16/09/2017

Um Passo Rumo ao Governo e Religião Mundiais

Por Jeremy James, Portal Zephaniah.
Publicado em 25/7/2015 no Portal Espada do Espírito

Os observadores do Vaticano sabem há algum tempo que Roma está trabalhando para expandir substancialmente seu controle sobre os eventos mundiais e estabelecer um domínio global, seja de forma irrestrita, ou em parceria com outras forças que participam no jogo do poder intercontinental. Até agora, seus objetivos e ambições foram estruturados em termos vagos e linguagem típica do Vaticano. Entretanto, para o católico romano mediano, a filosofia social e política do Vaticano parece ser simplesmente uma mistura curiosa de aspirações benevolentes e uma teologia não bem definida, sem implicações tangíveis para o mundo real. Em grande parte ele não vê sua igreja como uma grande participante no jogo de poder global, ou uma ameaça potencial para a democracia e para as liberdades. Afinal, quem pode questionar as constantes referências à necessidade de promover o "bem comum" e um mundo melhor para todos?

Muitos livros excelentes lidam com as verdadeiras ambições globais da Igreja Católica Romana e, mais especificamente, a elite poderosa que a está usando para seus próprios propósitos. Alguns desses autores também destacam os princípios patentemente marxistas que fundamentam sua agenda sócio-econômica. Por exemplo, Ecclesiastical Megalomania (Megalomania Eclesiástica, 1999), de John Robbins, é leitura essencial para qualquer católico romano que esteja verdadeiramente preocupado com a direção perturbadora que sua igreja está seguindo.

O Pano de Fundo para o Domínio Mundial

Há muito tempo que a Igreja Católica Romana reivindica o direito de governar o mundo. Por exemplo, já em 1493, o papa Alexandre VI decretou que o mundo deveria ser dividido em duas zonas, uma dominada pela Espanha e a outra por Portugal. Milhões de pessoas inocentes foram mortas ou escravizadas logo após esse decreto. Por meio das tortuosas e enganosas maquinações da Ordem dos Jesuítas, a Igreja Católica Romana envolveu-se em intrigas de incontáveis formas para desestabilizar os países soberanos e derrubar governos legítimos. Os jesuítas organizaram a Contra-Reforma, com o objetivo de destruir todos os vestígios do Cristianismo bíblico verdadeiro na Europa. Isto levou à Guerra dos Trinta Anos, em que a Alemanha foi devastada e milhões de civis inocentes foram mortos com grande selvageria e crueldade.

Apesar disto, por meio de intervenção providencial em estágios cruciais, a Reforma Protestante conseguiu sobreviver e a guerra terminou com a Paz de Vestfália, em 1648. Embora esteja grandemente esquecida no nosso mundo moderno, a Paz de Vestfália assumiu um novo significado com a publicação, em 24 de outubro de 2011, de um documento oficial do Vaticano intitulado "Para uma Reforma do Sistema Financeiro e Monetário Internacional na Perspectiva de uma Autoridade Pública de Competência Universal", que discutiremos em breve.

Reconhecendo o princípio dos Estados soberanos e independentes, a Paz de Vestfália permitiu que o protestantismo continuasse sem ser molestado em partes selecionadas da Europa. Não há dúvidas que Roma desdenha esse resultado e que há muito tempo procura revertê-lo. Neste sentido, a Contra-Reforma nunca terminou e continua até hoje, porém de uma forma muito disfarçada. Entretanto, o objetivo ainda é o mesmo, isto é, destruir o Cristianismo bíblico e substitui-lo em todo o mundo por uma versão corrupta, criada pelo homem, fabricada pelo grupo de elite de famílias que controlam Roma há muitas gerações.

As Famílias do Papado

Ao longo de um período de aproximadamente 600 anos, o papa era selecionado a partir de apenas onze famílias — Orsini, Bórgia, Piccolomini, De Médici, Colonna, Farnese, Caetani, Borghese, Barberini, Aldobrandi e Sforza. As quatro primeiras ocuparam o papado por não menos que nove ocasiões. O historiador George L Williams fez uma excelente trabalho em estabelecer o papel dominante que a genealogia e a sucessão dinástica exerceram em decidir o papado. Em Papal Genealogy: The Families and Descendants of the Popes (Genealogia Papal: As Famílias e Descendentes dos Papas, 1997), ele faz as seguintes e instrutivas observações [pág. 160]:

As famílias dos príncipes papais tinham a tendência de fazer seus filhos se casarem com filhas de outras famílias com títulos papais, e os casamentos entre os membros dessas famílias ainda estão ocorrendo no século 20. Durante os períodos do Renascimento e do Barroco, os papas fizeram suas famílias prosperar presenteando-as oficialmente com territórios, títulos e emolumentos, porém seus descendentes frequentemente se casavam com membros de antigas famílias papais, como os Colonna, Orsini, Sforza-Conti-Cesarini (herdeiro dos Conti) e Caetani. Mas, desde o século 17, as famílias dos papas do período Barroco (isto é, os Boncompagni, Ludovisi, Chigi, Albani, Altieri, Borghese, Aldobrandini, Ottoboni, Barberini, Pamphili, Rospigliosi, Odescalchi e Corsini) estão mais inclinadas a fazer seus filhos se casarem com filhas umas das outras...

Grande parte do mesmo sistema de apadrinhamento e nepotismo operava em outras poderosas cidades-estado italianas. Por exemplo, Veneza foi uma das entidades políticas mais influentes no mundo durante vários séculos. Entretanto, a classe governante naquela grande cidade-estado era constituída por apenas um pequeno grupo de famílias. Cada família tinha sua vez de ocupar o topo, em uma forma de rodízio — ocupando o cargo vitalício de doge — ao mesmo tempo que continuava a garantir que a maior parte das políticas seguidas fossem de benefício para o grupo como um todo. O sucesso dessa estratégia é confirmado pela longevidade desse pequeno estado. Em uma época em que impérios formidáveis ascenderam e caíram, ele sobreviveu e prosperou, desde aproximadamente o ano 700 até 1798, quando foi finalmente vencido por Napoleão.

No período de 1190-1730, Veneza teve um total de 73 doges, dos quais 36 vieram de apenas nove famílias — Contarini, Mocenigo, Dandolo, Cornaro, Gradenigo, Priuli, Morosini, Donato e Venier. Sempre era do interesse dessas famílias influentes, bem como daquelas com as quais elas se aparentavam via casamentos, apoiar e defender o sistema. Nem uma família dominava, porém a elite governante mantinha todas as demais famílias influentes em xeque. Elas podiam ser cruéis no tratamento que dispensavam aos estranhos, confiantes por saberem que os mesmos métodos não seriam usados contra elas mesmas. A cidade de Gênova usava um sistema similar, porém era menos eficaz, pois um número menor de famílias recebia a permissão de dominar. Por exemplo, no período de 1339-1527, o cargo de doge, que mudou 42 vezes, foi ocupado em não menos que 29 ocasiões por apenas duas famílias: os Adorno e os Fregoso.

Os venezianos também usaram outra técnica vital para consolidar seu poder — uma rede ampla de espiões e informantes. Esses agentes estavam baseados nas cortes das principais cidades italianas, bem como em cidades-chaves em toda a Europa. Os dados de inteligência coletados por meio dessa rede permitia que os venezianos explorassem as oportunidades comerciais e militares, contemporizassem seus inimigos e, por meio da intriga e da desinformação, colocassem um reino contra outro. O mesmo sistema foi adotado e aplicado pela Ordem dos Jesuítas logo após sua fundação, em 1540, e passou por muitos aprimoramentos desde então.

As Famílias da Elite Governam

A sucessão dinástica e os casamentos planejados entre as famílias influentes da elite, ao longo de vários séculos, garantiram que a Europa e os EUA sejam controlados hoje por um grupo muito pequeno de pessoas. A maior parte do 1% que possui 40% da riqueza está nessa categoria. Todos eles compartilham uma coisa em comum — uma profunda e enraizada aversão ao Cristianismo. Não a variedade falsificada ensinada por Roma — que continua a exercer um controle supersticioso sobre centenas de milhões de pessoas inocentes — mas a versão fundamentada unicamente na Palavra de Deus. Os cristãos verdadeiros olham somente para o Deus Vivo, enquanto que os cristãos falsos invariavelmente olham para outra parte — para o papa, para o clero, para a virgem Maria, os santos, os sacramentos e o bem comum.

