft, 1979, segunda edição), pág. 321.

52. John Davis, Revelation for Our Time: A New Paradigm for the Next Millennium (Spiritual Unity of Nations Publishing, 1998), pág. 85.

53. Philip Comella, The Collapse of Materialism: Visions of Science, Dreams of God (Rainbow Ridge Books, 2014), pág. xvi.

54. Isaías 40:25.

55. Veja Salmos 19.

56. Veja Gênesis 1.

57. Colossenses 1:16.

58. Zoev Jho, E. T. 101: The Cosmic Instruction Manual for Planetary Evolution (HarperSanFrancisco, 1995), págs. 44-45.

59. John E. Mack, Passport to the Cosmos: Human Transformation and Alien Encounters (Crown Publishing, 1999), pág. 154.

60. Idem, pág. 276.

61. Idem, pág.272.

62. Jeremy Rifkin, Algeny (The Viking Press, 1983), pág. 244.

16/09/2017

Um Passo Rumo ao Governo e Religião Mundiais

Por Jeremy James, Portal Zephaniah.
Publicado em 25/7/2015 no Portal Espada do Espírito

Os observadores do Vaticano sabem há algum tempo que Roma está trabalhando para expandir substancialmente seu controle sobre os eventos mundiais e estabelecer um domínio global, seja de forma irrestrita, ou em parceria com outras forças que participam no jogo do poder intercontinental. Até agora, seus objetivos e ambições foram estruturados em termos vagos e linguagem típica do Vaticano. Entretanto, para o católico romano mediano, a filosofia social e política do Vaticano parece ser simplesmente uma mistura curiosa de aspirações benevolentes e uma teologia não bem definida, sem implicações tangíveis para o mundo real. Em grande parte ele não vê sua igreja como uma grande participante no jogo de poder global, ou uma ameaça potencial para a democracia e para as liberdades. Afinal, quem pode questionar as constantes referências à necessidade de promover o "bem comum" e um mundo melhor para todos?

Muitos livros excelentes lidam com as verdadeiras ambições globais da Igreja Católica Romana e, mais especificamente, a elite poderosa que a está usando para seus próprios propósitos. Alguns desses autores também destacam os princípios patentemente marxistas que fundamentam sua agenda sócio-econômica. Por exemplo, Ecclesiastical Megalomania (Megalomania Eclesiástica, 1999), de John Robbins, é leitura essencial para qualquer católico romano que esteja verdadeiramente preocupado com a direção perturbadora que sua igreja está seguindo.

O Pano de Fundo para o Domínio Mundial

Há muito tempo que a Igreja Católica Romana reivindica o direito de governar o mundo. Por exemplo, já em 1493, o papa Alexandre VI decretou que o mundo deveria ser dividido em duas zonas, uma dominada pela Espanha e a outra por Portugal. Milhões de pessoas inocentes foram mortas ou escravizadas logo após esse decreto. Por meio das tortuosas e enganosas maquinações da Ordem dos Jesuítas, a Igreja Católica Romana envolveu-se em intrigas de incontáveis formas para desestabilizar os países soberanos e derrubar governos legítimos. Os jesuítas organizaram a Contra-Reforma, com o objetivo de destruir todos os vestígios do Cristianismo bíblico verdadeiro na Europa. Isto levou à Guerra dos Trinta Anos, em que a Alemanha foi devastada e milhões de civis inocentes foram mortos com grande selvageria e crueldade.

Apesar disto, por meio de intervenção providencial em estágios cruciais, a Reforma Protestante conseguiu sobreviver e a guerra terminou com a Paz de Vestfália, em 1648. Embora esteja grandemente esquecida no nosso mundo moderno, a Paz de Vestfália assumiu um novo significado com a publicação, em 24 de outubro de 2011, de um documento oficial do Vaticano intitulado "Para uma Reforma do Sistema Financeiro e Monetário Internacional na Perspectiva de uma Autoridade Pública de Competência Universal", que discutiremos em breve.

Reconhecendo o princípio dos Estados soberanos e independentes, a Paz de Vestfália permitiu que o protestantismo continuasse sem ser molestado em partes selecionadas da Europa. Não há dúvidas que Roma desdenha esse resultado e que há muito tempo procura revertê-lo. Neste sentido, a Contra-Reforma nunca terminou e continua até hoje, porém de uma forma muito disfarçada. Entretanto, o objetivo ainda é o mesmo, isto é, destruir o Cristianismo bíblico e substitui-lo em todo o mundo por uma versão corrupta, criada pelo homem, fabricada pelo grupo de elite de famílias que controlam Roma há muitas gerações.

As Famílias do Papado

Ao longo de um período de aproximadamente 600 anos, o papa era selecionado a partir de apenas onze famílias — Orsini, Bórgia, Piccolomini, De Médici, Colonna, Farnese, Caetani, Borghese, Barberini, Aldobrandi e Sforza. As quatro primeiras ocuparam o papado por não menos que nove ocasiões. O historiador George L Williams fez uma excelente trabalho em estabelecer o papel dominante que a genealogia e a sucessão dinástica exerceram em decidir o papado. Em Papal Genealogy: The Families and Descendants of the Popes (Genealogia Papal: As Famílias e Descendentes dos Papas, 1997), ele faz as seguintes e instrutivas observações [pág. 160]:

As famílias dos príncipes papais tinham a tendência de fazer seus filhos se casarem com filhas de outras famílias com títulos papais, e os casamentos entre os membros dessas famílias ainda estão ocorrendo no século 20. Durante os períodos do Renascimento e do Barroco, os papas fizeram suas famílias prosperar presenteando-as oficialmente com territórios, títulos e emolumentos, porém seus descendentes frequentemente se casavam com membros de antigas famílias papais, como os Colonna, Orsini, Sforza-Conti-Cesarini (herdeiro dos Conti) e Caetani. Mas, desde o século 17, as famílias dos papas do período Barroco (isto é, os Boncompagni, Ludovisi, Chigi, Albani, Altieri, Borghese, Aldobrandini, Ottoboni, Barberini, Pamphili, Rospigliosi, Odescalchi e Corsini) estão mais inclinadas a fazer seus filhos se casarem com filhas umas das outras...