Roma tem trabalhado consistentemente para a criação de um império global. Nesse sentido, a Igreja Católica é o veículo principal por meio do qual esse grupo de famílias de elite tem feito avançar sua causa. Por meio dela, eles controlam e exploram as massas em todos os cinco continentes, fazendo com que deixem de adorar e de orar ao Deus Vivo e Verdadeiro — o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Eles também trabalham por trás dos bastidores, por meio das estruturas da Igreja Católica Romana, e de outras formas, para derrubar o sistema de Estados soberanos que foi reconhecido pela Paz de Vestfália.

Muito mais poderia ser dito aqui sobre o controle que essas famílias exercem sobre o sistema bancário internacional, que, em grande parte, é uma criação delas, e do sistema das sociedades secretas que elas e seus aliados usam há muito tempo para influenciar e controlar os Estados independentes — a Ordem dos Jesuítas, os Cavaleiros de Malta, a Maçonaria, os Cavaleiros de Colombo, a Sociedade Rosa-Cruz, a Sociedade Teosófica, etc. — mas este não é o foco principal deste ensaio. Se você precisar de mais informações sobre esses aspectos, consulte outros de nossos artigos.

Encíclicas Papais e um Governo Mundial

A estrutura política preferida pela Igreja Católica Romana é o fascismo. Sempre que esteve em ascendência em qualquer país, ela caminhou nessa direção — por exemplo, na Espanha durante o regime de Francisco Franco, em Portugal durante o regime de Salazar, na Itália durante o governo de Mussolini, na Croácia durante o tempo de Pavelic, no Paraguai durante o regime de Stroessner, no Chile durante o regime Pinochet, na Argentina durante o governo Videla, e nas Filipinas durante o governo Marcos. Muitos outros exemplos poderiam ser apresentados, em que uma elite poderosa, endossada de forma não oficial pela Igreja Católica Romana, utiliza a força militar para exercer o controle completo sobre um país e, rotineiramente, sequestra, tortura e mata qualquer um que se atreva a fazer oposição. A mentalidade que está por trás disso baseia-se na crença que o fim justifica os meios, que a Igreja tem a autoridade moral para governar sem restrições e que as dificuldades iniciais serão solucionadas no tempo devido, à medida que a população de submeter à vontade suprema de uma autoridade centralizada supostamente beneficente.

A mesma mentalidade tem sido evidente nos pronunciamentos do Vaticano há décadas. Por exemplo, na encíclica Populorum Progressio (1967), o papa Paulo VI escreveu:

22. 'Enchei a Terra e dominai-a': logo desde a sua primeira página, a Bíblia ensina-nos que toda a criação é para o Homem, sob a condição de ele aplicar o seu esforço inteligente no seu aproveitamento, e de, pelo seu trabalho, por assim dizer a completar para o seu próprio serviço. Se a Terra é feita para fornecer a cada um os seus meios de subsistência e os seus instrumentos de progresso, todo o homem tem, portanto, o direito de nela encontrar o que lhe é necessário. 0 recente Concílio lembrou-o: 'Deus destinou a Terra e tudo o que ela contém ao uso de todos os homens e de todos os povos, de modo que os bens da criação devem equitativamente afluir às mãos de todos, segundo a regra da justiça, inseparável da caridade'. Todos os outros direitos, quaisquer que sejam, incluindo os de propriedade e de comércio livre, estão-lhe subordinados: não devem portanto impedir, mas, pelo contrário, facilitar a sua realização; e é um dever social grave e urgente reconduzi-los à sua finalidade primacial.

Observe a máxima totalitária: "Todos os outros direitos, quaisquer que sejam... estão-lhe subordinados." Como esses direitos incluem a liberdade de expressão, a liberdade religiosa, a liberdade de se reunir, etc., o Vaticano claramente vê um futuro, sobre seu próprio controle, em que todos os homens, em toda a parte serão compelidos a fazer o que forem instruídos a fazer, para o bem comum. O próprio Vaticano decidirá o que deve ser contado como "o bem comum" e prescreverá penas adequadas para aqueles que deixarem de obedecer.

Diversas outras encíclicas do século passado condenaram aquilo que o Vaticano descreve como "individualismo", "livre concorrência" e "propriedade privada". Por exemplo, em Sollicitudo Rei Socialis (1987), o papa João Paulo II declarou que a propriedade privada, na verdade, está sob uma "hipoteca social", o que significa que ela tem uma função intrinsecamente social, baseada e justificada principalmente pelo princípio do destino universal dos bens.

No que se refere ao Vaticano, a propriedade privada tem uma justificativa moral somente quando existe dentro de uma estrutura que garanta "o destino universal dos produtos". Por "destino", entenda "distribuição", pois é assim que a "hipoteca social" deve funcionar na prática. Em resumo, se a autoridade central decidir que certos produtos são necessários por outro grupo, eles serão redistribuídos de acordo com o bem maior. O fato de esses produtos pertencerem a outra pessoa é irrelevante. A "função social" deles exige isto. Assim, o Vaticano rejeita o princípio da propriedade privada.

Isto é indistinguível do Marxismo (ou Comunismo), e, como o Marxismo baseia-se na crença que, para funcionar eficazmente, ele precisa ser implementado em escala global. Isto também requer um sistema rigidamente centralizado de administração da economia:

Cabe aos poderes públicos escolher, e mesmo impor, os objetivos a prosseguir, os fins a alcançar e os meios para os atingir; e também lhes compete estimular todas as forças agrupadas nesta ação comum." — papa Paulo VI, Populorum Progressio, 1967.

Qualquer pessoa racional deve considerar essa perspectiva muito perturbadora. Além disso, devemos estar preocupados que mais de um bilhão da católicos romanos estejam, em grande parte, alheios ao que seus líderes estão planejando. Lembre-se que se o Vaticano tiver as coisas da forma como quer, seu sistema rígido de controle social não se aplicará somente aos fiéis católicos, mas a todos no mundo inteiro, tanto "fiéis quanto infiéis".

Um Império Mundial Papal

Como já observamos, o papado há muito tempo reivindica ser o governante legítimo deste mundo. Já em 1250, o papa Inocêncio IV escreveu que o papa, sendo o vigário de Cristo, tem o poder não somente sobre os cristãos, mas também sobre os infiéis, pois Cristo tem poder sobre todos... todos os homens, fiéis e infiéis, são ovelhas de Cristo por criação... o papa tem jurisdição e poder sobre todos de jure, embora não de facto. — de The Crisis of Church and State, 1050-1300, de Brian Tierney, 1964.

Trabalhando furtivamente por trás dos bastidores, o Vaticano está agora planejando transformar esta suposta jurisdição e poder sobre todos os homens, a partir de um direito puramente legal, para uma realidade global. Para que o leitor não seja tentado a rejeitar isto como um ideal antiquado, aqui está como isto foi declarado na revisão de 1983 do oficial Lei Canônica da igreja Católica:

À Igreja pertence o direito, sempre e em toda a parte, de anunciar princípios morais, incluindo aqueles que se referem à ordem social, e fazer julgamentos sobre quaisquer assuntos humanos na medida em que eles são requeridos pelos direitos fundamentais da pessoa humana ou para a salvação das almas." [tradução nossa].

Não há dúvida que muitos católicos romanos, que estão cientes das ambições globais do Vaticano, as consideram aceitáveis e, talvez, até admiráveis. Em suas mentes, o controle final do mundo pela Igreja Católica Romana beneficiaria a todos. Ao adotarem essa atitude sincera, porém ingênua, eles negligenciam o longo legado de crueldades, torturas e homicídios praticados pela igreja, sua cruel perseguição a todos seus "inimigos" (isto é, qualquer um que discorde dela) e o estado policial sadista que ela manteve durante séculos em grandes partes da Europa sob o estandarte da Inquisição.

De algum modo, eles imaginam que a igreja "mudou" e entrou em um estado de esclarecimento benigno, totalmente compromissada com a pregação, em promover a paz e realizar obras de caridade. Eles não parecem reconhecer o importante papel que ela exerceu nos eventos mundiais nos últimos cem anos, normalmente por trás dos bastidores, instalando e dirigindo regimes opressores e líderes corruptos em todos os continentes. À medida que percebem a tendência subjacente, eles a imaginam como uma fase temporária, uma consequência não intencional das elevadas aspirações da igreja no longo prazo para todos os povos. Se a igreja governasse sem restrições, eles imaginam, ela estabeleceria os padrões mais elevados, um modelo que o restante do mundo poderia admirar e emular.

Bem, vejamos um exemplo recente de um país que foi governado durante certo tempo pela Igreja Católica Romana, sem virtualmente interferência externa alguma, e totalmente blindado do olhar da opinião pública — a Croácia, no período de 1941-1944.

A Matança Católica Romana na Croácia

O Estado independente da Croácia passou a existir em 10 de abril de 1941, após a invasão da Iugoslávia pelas potências do Eixo. Ele era formado não apenas pelo território original da Croácia, mas também os territórios anexados da Bósnia, Herzegovina e Eslovênia, bem como partes da Sérvia. O novel Estado foi controlado, sob supervisão nazista, pelo Movimento Ustashe, liderado pelo notório Ante Pavelic.

Pavelic foi recebido pelo papa Pio XII em uma audiência privada em Roma, em 18 de maio de 1941. Muitos historiadores consideram esse ato como o reconhecimento de fato, pela Santa Sé, do novo Estado croata. Como supremo ditador da Croácia, Pavelic teve o apoio incondicional de seus concidadãos. Virtualmente sem demora, ele colocou em operação um programa de limpeza étnica, expulsão e conversão forçada para o Catolicismo de todos os sérvios que viviam no território sob seu controle. O objetivo dele era a criação de um Estado croata inteiramente católico romano.

No início de seu programa, o território como um todo incluía 3,3 milhões de croatas católicos romanos, 2,2 milhões de sérvios ortodoxos, uma pequena população de muçulmanos e cerca de 45 mil judeus. Por volta de 1944, todos os judeus tinham sido mortos pela organização Ustashe, ou deportados para os campos de concentração nazistas, enquanto que um grande número de sérvios — homens, mulheres e crianças — foram sistematicamente assassinados. O número total é disputado, pois não existem evidências documentadas confiáveis, porém as estimativas mais rigorosas colocam o número entre 600.000 e 900.000. Um total de 750.000 é frequentemente citado.

Em 1941, Fitzroy Maclean, que fazia a ligação militar britânica com os guerrilheiros anti-Ustashe, escreveu:

Grupos da Ustashe percorriam as zonas rurais com facas, porretes e metralhadoras, matando homens, mulheres e crianças sérvios, profanando as igrejas sérvias, assassinando os sacerdotes sérvios, devastando as aldeias sérvias, torturando, estuprando, queimando e afogando. Matar tornou-se uma obsessão.

Os detalhes daquilo que um comentarista chamou de "orgias de tortura" eram frequentemente tão grotescos, tão repulsivos que são inadequados para inclusão em um ensaio deste tipo.

Quando o papa recebeu Pavelic em maio de 1941, o Vaticano já sabia que ele era um criminoso e psicopata. Ele tinha sido condenado por um tribunal francês pelo assassinato do rei iugoslavo Alexandre e do ministro francês das Relações Exteriores, Barthou, em 1934, e sentenciado à morte. Entretanto, depois que ele escapou das autoridades francesas, Mussolini lhe deu asilo na Itália, em grande parte por deferência ao Vaticano. Em seguida, usando o financiamento recebido, tanto do Vaticano quanto de Mussolini, ele construiu a pavorosa organização Ustashe.

Os próprios nazistas, que gostavam de despachar de forma eficiente suas vítimas, ficaram desconcertados pelo sadismo dos membros da Ustashe, que rotineiramente torturavam e mutilavam suas vítimas aterrorizadas, algumas vezes durante horas, antes de finalmente degolá-las. Apesar da onda de carnificina genocida lançada por Pavelic, o papa se recusou a cortar os laços diplomáticos com o regime Ustashe, e até se reuniu novamente com Pavelic em 1943.

Os bispos católicos da Croácia, chefiados pelo arcebispo Aloysius Stepinac, se reuniram em um sínodo em novembro de 1941, mas se recusaram a condenar o programa de conversão forçada de todos os sérvios ortodoxos, que estava em operação desde meados daquele ano. Eles também não rejeitaram o assassinato sistemático de todos os sérvios que recusavam a conversão. Mas, com o silêncio oficial, eles deram sua aprovação tácita às atrocidades que estavam ocorrendo e ao programa vigente de genocídio, que veio a resultar na morte de cerca de 750.000 pessoas. A maior parte do clero católico da Croácia apoiou fanaticamente Pavelic e seu regime sadista inacreditável. Virtualmente todos os bispos e clérigos sêniores deram seu endosso oral à política de Estado de conversão forçada, enquanto muitos sacerdotes e monges na realidade tiveram um papel ativo e, algumas vezes, até de liderança, na matança. Pavelic chegou a conferir medalhas aos sacerdotes e monges que agiram assim.

Cerca de doze campos de concentração foram criados pela organização Ustashe para facilitar sua campanha de genocídio. De longe, o maior deles foi Jasenovac, que, por um período de cerca de dois anos, foi administrado por um monge franciscano psicopata chamado Miroslave Filipovic. Não há dúvidas que Jasenovac está no mesmo nível que Dachau, Auschwitz e Treblinka, como um dos mais chocantes monumentos na história para a depravação e sadismo humanos. Entretanto, a maioria das pessoas hoje nunca ouviu falar de Jasenovac, principalmente por que a pressão do Vaticano para suprimir o conhecimento de sua existência tem sido muito bem-sucedida.

A Igreja Católica simplesmente não quer que o mundo saiba o que ela fez na Croácia durante o período de 1941-1944. Por exemplo, quando um respeitável historiador irlandês chamado Hubert Butler tentou, durante os anos 1960s, chamar a atenção para o papel proeminente exercido pelo clero católico e pelo Vaticano no genocídio croata, ele foi publicamente vilificado pela hierarquia católica irlandesa e acusado de ser um mentiroso.

O Vaticano Estava Bem Ciente dos Acontecimentos na Croácia

O Vaticano promoveu ativamente o nacionalismo croata, deu reconhecimento a uma Croácia independente, endossou Pavelic e seu regime e aprovou a interpretação croata da história dos Bálcãs. Uma autoridade sênior no Secretariado de Estado do Vaticano, Giovanni Montini, acompanhava os acontecimentos na Croácia e os reportava diariamente ao papa. É uma marca da importância atribuída a essa atividade que o papa a tenha atribuído à estrela nascente Montini — que mais tarde tornou-se o papa Paulo VI. Com tantos clérigos católicos na Croácia, não há dúvida que Montini sabia exatamente o que está acontecendo ali. De acordo com o historiador inglês John Cornwell, Pio XII estava melhor informado da situação na Croácia do que sobre qualquer outra área na Europa (exceto a Itália). Seu legado apostólico, Ramiro Marcone, ida de Zagreb a Roma sempre que desejasse. Além disso, os bispos croatas, alguns dos quais ocupavam assento no Parlamento Croata, se comunicavam livremente com o Vaticano e continuaram a fazer visitas regulares ao papa em Roma.

Depois da guerra, o papa ofereceu refúgio a Pavelic em Roma e até permitiu que ele escapasse para a América do Sul. Ele também elevou Stepinac ao posto de cardeal em 1952, embora ele tivesse sido condenado em um tribunal de justiça por cumplicidade em crimes de guerra sérios. Inacreditavelmente, Stepinac foi beatificado por outro papa — João Paulo II, em 1993. Assim, um homem que exerceu um papel na tortura e matança de centenas de milhares de homens, mulheres e crianças é considerado "santificado" pelo Vaticano.

Em sua análise da ação realizada pelo papa Pio XII durante este período, Cornwell resumiu o horror como segue:

Um ato de 'limpeza étnica' antes que esse termo repugnante entrasse em voga, aquilo foi uma tentativa de criar uma Croácia católica 'pura' por meio da conversão forçada, deportações e extermínio. Tão pavorosos eram os atos de tortura e assassinato que até os soldados embrutecidos das tropas alemãs registraram seu horror. Até por comparação com o recente derramamento de sangue na Iugoslávia [durante os anos 1990]... a carnificina empreendida por Pavelic contra os sérvios ortodoxos permanece como um dos mais chocantes massacres de civis conhecidos na história.