Grande parte do mesmo sistema de apadrinhamento e nepotismo operava em outras poderosas cidades-estado italianas. Por exemplo, Veneza foi uma das entidades políticas mais influentes no mundo durante vários séculos. Entretanto, a classe governante naquela grande cidade-estado era constituída por apenas um pequeno grupo de famílias. Cada família tinha sua vez de ocupar o topo, em uma forma de rodízio — ocupando o cargo vitalício de doge — ao mesmo tempo que continuava a garantir que a maior parte das políticas seguidas fossem de benefício para o grupo como um todo. O sucesso dessa estratégia é confirmado pela longevidade desse pequeno estado. Em uma época em que impérios formidáveis ascenderam e caíram, ele sobreviveu e prosperou, desde aproximadamente o ano 700 até 1798, quando foi finalmente vencido por Napoleão.

No período de 1190-1730, Veneza teve um total de 73 doges, dos quais 36 vieram de apenas nove famílias — Contarini, Mocenigo, Dandolo, Cornaro, Gradenigo, Priuli, Morosini, Donato e Venier. Sempre era do interesse dessas famílias influentes, bem como daquelas com as quais elas se aparentavam via casamentos, apoiar e defender o sistema. Nem uma família dominava, porém a elite governante mantinha todas as demais famílias influentes em xeque. Elas podiam ser cruéis no tratamento que dispensavam aos estranhos, confiantes por saberem que os mesmos métodos não seriam usados contra elas mesmas. A cidade de Gênova usava um sistema similar, porém era menos eficaz, pois um número menor de famílias recebia a permissão de dominar. Por exemplo, no período de 1339-1527, o cargo de doge, que mudou 42 vezes, foi ocupado em não menos que 29 ocasiões por apenas duas famílias: os Adorno e os Fregoso.

Os venezianos também usaram outra técnica vital para consolidar seu poder — uma rede ampla de espiões e informantes. Esses agentes estavam baseados nas cortes das principais cidades italianas, bem como em cidades-chaves em toda a Europa. Os dados de inteligência coletados por meio dessa rede permitia que os venezianos explorassem as oportunidades comerciais e militares, contemporizassem seus inimigos e, por meio da intriga e da desinformação, colocassem um reino contra outro. O mesmo sistema foi adotado e aplicado pela Ordem dos Jesuítas logo após sua fundação, em 1540, e passou por muitos aprimoramentos desde então.

As Famílias da Elite Governam

A sucessão dinástica e os casamentos planejados entre as famílias influentes da elite, ao longo de vários séculos, garantiram que a Europa e os EUA sejam controlados hoje por um grupo muito pequeno de pessoas. A maior parte do 1% que possui 40% da riqueza está nessa categoria. Todos eles compartilham uma coisa em comum — uma profunda e enraizada aversão ao Cristianismo. Não a variedade falsificada ensinada por Roma — que continua a exercer um controle supersticioso sobre centenas de milhões de pessoas inocentes — mas a versão fundamentada unicamente na Palavra de Deus. Os cristãos verdadeiros olham somente para o Deus Vivo, enquanto que os cristãos falsos invariavelmente olham para outra parte — para o papa, para o clero, para a virgem Maria, os santos, os sacramentos e o bem comum.

Roma tem trabalhado consistentemente para a criação de um império global. Nesse sentido, a Igreja Católica é o veículo principal por meio do qual esse grupo de famílias de elite tem feito avançar sua causa. Por meio dela, eles controlam e exploram as massas em todos os cinco continentes, fazendo com que deixem de adorar e de orar ao Deus Vivo e Verdadeiro — o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Eles também trabalham por trás dos bastidores, por meio das estruturas da Igreja Católica Romana, e de outras formas, para derrubar o sistema de Estados soberanos que foi reconhecido pela Paz de Vestfália.

Muito mais poderia ser dito aqui sobre o controle que essas famílias exercem sobre o sistema bancário internacional, que, em grande parte, é uma criação delas, e do sistema das sociedades secretas que elas e seus aliados usam há muito tempo para influenciar e controlar os Estados independentes — a Ordem dos Jesuítas, os Cavaleiros de Malta, a Maçonaria, os Cavaleiros de Colombo, a Sociedade Rosa-Cruz, a Sociedade Teosófica, etc. — mas este não é o foco principal deste ensaio. Se você precisar de mais informações sobre esses aspectos, consulte outros de nossos artigos.

Encíclicas Papais e um Governo Mundial

A estrutura política preferida pela Igreja Católica Romana é o fascismo. Sempre que esteve em ascendência em qualquer país, ela caminhou nessa direção — por exemplo, na Espanha durante o regime de Francisco Franco, em Portugal durante o regime de Salazar, na Itália durante o governo de Mussolini, na Croácia durante o tempo de Pavelic, no Paraguai durante o regime de Stroessner, no Chile durante o regime Pinochet, na Argentina durante o governo Videla, e nas Filipinas durante o governo Marcos. Muitos outros exemplos poderiam ser apresentados, em que uma elite poderosa, endossada de forma não oficial pela Igreja Católica Romana, utiliza a força militar para exercer o controle completo sobre um país e, rotineiramente, sequestra, tortura e mata qualquer um que se atreva a fazer oposição. A mentalidade que está por trás disso baseia-se na crença que o fim justifica os meios, que a Igreja tem a autoridade moral para governar sem restrições e que as dificuldades iniciais serão solucionadas no tempo devido, à medida que a população de submeter à vontade suprema de uma autoridade centralizada supostamente beneficente.