A situação na Croácia durante o período de 1941 a 1944 era a de uma parceria aberta entre igreja e estado, o tipo de relacionamento mais apreciado pela Igreja Católica em sua longa e sanguinária história. Avro Manhattan, um ex-apresentador da BBC, que era também um especialista na política do Vaticano, captou perfeitamente a amedrontadora realidade que estava por trás disso quando escreveu:

A singularidade do Estado Católico Independente da Croácia está precisamente nisto: que ele forneceu um modelo, em miniatura, do que a Igreja Católica Romana, tivesse ela o poder, gostaria de ver no Ocidente e, de fato em toda a parte." [The Vatican’s Holocaust (O Holocausto do Vaticano), 1986]

O Desdém Continuado de Roma pelo Verdadeiro Cristianismo

Se você acha difícil compreender como o clero católico romano na Croácia pôde participar de um programa de sadismo genocida, ou como o desprezo pelos sérvios ortodoxos pôde ser tão intenso que eles não sentiam repugnância moral ao perpetrarem atos da máxima barbaridade, então considere o documento mostrado no Apêndice. Ele detalha a confissão que os jesuítas exigiam de todos os húngaros que se convertiam do protestantismo no início do século 19. O mesmo espírito tenebroso que inspirou aquele documento desprezível estava por trás do sadismo visto na Croácia, e está vivo no coração da Igreja Católica.

O Modelo Mais Recente do Vaticano para o Controle Global

Examinaremos agora o mais recente documento de política estratégica lançado por um centro de estudos do Vaticano, em que as ambições globais da Igreja Católica Romana são bem evidentes. Ao examinarmos esse documento, tenha em mente que sua linguagem burocrática e pouco eloquente, esconde uma agenda fascista completa. Não vamos encontrar o tipo de linguagem rancorosa e inflamada de Minha Luta, de Adolf Hitler, mas, ao contrário, o jargão calmo e comedido de um documento acadêmico, misturado aqui e ali com platitudes altruísticas.

Inicialmente, o documento apresenta sua filosofia ampla usando termos bastante inócuos, por exemplo:

  • "... moldar uma nova visão para o futuro..."
  • "... uma eficiente alocação dos recursos disponíveis..."
  • "... abraçando a lógica do bem comum global..."
  • "... um novo humanismo aberto à transcendência..."

Apesar de suas naturezas nebulosas, essas frases estão carregadas de significado. Por exemplo, a Bíblia já apresenta uma visão para o futuro, então por que o Vaticano está defendendo uma nova? A alocação eficiente dos recursos disponíveis, que o documento também destaca, é uma preocupação fundamental do Marxismo. Observe, em particular, a frase "um novo humanismo". Este é um termo notável para um documento chamado de cristão utilizar, pois o Humanismo é uma filosofia patentemente anticristã. Os três Manifestos Humanistas, de 1933, 1973 e 2003 são virulentamente ateístas tanto em entonação quanto em conteúdo e são radicalmente contrários à aplicação dos valores bíblicos em qualquer aspecto da vida.

Um Governo Mundial

Nosso próximo excerto confirma que há muito tempo o Vaticano busca a criação de uma autoridade política mundial, ou um governo mundial:

Na profética Carta encíclica Pacem in terris, de 1963, ele [o papa João 23] previa que o mundo se ia encaminhando rumo a uma unificação cada vez maior. Portanto, reconhecia o facto de que, na comunidade humana, faltava uma correspondência entre a organização política, 'no plano mundial, e as exigências objectivas do bem comum universal'. Por conseguinte, desejava que um dia se pudesse criar 'uma Autoridade pública mundial'.

Isto prevê e dá as boas-vindas a uma maior unificação mundial, em que os Estados independentes cederão sua soberania a uma autoridade central. O Marxismo tem exatamente o mesmo objetivo. Depois que isto for implementado, toda a autonomia local, regional e nacional desaparecerá e os sete bilhões de habitantes deste planeta ficarão sob o controle completo de uma autoridade central com plenos poderes.

Essa autoridade não será mais "democrática" do que a União Europeia ou a Organização das Nações Unidas (ONU), ambas as quais são controladas, sem que ninguém veja, pela elite ultra-rica que governa este mundo, embora com muitas rivalidades mútuas e dissensões internas. Essas instituições continuarão a ter um verniz de democracia, pois as condições globais prevalecentes requerem que esse tipo de fachada seja mantida por enquanto, mas uma "verdadeira autoridade política mundial" poderia dispensar qualquer aparência de democracia. A Igreja Católica Romana nunca foi democrática de qualquer maneira ou forma, de modo que o aparecimento de uma autoridade global antidemocrática e com plenos poderes seria totalmente consistente com sua filosofia política.

O documento faz então o seguinte comentário:

A Autoridade mundial deveria, por conseguinte, abranger coerentemente todos os povos, numa colaboração na qual eles são chamados a contribuir com o patrimônio das suas virtudes e civilizações.

A proposta "colaboração de todos os povos" durante a criação desse governo mundial utópico tem o objetivo de transmitir a impressão que ele aparecerá somente por meio da operação dos princípios democráticos e do consentimento esclarecido. Que isto não ocorrerá na prática é deixado bem claro pelas etapas subsequentes na estratégia do Vaticano. Por exemplo, o documento depois diz que:

A constituição de uma Autoridade política mundial não pode ser alcançada sem a prévia prática do multilateralismo, não só a nível diplomático, mas também e sobretudo no âmbito dos planos para o desenvolvimento sustentável e para a paz. Não se pode chegar a um Governo mundial a não ser dando expressão política a preexistentes interdependências e cooperações.

Somente patrocinando uma interdependência cada vez maior entre as instituições nacionais e internacionais, bem como a promoção de complexos programas pan-nacionais que contornem os controles locais, poderá a nova entidade proposta, que envolverá o mundo todo, ser trazida à existência. Em outras palavras, ela será imposta de forma incremental e gradual, por meio da expansão das instituições e dos programas internacionais existentes. Como nem uma dessas instituições foi desenvolvida de forma democrática, mas elas foram criadas e moldadas por determinação de poderosos interesses investidos, o emergente sistema do governo mundial será criado e implementado de modo muito similar. Quaisquer que sejam as consultas públicas realizadas, elas serão puramente cosméticas. Portanto, se os sete bilhões de habitantes deste mundo retêm ou não seu consentimento ou expressam objeções, isto será totalmente irrelevante. Eles gradualmente perderão qualquer autonomia e independência que usufruem hoje e serão obrigados a se submeterem a uma autoridade global com plenos poderes.

Dado o modo como os regimes ditatoriais operaram no passado, o caminho para o governo mundial provavelmente será muito reduzido pela criação deliberada de crises globais e internacionais, como o colapso do sistema financeiro internacional e uma grande guerra no Oriente Médio, de modo a suavizar a resistência popular e convencer as massas que o "antigo" sistema não é mais funcional.

Como parte deste processo, o documento do Vaticano contempla um "compromisso para criar alguma forma de gestão monetária global". Este mesmo objetivo também está sendo buscado pela elite ultra-rica, que controla o sistema bancário internacional. Trazendo o sistema existente para a beira da destruição e erradicando a riqueza da classe média, tanto na Europa quanto nos EUA, eles planejam obter amplo apoio popular para um sistema "melhor". Esse sistema melhor, uma moeda internacional controlada por um banco central mundial, corresponde àquilo que o Vaticano chama de "alguma forma de gestão monetária global". Aquilo que a elite global chama de um banco central mundial, o documento do Vaticano chama de "uma Autoridade pública com jurisdição universal". Ele também prevê a supressão das moedas nacionais independentes e sua substituição por uma moeda global:

Deveria ser dedicada uma atenção específica à reforma do sistema monetário internacional e, em particular, ao compromisso por dar vida a algumas formas de controle monetário global, aliás já implícita nos Estatutos do Fundo Monetário Internacional. É evidente que, de certa forma, isto equivale a pôr em questão os sistemas de câmbio existentes, para encontrar modos eficazes de coordenação e supervisão. Trata-se de um processo que deve incluir também os países emergentes e em vias de desenvolvimento ao definir as etapas de uma adaptação gradual dos instrumentos existentes.