A mesma mentalidade tem sido evidente nos pronunciamentos do Vaticano há décadas. Por exemplo, na encíclica Populorum Progressio (1967), o papa Paulo VI escreveu:

22. 'Enchei a Terra e dominai-a': logo desde a sua primeira página, a Bíblia ensina-nos que toda a criação é para o Homem, sob a condição de ele aplicar o seu esforço inteligente no seu aproveitamento, e de, pelo seu trabalho, por assim dizer a completar para o seu próprio serviço. Se a Terra é feita para fornecer a cada um os seus meios de subsistência e os seus instrumentos de progresso, todo o homem tem, portanto, o direito de nela encontrar o que lhe é necessário. 0 recente Concílio lembrou-o: 'Deus destinou a Terra e tudo o que ela contém ao uso de todos os homens e de todos os povos, de modo que os bens da criação devem equitativamente afluir às mãos de todos, segundo a regra da justiça, inseparável da caridade'. Todos os outros direitos, quaisquer que sejam, incluindo os de propriedade e de comércio livre, estão-lhe subordinados: não devem portanto impedir, mas, pelo contrário, facilitar a sua realização; e é um dever social grave e urgente reconduzi-los à sua finalidade primacial.

Observe a máxima totalitária: "Todos os outros direitos, quaisquer que sejam... estão-lhe subordinados." Como esses direitos incluem a liberdade de expressão, a liberdade religiosa, a liberdade de se reunir, etc., o Vaticano claramente vê um futuro, sobre seu próprio controle, em que todos os homens, em toda a parte serão compelidos a fazer o que forem instruídos a fazer, para o bem comum. O próprio Vaticano decidirá o que deve ser contado como "o bem comum" e prescreverá penas adequadas para aqueles que deixarem de obedecer.

Diversas outras encíclicas do século passado condenaram aquilo que o Vaticano descreve como "individualismo", "livre concorrência" e "propriedade privada". Por exemplo, em Sollicitudo Rei Socialis (1987), o papa João Paulo II declarou que a propriedade privada, na verdade, está sob uma "hipoteca social", o que significa que ela tem uma função intrinsecamente social, baseada e justificada principalmente pelo princípio do destino universal dos bens.

No que se refere ao Vaticano, a propriedade privada tem uma justificativa moral somente quando existe dentro de uma estrutura que garanta "o destino universal dos produtos". Por "destino", entenda "distribuição", pois é assim que a "hipoteca social" deve funcionar na prática. Em resumo, se a autoridade central decidir que certos produtos são necessários por outro grupo, eles serão redistribuídos de acordo com o bem maior. O fato de esses produtos pertencerem a outra pessoa é irrelevante. A "função social" deles exige isto. Assim, o Vaticano rejeita o princípio da propriedade privada.

Isto é indistinguível do Marxismo (ou Comunismo), e, como o Marxismo baseia-se na crença que, para funcionar eficazmente, ele precisa ser implementado em escala global. Isto também requer um sistema rigidamente centralizado de administração da economia:

Cabe aos poderes públicos escolher, e mesmo impor, os objetivos a prosseguir, os fins a alcançar e os meios para os atingir; e também lhes compete estimular todas as forças agrupadas nesta ação comum." — papa Paulo VI, Populorum Progressio, 1967.

Qualquer pessoa racional deve considerar essa perspectiva muito perturbadora. Além disso, devemos estar preocupados que mais de um bilhão da católicos romanos estejam, em grande parte, alheios ao que seus líderes estão planejando. Lembre-se que se o Vaticano tiver as coisas da forma como quer, seu sistema rígido de controle social não se aplicará somente aos fiéis católicos, mas a todos no mundo inteiro, tanto "fiéis quanto infiéis".

Um Império Mundial Papal

Como já observamos, o papado há muito tempo reivindica ser o governante legítimo deste mundo. Já em 1250, o papa Inocêncio IV escreveu que o papa, sendo o vigário de Cristo, tem o poder não somente sobre os cristãos, mas também sobre os infiéis, pois Cristo tem poder sobre todos... todos os homens, fiéis e infiéis, são ovelhas de Cristo por criação... o papa tem jurisdição e poder sobre todos de jure, embora não de facto. — de The Crisis of Church and State, 1050-1300, de Brian Tierney, 1964.

Trabalhando furtivamente por trás dos bastidores, o Vaticano está agora planejando transformar esta suposta jurisdição e poder sobre todos os homens, a partir de um direito puramente legal, para uma realidade global. Para que o leitor não seja tentado a rejeitar isto como um ideal antiquado, aqui está como isto foi declarado na revisão de 1983 do oficial Lei Canônica da igreja Católica:

À Igreja pertence o direito, sempre e em toda a parte, de anunciar princípios morais, incluindo aqueles que se referem à ordem social, e fazer julgamentos sobre quaisquer assuntos humanos na medida em que eles são requeridos pelos direitos fundamentais da pessoa humana ou para a salvação das almas." [tradução nossa].

Não há dúvida que muitos católicos romanos, que estão cientes das ambições globais do Vaticano, as consideram aceitáveis e, talvez, até admiráveis. Em suas mentes, o controle final do mundo pela Igreja Católica Romana beneficiaria a todos. Ao adotarem essa atitude sincera, porém ingênua, eles negligenciam o longo legado de crueldades, torturas e homicídios praticados pela igreja, sua cruel perseguição a todos seus "inimigos" (isto é, qualquer um que discorde dela) e o estado policial sadista que ela manteve durante séculos em grandes partes da Europa sob o estandarte da Inquisição.

De algum modo, eles imaginam que a igreja "mudou" e entrou em um estado de esclarecimento benigno, totalmente compromissada com a pregação, em promover a paz e realizar obras de caridade. Eles não parecem reconhecer o importante papel que ela exerceu nos eventos mundiais nos últimos cem anos, normalmente por trás dos bastidores, instalando e dirigindo regimes opressores e líderes corruptos em todos os continentes. À medida que percebem a tendência subjacente, eles a imaginam como uma fase temporária, uma consequência não intencional das elevadas aspirações da igreja no longo prazo para todos os povos. Se a igreja governasse sem restrições, eles imaginam, ela estabeleceria os padrões mais elevados, um modelo que o restante do mundo poderia admirar e emular.

Bem, vejamos um exemplo recente de um país que foi governado durante certo tempo pela Igreja Católica Romana, sem virtualmente interferência externa alguma, e totalmente blindado do olhar da opinião pública — a Croácia, no período de 1941-1944.

A Matança Católica Romana na Croácia

O Estado independente da Croácia passou a existir em 10 de abril de 1941, após a invasão da Iugoslávia pelas potências do Eixo. Ele era formado não apenas pelo território original da Croácia, mas também os territórios anexados da Bósnia, Herzegovina e Eslovênia, bem como partes da Sérvia. O novel Estado foi controlado, sob supervisão nazista, pelo Movimento Ustashe, liderado pelo notório Ante Pavelic.

Pavelic foi recebido pelo papa Pio XII em uma audiência privada em Roma, em 18 de maio de 1941. Muitos historiadores consideram esse ato como o reconhecimento de fato, pela Santa Sé, do novo Estado croata. Como supremo ditador da Croácia, Pavelic teve o apoio incondicional de seus concidadãos. Virtualmente sem demora, ele colocou em operação um programa de limpeza étnica, expulsão e conversão forçada para o Catolicismo de todos os sérvios que viviam no território sob seu controle. O objetivo dele era a criação de um Estado croata inteiramente católico romano.

No início de seu programa, o território como um todo incluía 3,3 milhões de croatas católicos romanos, 2,2 milhões de sérvios ortodoxos, uma pequena população de muçulmanos e cerca de 45 mil judeus. Por volta de 1944, todos os judeus tinham sido mortos pela organização Ustashe, ou deportados para os campos de concentração nazistas, enquanto que um grande número de sérvios — homens, mulheres e crianças — foram sistematicamente assassinados. O número total é disputado, pois não existem evidências documentadas confiáveis, porém as estimativas mais rigorosas colocam o número entre 600.000 e 900.000. Um total de 750.000 é frequentemente citado.

Em 1941, Fitzroy Maclean, que fazia a ligação militar britânica com os guerrilheiros anti-Ustashe, escreveu:

Grupos da Ustashe percorriam as zonas rurais com facas, porretes e metralhadoras, matando homens, mulheres e crianças sérvios, profanando as igrejas sérvias, assassinando os sacerdotes sérvios, devastando as aldeias sérvias, torturando, estuprando, queimando e afogando. Matar tornou-se uma obsessão.

Os detalhes daquilo que um comentarista chamou de "orgias de tortura" eram frequentemente tão grotescos, tão repulsivos que são inadequados para inclusão em um ensaio deste tipo.

Quando o papa recebeu Pavelic em maio de 1941, o Vaticano já sabia que ele era um criminoso e psicopata. Ele tinha sido condenado por um tribunal francês pelo assassinato do rei iugoslavo Alexandre e do ministro francês das Relações Exteriores, Barthou, em 1934, e sentenciado à morte. Entretanto, depois que ele escapou das autoridades francesas, Mussolini lhe deu asilo na Itália, em grande parte por deferência ao Vaticano. Em seguida, usando o financiamento recebido, tanto do Vaticano quanto de Mussolini, ele construiu a pavorosa organização Ustashe.

Os próprios nazistas, que gostavam de despachar de forma eficiente suas vítimas, ficaram desconcertados pelo sadismo dos membros da Ustashe, que rotineiramente torturavam e mutilavam suas vítimas aterrorizadas, algumas vezes durante horas, antes de finalmente degolá-las. Apesar da onda de carnificina genocida lançada por Pavelic, o papa se recusou a cortar os laços diplomáticos com o regime Ustashe, e até se reuniu novamente com Pavelic em 1943.

Os bispos católicos da Croácia, chefiados pelo arcebispo Aloysius Stepinac, se reuniram em um sínodo em novembro de 1941, mas se recusaram a condenar o programa de conversão forçada de todos os sérvios ortodoxos, que estava em operação desde meados daquele ano. Eles também não rejeitaram o assassinato sistemático de todos os sérvios que recusavam a conversão. Mas, com o silêncio oficial, eles deram sua aprovação tácita às atrocidades que estavam ocorrendo e ao programa vigente de genocídio, que veio a resultar na morte de cerca de 750.000 pessoas. A maior parte do clero católico da Croácia apoiou fanaticamente Pavelic e seu regime sadista inacreditável. Virtualmente todos os bispos e clérigos sêniores deram seu endosso oral à política de Estado de conversão forçada, enquanto muitos sacerdotes e monges na realidade tiveram um papel ativo e, algumas vezes, até de liderança, na matança. Pavelic chegou a conferir medalhas aos sacerdotes e monges que agiram assim.

Cerca de doze campos de concentração foram criados pela organização Ustashe para facilitar sua campanha de genocídio. De longe, o maior deles foi Jasenovac, que, por um período de cerca de dois anos, foi administrado por um monge franciscano psicopata chamado Miroslave Filipovic. Não há dúvidas que Jasenovac está no mesmo nível que Dachau, Auschwitz e Treblinka, como um dos mais chocantes monumentos na história para a depravação e sadismo humanos. Entretanto, a maioria das pessoas hoje nunca ouviu falar de Jasenovac, principalmente por que a pressão do Vaticano para suprimir o conhecimento de sua existência tem sido muito bem-sucedida.

A Igreja Católica simplesmente não quer que o mundo saiba o que ela fez na Croácia durante o período de 1941-1944. Por exemplo, quando um respeitável historiador irlandês chamado Hubert Butler tentou, durante os anos 1960s, chamar a atenção para o papel proeminente exercido pelo clero católico e pelo Vaticano no genocídio croata, ele foi publicamente vilificado pela hierarquia católica irlandesa e acusado de ser um mentiroso.