A Planejada Dissolução dos Estados-Nações

Em seguida, na causa da "irmandade universal" e "bem comum universal" — termos que aparecem de forma proeminente na agenda social buscada pelos humanistas, marxistas e maçons — o documento do Vaticano passa a atacar o estado-nação:

Os Estados modernos, com o tempo, tornaram-se conjuntos estruturados, concentrando a soberania no âmbito do próprio território. Mas as condições sociais, culturais e políticas mudaram progressivamente. Cresceu a sua interdependência — de tal modo que se tornou natural pensar numa comunidade internacional integrada e regida cada vez mais por um ordenamento partilhado — mas não desapareceu uma forma inferior de nacionalismo, segundo a qual o Estado considera poder obter de modo autárquico o bem dos seus cidadãos.

O nacionalismo não desapareceu e a continuidade de sua existência no nosso mundo moderno parece "ser irreal e anacrônica". (Veja o texto completo aqui.)

Em outras palavras, a não ser que nos desfaçamos dos estados-nações e criemos uma entidade política global unificada, governada por uma autoridade suprema, a única alternativa é a guerra perpétua, "uma perene luta entre eles".

Este tipo de raciocínio é um total absurdo e contradiz os fatos da história. Por exemplo, considere as incontáveis guerras que ocorreram entre países predominantemente católicos! Ou, considere a terrível carnificina provocada pela Igreja de Roma durante a Guerra dos Trinta Anos de modo a manter a Alemanha sob seu controle. Quando se trata de fazer as coisas do seu modo, a Igreja Católica Romana nunca hesitou em recorrer à guerra, ao terror, à tortura, ou aos assassinatos em uma escala terrível. Além disso, a existência de grandes entidades soberanas nunca foi uma garantia de paz dentro das fronteiras. Veja, por exemplo, os incontáveis milhões de chineses executados durante o regime de Mao Tsé-Tung, ou os milhões de cidadãos soviéticos que foram condenados a morrer de fome, ou que foram executados durante o governo de Stalin.

O documento também argumenta que "os tempos para conceber instituições com competência universal chegam quando estão em jogo bens vitais e partilhados por toda a família humana, que os Estados individualmente não são capazes de promover e proteger sozinhos." O controle geral e poderes correspondentes devem ser entregues a instituições com "competência universal". Novamente, este é um raciocínio fraudulento e tortuoso. Não existem "bens vitais" necessários para a "família humana" que os estados-nações individuais não possam fornecer para seus cidadãos, seja por meio das empresas nacionais ou do comércio internacional.

Os autores rejeitam o sistema existente de estados soberanos como "westfaliano", uma óbvia referência à Paz de Vesftália, de 1648, com a qual a Igreja Católica teve de se resignar à existência de diversos estados europeus soberanos fora de seu controle. Ela agora quer "aproveitar a oportunidade de uma integração das respectivas soberanias para o bem comum dos povos" para derrubar os princípios fundamentados pela Paz de Vestfália e colocar todas as nações sob o controle de uma entidade política global.

Se um regime internacional deste tipo algum dia vier a existir, ele será indistinguível dos regimes fascistas do passado. Não há dúvida que a Igreja Católica Romana, com sua tremenda riqueza e o peso dos números, quererá ser membro da liderança, se não a líder máxima, da cabala da elite que exercerá o controle final. Sob essas circunstâncias, aqueles que não forem católicos podem esperar receber em algum estágio a opção "croata": converta-se, ou morra.

Angústia e Sofrimento

O documento passa então a endossar uma proposição muito perturbadora, isto é, que as mudanças previstas — a criação de um governo mundial a partir daquilo que restou dos estados-nações:

Num mundo em vias de rápida globalização, a referência a uma Autoridade mundial torna-se o único horizonte compatível com as novas realidades do nosso tempo e com as necessidades da espécie humana. Mas não se deve esquecer, contudo, que esta passagem, considerando a natureza ferida dos homens, não se realiza sem angústias e sem sofrimentos.

Incrivelmente, os autores reconhecem que, até com grande coerção e intimidação, estresse econômico imposto e intriga internacional, o resultado que eles buscam precisará necessariamente ser precedido por um período de violências e lutas generalizadas!

Depois de fazerem esta revelação alarmante, eles nada mais dizem sobre o assunto. É óbvio, a partir da magnitude do que eles estão propondo, que a "angústia e sofrimento", que eles acreditam que será inevitável, precisará envolver mortes em uma grande escala. É muito revelador sobre a mentalidade dos autores que uma implicação de tão grande seriedade seja tratada de forma superficial em um documento importante de estratégia, como se fosse um mero detalhe.

Uma Distorção Grosseira das Escrituras

Talvez a parte mais perturbadora do documento do Vaticano seja a distorção da própria Bíblia, em particular os versos 1-9 de Gênesis 11. Eis aqui o que ele diz:

A Bíblia, com a narração da Torre de Babel (Gênesis 11:1-9) adverte sobre como a 'diversidade' dos povos se possa transformar em veículo de egoísmo e instrumento de divisão. Na humanidade está muito presente o risco de que os povos acabem por já não se compreenderem e de que as diversidades culturais sejam motivo de contraposições insuperáveis. A imagem da Torre de Babel adverte-nos também que é preciso evitar uma 'unidade' só aparente, na qual não cessam egoísmos e divisões, porque os fundamentos da sociedade não são estáveis. Nos dois casos, Babel é a imagem do que os povos e os indivíduos podem tornar-se, quando não reconhecem a sua intrínseca dignidade transcendente e a sua fraternidade.

O espírito de Babel é a antítese do Espírito de Pentecostes (Atos 2:1-12), do desígnio de Deus para toda a humanidade, isto é, a unidade na diversidade. Só um espírito de concórdia, que supere divisões e conflitos, permitirá que a humanidade seja autenticamente uma única família, chegando a conceber um novo mundo com a constituição de uma Autoridade pública mundial, ao serviço do bem comum.

Qualquer um que conheça a Bíblia a partir de uma perspectiva verdadeiramente escriturística sabe que o relato do Gênesis sobre a Torre de Babel é muito diferente da interpretação distorcida dada aqui pelos autores do documento do Vaticano. Sim, Deus condenou a tentativa de Ninrode e de seus asseclas de criarem um governo mundial centralizado. Mas, Ele fez isso não por que eles deixaram de agir da forma correta. Ao contrário. Ele condenou a iniciativa por que ela era um governo mundial, um sistema centralizado de controle ao qual todas as pessoas daquele tempo tinham de se submeter. Por meio do relato no Gênesis, Deus está nos dizendo que o governo mundial é maligno e que não será tolerado.

É difícil acreditar que, quando os autores do documento do Vaticano finalmente tentam apresentar algum tipo de suporte bíblico à sua posição, que eles façam uma confusão absurda. Qualquer estudioso da Bíblia sabe que o relato da Torre de Babel no Gênesis é uma expressão da total reprovação de Deus à tentativa de Ninrode de criar um sistema de governança global!

Incrivelmente, os autores do Vaticano exibem uma ignorância ainda maior da Bíblia, a Palavra de Deus, quando tentam implicar que a tentativa original fracassou por que os participantes não compreenderam uns aos outros e que as resultantes "diversidades culturais" levaram a conflitos internos. Isto é uma total bobagem! O Senhor amaldiçoou a humanidade com uma multiplicidade de línguas de modo a estorvar qualquer tentativa por parte de um grupo da elite do poder de criar um governo mundial.

O livro do Gênesis deixa bem claro que Deus ODEIA o governo mundial. Não há dúvidas que aquilo que o Vaticano propõe é maligno, que o programa de governo mundial que ele está planejando é satânico em natureza e que levará à série de eventos catastróficos descritos no livro do Apocalipse.

Apêndice

Formulário para Renúncia ao Protestantismo, Hungria, 1823.