O Vaticano Estava Bem Ciente dos Acontecimentos na Croácia

O Vaticano promoveu ativamente o nacionalismo croata, deu reconhecimento a uma Croácia independente, endossou Pavelic e seu regime e aprovou a interpretação croata da história dos Bálcãs. Uma autoridade sênior no Secretariado de Estado do Vaticano, Giovanni Montini, acompanhava os acontecimentos na Croácia e os reportava diariamente ao papa. É uma marca da importância atribuída a essa atividade que o papa a tenha atribuído à estrela nascente Montini — que mais tarde tornou-se o papa Paulo VI. Com tantos clérigos católicos na Croácia, não há dúvida que Montini sabia exatamente o que está acontecendo ali. De acordo com o historiador inglês John Cornwell, Pio XII estava melhor informado da situação na Croácia do que sobre qualquer outra área na Europa (exceto a Itália). Seu legado apostólico, Ramiro Marcone, ida de Zagreb a Roma sempre que desejasse. Além disso, os bispos croatas, alguns dos quais ocupavam assento no Parlamento Croata, se comunicavam livremente com o Vaticano e continuaram a fazer visitas regulares ao papa em Roma.

Depois da guerra, o papa ofereceu refúgio a Pavelic em Roma e até permitiu que ele escapasse para a América do Sul. Ele também elevou Stepinac ao posto de cardeal em 1952, embora ele tivesse sido condenado em um tribunal de justiça por cumplicidade em crimes de guerra sérios. Inacreditavelmente, Stepinac foi beatificado por outro papa — João Paulo II, em 1993. Assim, um homem que exerceu um papel na tortura e matança de centenas de milhares de homens, mulheres e crianças é considerado "santificado" pelo Vaticano.

Em sua análise da ação realizada pelo papa Pio XII durante este período, Cornwell resumiu o horror como segue:

Um ato de 'limpeza étnica' antes que esse termo repugnante entrasse em voga, aquilo foi uma tentativa de criar uma Croácia católica 'pura' por meio da conversão forçada, deportações e extermínio. Tão pavorosos eram os atos de tortura e assassinato que até os soldados embrutecidos das tropas alemãs registraram seu horror. Até por comparação com o recente derramamento de sangue na Iugoslávia [durante os anos 1990]... a carnificina empreendida por Pavelic contra os sérvios ortodoxos permanece como um dos mais chocantes massacres de civis conhecidos na história.

A situação na Croácia durante o período de 1941 a 1944 era a de uma parceria aberta entre igreja e estado, o tipo de relacionamento mais apreciado pela Igreja Católica em sua longa e sanguinária história. Avro Manhattan, um ex-apresentador da BBC, que era também um especialista na política do Vaticano, captou perfeitamente a amedrontadora realidade que estava por trás disso quando escreveu:

A singularidade do Estado Católico Independente da Croácia está precisamente nisto: que ele forneceu um modelo, em miniatura, do que a Igreja Católica Romana, tivesse ela o poder, gostaria de ver no Ocidente e, de fato em toda a parte." [The Vatican’s Holocaust (O Holocausto do Vaticano), 1986]

O Desdém Continuado de Roma pelo Verdadeiro Cristianismo

Se você acha difícil compreender como o clero católico romano na Croácia pôde participar de um programa de sadismo genocida, ou como o desprezo pelos sérvios ortodoxos pôde ser tão intenso que eles não sentiam repugnância moral ao perpetrarem atos da máxima barbaridade, então considere o documento mostrado no Apêndice. Ele detalha a confissão que os jesuítas exigiam de todos os húngaros que se convertiam do protestantismo no início do século 19. O mesmo espírito tenebroso que inspirou aquele documento desprezível estava por trás do sadismo visto na Croácia, e está vivo no coração da Igreja Católica.

O Modelo Mais Recente do Vaticano para o Controle Global

Examinaremos agora o mais recente documento de política estratégica lançado por um centro de estudos do Vaticano, em que as ambições globais da Igreja Católica Romana são bem evidentes. Ao examinarmos esse documento, tenha em mente que sua linguagem burocrática e pouco eloquente, esconde uma agenda fascista completa. Não vamos encontrar o tipo de linguagem rancorosa e inflamada de Minha Luta, de Adolf Hitler, mas, ao contrário, o jargão calmo e comedido de um documento acadêmico, misturado aqui e ali com platitudes altruísticas.

Inicialmente, o documento apresenta sua filosofia ampla usando termos bastante inócuos, por exemplo:

  • "... moldar uma nova visão para o futuro..."
  • "... uma eficiente alocação dos recursos disponíveis..."
  • "... abraçando a lógica do bem comum global..."
  • "... um novo humanismo aberto à transcendência..."

Apesar de suas naturezas nebulosas, essas frases estão carregadas de significado. Por exemplo, a Bíblia já apresenta uma visão para o futuro, então por que o Vaticano está defendendo uma nova? A alocação eficiente dos recursos disponíveis, que o documento também destaca, é uma preocupação fundamental do Marxismo. Observe, em particular, a frase "um novo humanismo". Este é um termo notável para um documento chamado de cristão utilizar, pois o Humanismo é uma filosofia patentemente anticristã. Os três Manifestos Humanistas, de 1933, 1973 e 2003 são virulentamente ateístas tanto em entonação quanto em conteúdo e são radicalmente contrários à aplicação dos valores bíblicos em qualquer aspecto da vida.

Um Governo Mundial

Nosso próximo excerto confirma que há muito tempo o Vaticano busca a criação de uma autoridade política mundial, ou um governo mundial:

Na profética Carta encíclica Pacem in terris, de 1963, ele [o papa João 23] previa que o mundo se ia encaminhando rumo a uma unificação cada vez maior. Portanto, reconhecia o facto de que, na comunidade humana, faltava uma correspondência entre a organização política, 'no plano mundial, e as exigências objectivas do bem comum universal'. Por conseguinte, desejava que um dia se pudesse criar 'uma Autoridade pública mundial'.

Isto prevê e dá as boas-vindas a uma maior unificação mundial, em que os Estados independentes cederão sua soberania a uma autoridade central. O Marxismo tem exatamente o mesmo objetivo. Depois que isto for implementado, toda a autonomia local, regional e nacional desaparecerá e os sete bilhões de habitantes deste planeta ficarão sob o controle completo de uma autoridade central com plenos poderes.

Essa autoridade não será mais "democrática" do que a União Europeia ou a Organização das Nações Unidas (ONU), ambas as quais são controladas, sem que ninguém veja, pela elite ultra-rica que governa este mundo, embora com muitas rivalidades mútuas e dissensões internas. Essas instituições continuarão a ter um verniz de democracia, pois as condições globais prevalecentes requerem que esse tipo de fachada seja mantida por enquanto, mas uma "verdadeira autoridade política mundial" poderia dispensar qualquer aparência de democracia. A Igreja Católica Romana nunca foi democrática de qualquer maneira ou forma, de modo que o aparecimento de uma autoridade global antidemocrática e com plenos poderes seria totalmente consistente com sua filosofia política.

O documento faz então o seguinte comentário:

A Autoridade mundial deveria, por conseguinte, abranger coerentemente todos os povos, numa colaboração na qual eles são chamados a contribuir com o patrimônio das suas virtudes e civilizações.

A proposta "colaboração de todos os povos" durante a criação desse governo mundial utópico tem o objetivo de transmitir a impressão que ele aparecerá somente por meio da operação dos princípios democráticos e do consentimento esclarecido. Que isto não ocorrerá na prática é deixado bem claro pelas etapas subsequentes na estratégia do Vaticano. Por exemplo, o documento depois diz que:

A constituição de uma Autoridade política mundial não pode ser alcançada sem a prévia prática do multilateralismo, não só a nível diplomático, mas também e sobretudo no âmbito dos planos para o desenvolvimento sustentável e para a paz. Não se pode chegar a um Governo mundial a não ser dando expressão política a preexistentes interdependências e cooperações.

Somente patrocinando uma interdependência cada vez maior entre as instituições nacionais e internacionais, bem como a promoção de complexos programas pan-nacionais que contornem os controles locais, poderá a nova entidade proposta, que envolverá o mundo todo, ser trazida à existência. Em outras palavras, ela será imposta de forma incremental e gradual, por meio da expansão das instituições e dos programas internacionais existentes. Como nem uma dessas instituições foi desenvolvida de forma democrática, mas elas foram criadas e moldadas por determinação de poderosos interesses investidos, o emergente sistema do governo mundial será criado e implementado de modo muito similar. Quaisquer que sejam as consultas públicas realizadas, elas serão puramente cosméticas. Portanto, se os sete bilhões de habitantes deste mundo retêm ou não seu consentimento ou expressam objeções, isto será totalmente irrelevante. Eles gradualmente perderão qualquer autonomia e independência que usufruem hoje e serão obrigados a se submeterem a uma autoridade global com plenos poderes.

Dado o modo como os regimes ditatoriais operaram no passado, o caminho para o governo mundial provavelmente será muito reduzido pela criação deliberada de crises globais e internacionais, como o colapso do sistema financeiro internacional e uma grande guerra no Oriente Médio, de modo a suavizar a resistência popular e convencer as massas que o "antigo" sistema não é mais funcional.

Como parte deste processo, o documento do Vaticano contempla um "compromisso para criar alguma forma de gestão monetária global". Este mesmo objetivo também está sendo buscado pela elite ultra-rica, que controla o sistema bancário internacional. Trazendo o sistema existente para a beira da destruição e erradicando a riqueza da classe média, tanto na Europa quanto nos EUA, eles planejam obter amplo apoio popular para um sistema "melhor". Esse sistema melhor, uma moeda internacional controlada por um banco central mundial, corresponde àquilo que o Vaticano chama de "alguma forma de gestão monetária global". Aquilo que a elite global chama de um banco central mundial, o documento do Vaticano chama de "uma Autoridade pública com jurisdição universal". Ele também prevê a supressão das moedas nacionais independentes e sua substituição por uma moeda global:

Deveria ser dedicada uma atenção específica à reforma do sistema monetário internacional e, em particular, ao compromisso por dar vida a algumas formas de controle monetário global, aliás já implícita nos Estatutos do Fundo Monetário Internacional. É evidente que, de certa forma, isto equivale a pôr em questão os sistemas de câmbio existentes, para encontrar modos eficazes de coordenação e supervisão. Trata-se de um processo que deve incluir também os países emergentes e em vias de desenvolvimento ao definir as etapas de uma adaptação gradual dos instrumentos existentes.

A Planejada Dissolução dos Estados-Nações

Em seguida, na causa da "irmandade universal" e "bem comum universal" — termos que aparecem de forma proeminente na agenda social buscada pelos humanistas, marxistas e maçons — o documento do Vaticano passa a atacar o estado-nação:

Os Estados modernos, com o tempo, tornaram-se conjuntos estruturados, concentrando a soberania no âmbito do próprio território. Mas as condições sociais, culturais e políticas mudaram progressivamente. Cresceu a sua interdependência — de tal modo que se tornou natural pensar numa comunidade internacional integrada e regida cada vez mais por um ordenamento partilhado — mas não desapareceu uma forma inferior de nacionalismo, segundo a qual o Estado considera poder obter de modo autárquico o bem dos seus cidadãos.

O nacionalismo não desapareceu e a continuidade de sua existência no nosso mundo moderno parece "ser irreal e anacrônica". (Veja o texto completo aqui.)

Em outras palavras, a não ser que nos desfaçamos dos estados-nações e criemos uma entidade política global unificada, governada por uma autoridade suprema, a única alternativa é a guerra perpétua, "uma perene luta entre eles".

Este tipo de raciocínio é um total absurdo e contradiz os fatos da história. Por exemplo, considere as incontáveis guerras que ocorreram entre países predominantemente católicos! Ou, considere a terrível carnificina provocada pela Igreja de Roma durante a Guerra dos Trinta Anos de modo a manter a Alemanha sob seu controle. Quando se trata de fazer as coisas do seu modo, a Igreja Católica Romana nunca hesitou em recorrer à guerra, ao terror, à tortura, ou aos assassinatos em uma escala terrível. Além disso, a existência de grandes entidades soberanas nunca foi uma garantia de paz dentro das fronteiras. Veja, por exemplo, os incontáveis milhões de chineses executados durante o regime de Mao Tsé-Tung, ou os milhões de cidadãos soviéticos que foram condenados a morrer de fome, ou que foram executados durante o governo de Stalin.