Início da confissão:

  1. Acreditamos e confessamos que fomos trazidos de uma fé e de caminhos heréticos para a verdadeira e salvadora fé dos católicos romanos, pelo cuidado singular do nosso elevado magistério espiritual e temporal, única e totalmente devido à diligência ativa e ajuda dos padres jesuítas, e que nós, do nosso livre arbítrio e sem coação, adotamos a mesma, e desejamos com nossas bocas tornar isto publicamente conhecido de todo o mundo.
  2. Confessamos que o papa de Roma é o chefe da Igreja e é infalível.
  3. Confessamos e acreditamos, que o papa de Roma é o vice-regente de Cristo e tem plenos poderes, segundo sua vontade, de perdoar e de reter os pecados dos homens, de lançar no inferno e de excomungar.
  4. Confessamos que tudo que o papa definiu recentemente, seja das Escrituras ou não, bem como qualquer coisa que ele tenha prescrito, é verdadeiro, piedoso e salvador e que todo homem deve considerar isto em veneração mais alta do que a lei do Deus vivo.
  5. Confessamos que o santíssimo papa deve ser honrado com todas as honras e, de fato, com a mais profunda reverência, como a que pertence ao próprio Cristo, o Senhor.
  6. Confessamos e afirmamos que o papa deve ser obedecido por todos, em todos os lugares, como o mais santo Padre; desse modo, todo herético que vive em oposição às instituições do papa, deve ser, sem qualquer exceção e sem qualquer misericórdia, lançado não somente longe da vista de todos pelo fogo, mas corpo e alma no inferno.
  7. Confessamos que a leitura da Sagrada Escritura é a origem de todas as facções e seitas, e também uma fonte de blasfêmias.
  8. Confessamos que invocar os santos falecidos, venerar suas imagens sagradas, ajoelhar-se diante delas, realizar procissões para elas, adorná-las, acender vela diantes delas, são atos piedosos, sagrados, úteis e benéficos.
  9. Confessamos que cada sacerdote é muito maior do que Maria, a própria Mãe de Deus, pois ela trouxe Cristo o Senhor ao mundo somente uma vez, e não o traz mais; porém um sacerdote romano não somente oferece e cria Cristo o Senhor, quando quiser, mas também sempre, mesmo após tê-lo criado, ele o engole inteiro, quando desejar.
  10. Confessamos que rezar missas para os mortos, distribuir e solicitar esmolas e donativos é útil e benéfico.
  11. Confessamos que o papa de Roma tem o poder de alterar as Escrituras e, segundo sua vontade, pode fazer acréscimos e remoções delas.
  12. Confessamos que as almas após a morte são purificadas pelo fogo do Purgatório — e que o oferecimento de missas pelos sacerdotes é a única esperança delas para libertação.
  13. Confessamos que o uso da Eucaristia com um só elemento é bom e seguro, mas com ambos os elementos é herético e traz condenação.
  14. Confessamos e acreditamos, que qualquer um que receber a Eucaristia com um só elemento recebe o Cristo todo, tanto corpo e sangue, com sua Divindade e ossos — mas qualquer um que o receba com ambos os elementos, come apenas pão.
  15. Acreditamos que existem sete verdadeiros e genuínos sacramentos.
  16. Confessamos que Deus tem prazer nas imagens e é conhecido pelos homens por meio da intervenção delas.
  17. Confessamos que a Santa Virgem Maria, deve ser considerada, tanto pelos anjos quanto pelos homens, como maior do que Cristo, o próprio Filho de Deus.
  18. Confessamos que a Santa Virgem Maria é a Rainha dos Céus, e reina junto com o Filho — e que, segundo a vontade dela, o Filho precisa fazer todas as coisas.
  19. Confessamos que os ossos dos santos possuem grande virtude e, por causa disso, devem ser reverenciados pelos homens e capelas devem ser construídas para eles.
  20. Confessamos que a fé católica romana é infalível, divina, salvadora, antiga e verdadeira, mas que a fé protestante (que nós renunciamos de todo o coração) é falsa, errônea, blasfema, execrável, herética, perniciosa, sediciosa, ímpia; enquanto que, por outro lado, a religião romana é completa e perfeita em todas as interpretações, sob uma única forma, boa e íntegra. Portanto, execramos todas as outras religiões que os litigiosos e ímpios hereges professam de duas formas [luteranos e calvinistas — editor]. Execramos nossos pais, que nos criaram nessa fé herética, execramos também qualquer um que fez a fé católica romana parecer duvidosa ou suspeita para nós. Da mesma forma, também a Comunhão que ofereceu para nós o cálice execrável. Sim, execramos a nós mesmo e declaramos nós mesmos execráveis, por termos sido participantes daquele cálice herético execrável, do qual não deveríamos ter experimentado.
  21. Confessamos que a Sagrada Escritura é uma carta imperfeita e morta enquanto não for interpretada pelo papa de Roma e que sua leitura seja permitida a todo leigo.
  22. Confessamos que uma missa rezada por um sacerdote romano é muito mais benéfica para a alma do que uma centena de sermões dos protestantes. Portanto, execramos todos os livros deles em que essas doutrinas heréticas e blasfemas estão contidas. Execramos todas as boas obras realizadas por nós enquanto vivíamos naquela fé herética, pois elas não nos darão benefício algum diante de Deus no juízo final.
  23. Tudo isto fazemos de mente sincera e sadia, declarando por uma retratação pública dessa fé herética, na presença de ________, que a Igreja de Roma nos artigos acima mencionados, e em todos os outros, é verdadeira. Além disso, também juramos que, enquanto tivermos sangue em nossas veias, perseguiremos a execrável fé protestante, privadamente e em público, por meio de violência, por meio da fraude, por palavras e por obras, e até pela espada. Finalmente, juramos diante de Deus e dos anjos que nunca, nem por medo ou em troca de favores, renunciaremos a esta nossa mudança, e que nunca mais deixaremos a salvadora e santa Igreja Católica Romana para seguir as doutrinas heréticas e execráveis dos protestantes.

Fim da Confissão.

Fonte: The Christian Examiner and Church of Ireland Magazine, No. XXXVI, junho de 1828, Volume VI, a partir da seção intitulada 'Foreign Religious Intelligence', págs. 454-456.

18/08/2017

Empresários da fé: os Antipastores

Por Israel C. S. Rocha

  • Se teu pastor não te convida para uma vida de oração.
  • Se teu pastor não desnuda à luz das Escrituras os seus pecados de estimação.
  • Se teu pastor não prega que Jesus está vindo.
  • Se teu pastor substitui a Bíblia por estorinhas e "causos"
  • Se teu pastor "rasga seda" para homens
  • Se teu pastor gasta dinheiro com projetos megalomaníacos
  • Se teu pastor ostenta luxo
  • Se teu pastor prega dinheiro, prosperidade, "chuvas de bênçãos"
  • Se teu pastor tolera o pecado sem se preocupar com o terrível destino que aguarda os pecadores
  • Se teu pastor não vive ou não prega o evangelho de Jesus Cristo
  • Se teu pastor visa a lã das ovelhas e não as ovelhas
  • Ou se teu pastor não chora pelas almas que estão indo para o Inferno

Então, você não tem um pastor, mas um empresário da fé disfarçado de cristão. Um mercador de falsas doutrinas, um falso apóstolo, um agente do Anticristo de terno e gravata.

Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. (Carta do Ap. Paulo aos Gálatas cap. 1 verso 8).
  • Não absorva tais doutrinas que se opõem ao que Cristo ensinou.
  • Não ceda a lisonjas frívolas vindas de um sepulcro caiado.
  • Não troque Jesus por Mamom.
  • Não troque o Céu por dinheiro.
  • Não troque a Coroa da Vida pela glória efêmera deste mundo.
  • Não venda Jesus por 30 peças de prata.
  • Não traia sua fé.
  • Não coma os manjares do rei deste mundo.

Mas espere firmemente na fé dos apóstolos, que com o sacrifício de suas vidas anunciaram o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo.

Não financie desvios e delírios espirituais que não agregam almas ao rebanho de Cristo. Delírios que só servem para o pastor ostentar: "olha aqui a glória do meu templo", "olha como sou abençoado", "olha quanto mármore, quanto ouro!"

Deus não se importa com isso. Deus não se impressiona com isto. Deus não deixará pedra sobre pedra.

Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus. (Salmo 51:17)

Não compactue com pastores que admiram tanto o mundo que o trazem para dentro da igreja. Que transformam os templos em casa de espetáculos com o melhor do que costumo chamar de pirotecnia gospel, que agrada e impressiona as massas ao oferecer ótimos shows a preços de dízimos. Ora, se a massa aprecia tanto o mundo por que não frequenta os shows do mundo? São muito melhores em qualidade "pirotécnica" e audio-visual, mas pera aí, e a pregação do evangelho aos sedentos? E falar de Jesus aos que, naquela noite intentarão suicídio e aquele culto era sua última e desesperada tentativa?! E o adúltero que está há anos na liderança dos jovens e o pastor não admoesta por que é um adúltero também?!. E os milhões que se escandalizam com a perversão e ostentação desse antievangelho pseudocristão e passam a odiar Jesus por isso?! Nada disso importa. Importa o espetáculo. Importa entreter as massas. "Olha para cá, não olhe para esse evangelho chato e ultrapassado!" Cruz? Que Cruz? Inferno? Que Inferno? Ira Vindoura? Que Ira?

Vamos pular, tirar o pé do chão, sejamos sim manipulados em casa pela TV e na igreja pelos pastores. Vamos nos entorpecer de mentiras reconfortantes e acreditar que podemos tudo e que Deus nos deve tudo, desde que eu tenha fé, declare positivamente isto e, claro, pague o dízimo.

Quão terrível será para estes o Dia do Senhor. Quando Deus der a cada um aquilo que cada um plantou. Quando Deus punir cada transgressor por sua transgressão e cobrar destes pastores das trevas cada alma, uma por uma, que se perdeu.

O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. (Joel 2:31)

A igreja de Cristo nunca será derrotada, pois ela invisível, imaterial e invencível, pois, mesmo na morte, o crente é mais do que vencedor. Mas, as instituições ditas cristãs já foram destruídas, estão mortas e putrefam há muito tempo. Foram enganadas pela Serpente, foram tomadas pelos lobos, saqueadas pelos "cambistas", profanadas pelos filhos do diabo. Lutero nos advertiu sobre a sinagoga de Satanás, hoje precisamos nos acautelar dos filhos do diabo que estão dentro das igrejas e nos mais altos cargos eclesiásticos.

Olhe os frutos. Olhe a mentalidade. Analise o que é dito e ensinado. Parece-se com o evangelho de Cristo e os ensinos dos apóstolos? Que seja anátema se não o for, que seja anátema! Não se pareça nem admire seu pastor se ele não se parece com Cristo. Não financie seus projetos se eles não contribuírem para ganhar almas. Não há mais tempo para brincar de ser crente. Deixe as anti-igrejas para os antipastores e suas antiovelhas, "arregace as mangas" e seja você um cristão de verdade: Leia a Palavra de Deus, pregue a palavra aos cativos e oprimidos, ajude os órfãos e as viúvas, demonstre o amor de Cristo em ações e orações, não só em vãs palavras. Seja um cristão conforme a imagem de Cristo e não conforme a imagem do mundo.

Rogo que esta palavra entre nos corações em O Nome de Jesus Cristo e para Sua glória! Maranata!

12/07/2017

A Morte da Igreja

Por Israel C. S. Rocha

Chegará um dia que ao invés de pastores alimentando as ovelhas haverá palhaços entretendo os bodes (Charles Haddon Spurgeon)

A maior tragédia do (pseudo) evangelismo moderno foi convencer as pessoas de que estão convertidas, que são novas criaturas quando nunca foram salvas por Jesus Cristo, quando nunca experimentaram o Novo Nascimento, quando não adquiriram a mentalidade de Cristo, mas, simplesmente, foram acolhidas no grande Clube Social que hoje se tornou a igreja evangélica.

São membros, cantores, evangelistas, pastores, bispos, apóstolos, reverendos que não conhecem a outro Deus senão Mamón. Que agem e pensam como o mundo aplicando técnicas mundanas na igreja. Técnicas de crescimento artificial baseadas em atiçar a curiosidade, prover conforto e luxo, entreter com músicas, danças teatros, stand up comedy, promovendo risos e campanhas materialistas enquanto milhões estão indo para o Inferno.

A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões. (Mateus 21:13)

O mundo está em trevas e nós somos os culpados. Culpados por não orarmos, por fazermos tudo na "Casa de Deus" menos orar. Por não pregarmos mais os princípios basilares da fé cristã, que foram substituídos pelo evangelho do culto ao dinheiro, sucesso e prosperidade - o culto à Mamón.

O Estado Islâmico está no Brasil. Já tem ameaçado os cristão de morte por aqui e feito horrores na Europa com estupros e mortes violentas. Enquanto isso seguimos no oba-oba gospel ludibriados, entorpecidos e fanatizados por líderes evangélicos que nada tem de Cristo. Líderes que estão aí para encher seus bolsos, para ostentar uma vida materialista e vazia, repleta de louros e ouros mas, sem a presença do Espírito e sem parte com Ele.

Quem admira o mundo é por que não foi liberto dele, quem admira palácios e glória terrenos não tem parte com Cristo, cujo Reino não é deste mundo.
Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. João 18:36 Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. (João 3:3)
Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. (João 3:5)
Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. (João 15:19)

São pastores e obreiros que possivelmente crucificariam a Cristo simplesmente por que a mensagem do verdadeiro evangelho contraria seus interesses financeiros megalomaníacos. As pregações de Cristo focam no Espírito e não na carne, confronta e desmascara pecados e não os afaga como vemos hoje nos púlpitos, diminui o ego em detrimento do amor ágape, da compaixão, da obediência e temor a Deus e não o infla prometendo toda sorte de super bênçãos, como é pregado hoje. É um (pseudo) evangelho livre de aflição, livre de dor, carnal, sem mudança, sem conversão, sem libertação, sem paz, sem comunhão, sem amor e sem oração.

Quando admiramos alguém não por que Deus o usa em profecia, não por que Deus o usa em curas, não por que já ganhou dezenas de almas para Cristo, não por que leva uma vida piedosa de oração, não por que nunca traiu sua mulher, não por que se parece com Cristo e tem o brilho de Cristo em seu rosto, mas sim por que prega bonito, canta lindamente, é bem-sucedido financeiramente ou por que construiu um Templo de Salomão, alguma coisa está muito errada.

Desde quando isso impressiona a Deus? Desde quando palácios herodianos, prata e ouro impressionam o Todo-Poderoso Eu-Sou?! Desde quando cantar lindamente mas, sem unção e consagração, impressiona ao Deus que é cercado por corais angelicais e cujos serafins escodem seu rosto (Isaías 6:2) tamanha a glória de Sua presença?!

Quantas almas estão indo para o Inferno enquanto a igreja brinca de ser crente? Quantas crianças são violadas, quantas mulheres queimadas vivas, quantos homens tem sua identidade sexual destruída, quantas almas vão sair do próximo culto dominical e se suicidar vazias e famintas da Palavra que não é mais pregada nos púlpitos?!

Quantos missionários passam necessidades ou quantos outros não poderiam ser enviados à seara se parássemos de enfeitar templos com luxos frívolos e investíssemos dinheiro no que realmente é Obra de Deus. Quantos centros de recuperação de dependentes químicos, quantas casas de proteção à vítimas de abusos, quantos orfanatos, quantas viúvas e necessitados poderiam ser assistidos, quantas almas não seriam salvas no nordeste pela simples demonstração do amor de Jesus em ações e não em vãs palavras proferidas em templos suntuosos.

Quantas almas estão indo para Inferno escandalizadas e enojadas disso que é vendido como evangelho de Cristo, quanto não tem nada de cristão nele. Não é o que Cristo ensinou, não é evangelho de Jesus Cristo, mas do Anticristo, cujo poder já opera há muito nas denominações.

Rimos quando não há motivos para rir. Choramos embalados por tocantes melodias com letras egocêntricas e revanchistas. Fazemos campanhas mas por interesses egoístas. Viramos a cara para o mendigo. Apedrejamos quem peca. Lemos tudo, menos a Bíblia. Fazemos tudo, menos o que Cristo nos mandou fazer mas, "estejamos tranquilos, pois meu pastor disse que estou salvo, logo, eu vou pro Céu mesmo não me parecendo em nada com Jesus Cristo. Mesmo sendo um anticristo na Terra eu vou morar com o santíssimo Rei dos Reis. Mesmo desejando o mundo e tendo parte com Ele eu vou pro Céu." Faz sentido isso?