O documento também argumenta que "os tempos para conceber instituições com competência universal chegam quando estão em jogo bens vitais e partilhados por toda a família humana, que os Estados individualmente não são capazes de promover e proteger sozinhos." O controle geral e poderes correspondentes devem ser entregues a instituições com "competência universal". Novamente, este é um raciocínio fraudulento e tortuoso. Não existem "bens vitais" necessários para a "família humana" que os estados-nações individuais não possam fornecer para seus cidadãos, seja por meio das empresas nacionais ou do comércio internacional.

Os autores rejeitam o sistema existente de estados soberanos como "westfaliano", uma óbvia referência à Paz de Vesftália, de 1648, com a qual a Igreja Católica teve de se resignar à existência de diversos estados europeus soberanos fora de seu controle. Ela agora quer "aproveitar a oportunidade de uma integração das respectivas soberanias para o bem comum dos povos" para derrubar os princípios fundamentados pela Paz de Vestfália e colocar todas as nações sob o controle de uma entidade política global.

Se um regime internacional deste tipo algum dia vier a existir, ele será indistinguível dos regimes fascistas do passado. Não há dúvida que a Igreja Católica Romana, com sua tremenda riqueza e o peso dos números, quererá ser membro da liderança, se não a líder máxima, da cabala da elite que exercerá o controle final. Sob essas circunstâncias, aqueles que não forem católicos podem esperar receber em algum estágio a opção "croata": converta-se, ou morra.

Angústia e Sofrimento

O documento passa então a endossar uma proposição muito perturbadora, isto é, que as mudanças previstas — a criação de um governo mundial a partir daquilo que restou dos estados-nações:

Num mundo em vias de rápida globalização, a referência a uma Autoridade mundial torna-se o único horizonte compatível com as novas realidades do nosso tempo e com as necessidades da espécie humana. Mas não se deve esquecer, contudo, que esta passagem, considerando a natureza ferida dos homens, não se realiza sem angústias e sem sofrimentos.

Incrivelmente, os autores reconhecem que, até com grande coerção e intimidação, estresse econômico imposto e intriga internacional, o resultado que eles buscam precisará necessariamente ser precedido por um período de violências e lutas generalizadas!

Depois de fazerem esta revelação alarmante, eles nada mais dizem sobre o assunto. É óbvio, a partir da magnitude do que eles estão propondo, que a "angústia e sofrimento", que eles acreditam que será inevitável, precisará envolver mortes em uma grande escala. É muito revelador sobre a mentalidade dos autores que uma implicação de tão grande seriedade seja tratada de forma superficial em um documento importante de estratégia, como se fosse um mero detalhe.

Uma Distorção Grosseira das Escrituras

Talvez a parte mais perturbadora do documento do Vaticano seja a distorção da própria Bíblia, em particular os versos 1-9 de Gênesis 11. Eis aqui o que ele diz:

A Bíblia, com a narração da Torre de Babel (Gênesis 11:1-9) adverte sobre como a 'diversidade' dos povos se possa transformar em veículo de egoísmo e instrumento de divisão. Na humanidade está muito presente o risco de que os povos acabem por já não se compreenderem e de que as diversidades culturais sejam motivo de contraposições insuperáveis. A imagem da Torre de Babel adverte-nos também que é preciso evitar uma 'unidade' só aparente, na qual não cessam egoísmos e divisões, porque os fundamentos da sociedade não são estáveis. Nos dois casos, Babel é a imagem do que os povos e os indivíduos podem tornar-se, quando não reconhecem a sua intrínseca dignidade transcendente e a sua fraternidade.

O espírito de Babel é a antítese do Espírito de Pentecostes (Atos 2:1-12), do desígnio de Deus para toda a humanidade, isto é, a unidade na diversidade. Só um espírito de concórdia, que supere divisões e conflitos, permitirá que a humanidade seja autenticamente uma única família, chegando a conceber um novo mundo com a constituição de uma Autoridade pública mundial, ao serviço do bem comum.

Qualquer um que conheça a Bíblia a partir de uma perspectiva verdadeiramente escriturística sabe que o relato do Gênesis sobre a Torre de Babel é muito diferente da interpretação distorcida dada aqui pelos autores do documento do Vaticano. Sim, Deus condenou a tentativa de Ninrode e de seus asseclas de criarem um governo mundial centralizado. Mas, Ele fez isso não por que eles deixaram de agir da forma correta. Ao contrário. Ele condenou a iniciativa por que ela era um governo mundial, um sistema centralizado de controle ao qual todas as pessoas daquele tempo tinham de se submeter. Por meio do relato no Gênesis, Deus está nos dizendo que o governo mundial é maligno e que não será tolerado.

É difícil acreditar que, quando os autores do documento do Vaticano finalmente tentam apresentar algum tipo de suporte bíblico à sua posição, que eles façam uma confusão absurda. Qualquer estudioso da Bíblia sabe que o relato da Torre de Babel no Gênesis é uma expressão da total reprovação de Deus à tentativa de Ninrode de criar um sistema de governança global!

Incrivelmente, os autores do Vaticano exibem uma ignorância ainda maior da Bíblia, a Palavra de Deus, quando tentam implicar que a tentativa original fracassou por que os participantes não compreenderam uns aos outros e que as resultantes "diversidades culturais" levaram a conflitos internos. Isto é uma total bobagem! O Senhor amaldiçoou a humanidade com uma multiplicidade de línguas de modo a estorvar qualquer tentativa por parte de um grupo da elite do poder de criar um governo mundial.

O livro do Gênesis deixa bem claro que Deus ODEIA o governo mundial. Não há dúvidas que aquilo que o Vaticano propõe é maligno, que o programa de governo mundial que ele está planejando é satânico em natureza e que levará à série de eventos catastróficos descritos no livro do Apocalipse.

Apêndice

Formulário para Renúncia ao Protestantismo, Hungria, 1823.

Início da confissão:

  1. Acreditamos e confessamos que fomos trazidos de uma fé e de caminhos heréticos para a verdadeira e salvadora fé dos católicos romanos, pelo cuidado singular do nosso elevado magistério espiritual e temporal, única e totalmente devido à diligência ativa e ajuda dos padres jesuítas, e que nós, do nosso livre arbítrio e sem coação, adotamos a mesma, e desejamos com nossas bocas tornar isto publicamente conhecido de todo o mundo.
  2. Confessamos que o papa de Roma é o chefe da Igreja e é infalível.
  3. Confessamos e acreditamos, que o papa de Roma é o vice-regente de Cristo e tem plenos poderes, segundo sua vontade, de perdoar e de reter os pecados dos homens, de lançar no inferno e de excomungar.
  4. Confessamos que tudo que o papa definiu recentemente, seja das Escrituras ou não, bem como qualquer coisa que ele tenha prescrito, é verdadeiro, piedoso e salvador e que todo homem deve considerar isto em veneração mais alta do que a lei do Deus vivo.
  5. Confessamos que o santíssimo papa deve ser honrado com todas as honras e, de fato, com a mais profunda reverência, como a que pertence ao próprio Cristo, o Senhor.
  6. Confessamos e afirmamos que o papa deve ser obedecido por todos, em todos os lugares, como o mais santo Padre; desse modo, todo herético que vive em oposição às instituições do papa, deve ser, sem qualquer exceção e sem qualquer misericórdia, lançado não somente longe da vista de todos pelo fogo, mas corpo e alma no inferno.
  7. Confessamos que a leitura da Sagrada Escritura é a origem de todas as facções e seitas, e também uma fonte de blasfêmias.
  8. Confessamos que invocar os santos falecidos, venerar suas imagens sagradas, ajoelhar-se diante delas, realizar procissões para elas, adorná-las, acender vela diantes delas, são atos piedosos, sagrados, úteis e benéficos.
  9. Confessamos que cada sacerdote é muito maior do que Maria, a própria Mãe de Deus, pois ela trouxe Cristo o Senhor ao mundo somente uma vez, e não o traz mais; porém um sacerdote romano não somente oferece e cria Cristo o Senhor, quando quiser, mas também sempre, mesmo após tê-lo criado, ele o engole inteiro, quando desejar.
  10. Confessamos que rezar missas para os mortos, distribuir e solicitar esmolas e donativos é útil e benéfico.
  11. Confessamos que o papa de Roma tem o poder de alterar as Escrituras e, segundo sua vontade, pode fazer acréscimos e remoções delas.
  12. Confessamos que as almas após a morte são purificadas pelo fogo do Purgatório — e que o oferecimento de missas pelos sacerdotes é a única esperança delas para libertação.
  13. Confessamos que o uso da Eucaristia com um só elemento é bom e seguro, mas com ambos os elementos é herético e traz condenação.
  14. Confessamos e acreditamos, que qualquer um que receber a Eucaristia com um só elemento recebe o Cristo todo, tanto corpo e sangue, com sua Divindade e ossos — mas qualquer um que o receba com ambos os elementos, come apenas pão.
  15. Acreditamos que existem sete verdadeiros e genuínos sacramentos.
  16. Confessamos que Deus tem prazer nas imagens e é conhecido pelos homens por meio da intervenção delas.
  17. Confessamos que a Santa Virgem Maria, deve ser considerada, tanto pelos anjos quanto pelos homens, como maior do que Cristo, o próprio Filho de Deus.
  18. Confessamos que a Santa Virgem Maria é a Rainha dos Céus, e reina junto com o Filho — e que, segundo a vontade dela, o Filho precisa fazer todas as coisas.
  19. Confessamos que os ossos dos santos possuem grande virtude e, por causa disso, devem ser reverenciados pelos homens e capelas devem ser construídas para eles.
  20. Confessamos que a fé católica romana é infalível, divina, salvadora, antiga e verdadeira, mas que a fé protestante (que nós renunciamos de todo o coração) é falsa, errônea, blasfema, execrável, herética, perniciosa, sediciosa, ímpia; enquanto que, por outro lado, a religião romana é completa e perfeita em todas as interpretações, sob uma única forma, boa e íntegra. Portanto, execramos todas as outras religiões que os litigiosos e ímpios hereges professam de duas formas [luteranos e calvinistas — editor]. Execramos nossos pais, que nos criaram nessa fé herética, execramos também qualquer um que fez a fé católica romana parecer duvidosa ou suspeita para nós. Da mesma forma, também a Comunhão que ofereceu para nós o cálice execrável. Sim, execramos a nós mesmo e declaramos nós mesmos execráveis, por termos sido participantes daquele cálice herético execrável, do qual não deveríamos ter experimentado.
  21. Confessamos que a Sagrada Escritura é uma carta imperfeita e morta enquanto não for interpretada pelo papa de Roma e que sua leitura seja permitida a todo leigo.
  22. Confessamos que uma missa rezada por um sacerdote romano é muito mais benéfica para a alma do que uma centena de sermões dos protestantes. Portanto, execramos todos os livros deles em que essas doutrinas heréticas e blasfemas estão contidas. Execramos todas as boas obras realizadas por nós enquanto vivíamos naquela fé herética, pois elas não nos darão benefício algum diante de Deus no juízo final.
  23. Tudo isto fazemos de mente sincera e sadia, declarando por uma retratação pública dessa fé herética, na presença de ________, que a Igreja de Roma nos artigos acima mencionados, e em todos os outros, é verdadeira. Além disso, também juramos que, enquanto tivermos sangue em nossas veias, perseguiremos a execrável fé protestante, privadamente e em público, por meio de violência, por meio da fraude, por palavras e por obras, e até pela espada. Finalmente, juramos diante de Deus e dos anjos que nunca, nem por medo ou em troca de favores, renunciaremos a esta nossa mudança, e que nunca mais deixaremos a salvadora e santa Igreja Católica Romana para seguir as doutrinas heréticas e execráveis dos protestantes.

Fim da Confissão.

Fonte: The Christian Examiner and Church of Ireland Magazine, No. XXXVI, junho de 1828, Volume VI, a partir da seção intitulada 'Foreign Religious Intelligence', págs. 454-456.