Acorde Igreja de Jesus Cristo. Não há mais tempo para brincar de ser crente. Não há mais tempo! Ore mesmo que seu pastor não ore. Não financie projetos megalomaníacos que não cooperem para ganhar almas. Não compactue. Não doe dinheiro para Mamón e seus "anticristos de terno e gravata". Doe para missões. Doe para ganhar almas. Ore, jejue e pregue a Palavra de Deus aos sedentos. Tenha uma vida santa. Quando pecar busque arrependimento e concerto. Não se pareça com o mundo. Não se pareça como a maioria em sua igreja. Pareça-se com Jesus Cristo. Admire pessoas que se pareçam com Cristo, que tem o brilho do Espírito Santo, que pregam o verdadeiro evangelho. Admire pastores que confrontam o pecado, que pregam a volta de Jesus. Admire obreiros que te aproximam do estreito caminho e rejeite àqueles te conformam ao mundo.

Que Deus tenha misericórdia de nós e avive a chama do evangelho de Cristo em nossos corações. Maranata!

02/04/2017

Desrespeito e Porfias

Por Israel C. S. Rocha

Se não há respeito,
não há amor.
E se não há amor,
não há Cristo em nós!

Quantas discussões teológicas acaloradas e inócuas vemos por aí. Glória a Cristo e salvação é o que menos importa, mas sim a demonstração farisaica de mais conhecimento bíblico e eloquência. Não há amor pelo alma interlocutora mas sim o ego de provar que estar certo e o outro errado. Sem amor, as discussões se pervertem em troca de farpas e ódio incompatível com Cristo. O que degrada por generalização a todos os cristãos como se todos fossem assim.

Porfia é discussão, briga, insistência. A porfia é uma briga que acontece quando as pessoas são teimosas e insistem em ganhar a discussão, não dando o braço a torcer. A discussão se torna feia e as pessoas dizem coisas que não deviam. Em outros contextos, porfia significa perseverança, lutar para atingir um objetivo.
(Resposta Bíblicas)

Há se pregar Cristo, Jesus crucificado pelos pecados e ressurreto para Sua Glória. Timóteo nos admoesta a não entrar em porfias:

E rejeita as questões loucas, e sem instrução, sabendo que produzem contendas. E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade, E tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos. (2 Timóteo 2:23-26)

Ore pelas vidas perdidas e instrua com mansidão sem contendas, sem porfias, Jesus só fora áspero e enérgico com os fariseus, para as almas perdidas demonstrava ternura, compaixão e poder do Alto. Sejamos como Cristo em nosso falar, em nosso agir e no nosso instruir. Paz seja com todos! Maranata!

25/03/2017

A Árvore do Bem de do Mal e os 10 Mandamentos

Por Israel C. S. Rocha

Há um paralelo entre a Árvore do Bem e do Mal e os 10 Mandamentos. Com a Palavra, o Verbo, Deus criou todo o Universo e a Luz, plantas e animais. Mas para criar o homem Deus tomou o barro e conformou a sua Imagem e semelhança assoprando o fôlego de vida em suas narinas. Não poderia Deus ter feito o homem apenas proferindo palavra? Sim mas o fez para sermos Sua imagem e semelhança, a imagem e semelhança do Verbo que se fez carne, Jesus Cristo.

No princípio criou Deus o céu e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz; e houve luz. (Gênesis 1:1-3)
E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. (Gênesis 1:27)

Fomos feitos perfeitos e colocados no Éden para gozarmos de vida farta e cheia da glória de Deus. Só havia uma restrição: não tomar do fruto de uma única árvore específica: a Árvore da Ciência do Bem e do Mal.

E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. (Gênesis 2:16,17)

Adão pecou induzido por Eva que foi enganada pela Serpente e então conhecemos o Mal e todas as maldições que ele carrega consigo. Todas as dores, sofrimento, lágrimas, desespero, pranto, morte, tragédias, fome, pedofilia, tsunamis, pragas, doenças, câncer, Ebola, terremotos, perseguição, ganância, violência, tortura, choro e ranger de dentes...

Observe que a narrativa bíblica diz que a árvore e seu fruto eram agradáveis aos olhos.

E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. (Gênesis 3:6)

O pecado atiça nossos sentidos, provoca nossa cobiça e tem aparência agradável, mas quando comemos o fruto do pecado sentimos seu gosto amargo e experimentamos, consequências amargas.

Mas alguns poderiam dizer que não incorreriam no erro de Adão e jamais desobedeceriam a Deus... o que é um grande equívoco.

No Éden havia uma única Lei: não comer do fruto proibido por Deus. Hoje a Lei é: "Amar a Deus acima de todas coisas e ao próximo como a si mesmo". Mas acaso cumprimos esta Lei? Acaso dedicamos o melhor do nosso tempo e amor a Deus? Acaso cuidamos do próximo como a nós mesmos? Damos de comer a quem precisa como nos alimentamos diariamente? Acaso por vezes não mentimos, não traímos a confiança de quem nos cerca? Somos todos Adão no que tange a pecar. Somos tão pecadores quanto ele, tão devassos, corruptos, mentirosos, desobedientes e merecedores da Ira de Deus.

Somos coroa da criação de Deus, mas também os responsáveis por toda a sorte de males que o pecado trouxe ao mundo. Pecamos solidariamente a Adão no Éden. Pecamos diariamente e a pior tragédia é o pecado pois ele traz toda sorte de males consigo.

Somos todos pecadores, uns remidos pelo sangue do Cordeiro outros que ainda não foram e outros que nunca serão.

A nossa Árvore do Bem do Mal é a única Lei que Jesus deixou e que mentimos ao dizer que seguimos, mentimos ao dizer que amamos a Deus acima do Facebook, do WhatsApp, do Hello, do videogame, da televisão, da fofoca, da fornicação, da pornografia, da prostituição, da mentira... mentimos, pecamos, desobedecemos a Deus como Adão no Éden.

Mas o Sangue de Cristo purifica ao que crê de todo o pecado. Não por merecimento, mas por misericórdia de Cristo, por Cristo e para Cristo. Para glória do Nome do Senhor Jesus. O Éden é a lembrança da tragédia do pecado e de todas as desgraças subjacentes mas também é a lembrança de que temos uma Árvore cujo fruto jamais deve ser comido: o mortal fruto do pecado.

Que Jesus abençoe nossas vidas e nos leve ao arrependimento, ao conserto e a uma vida santificada e livre para não mais pecar pois perto está Sua vinda e só os Santos herdarão

15/02/2017

Asafe e a Falência Moral do Brasil

Por Israel C. S. Rocha

Em tempos de falência moral como a que vivemos, é normal chegarmos ao dilema de sermos ou não honestos. A impunidade fomenta isto. Afinal apenas uma fração do que é saqueado da nação é pega - quando é - e o meliante passará poucos anos na cadeia, sendo solto pelos melhores advogados, que o dinheiro pode pagar, para gozar muitos anos de vida farta e próspera.

O ímpio tem vida folgada enquanto o justo padece. O trabalhador dedica toda sua vida ao trabalho e quando idoso aposentar-se-á com uma quantia que mal dará para seus remédios quanto mais para pagar um plano de saúde. Será obrigado a morrer nas filas do SUS enquanto o ímpio será curado no Sírio Libanês. O crime compensa no Brasil!

Como ser honestos num país onde a própria população saqueia se aproveitando da greve policial? Quando corruptos políticos e mercadores da fé são admirados e endeusados?

Asafe enfrentou esse dilema. Nada há de novo embaixo do céus, tudo se repete ciclicamente só com uma aparência diferente mas igual em essência. Asafe também se indignou com a prosperidade do ímpio e com a vida de sofrimento do justo. O justo é oprimido por prósperos, fartos e ímpios opressores:

Salmo de Asafe

Verdadeiramente bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração.
Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos.
Pois eu tinha inveja dos néscios, quando via a prosperidade dos ímpios.
Porque não há apertos na sua morte, mas firme está a sua força.
Não se acham em trabalhos como outros homens, nem são afligidos como outros homens.
Por isso a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violência como de adorno.
Os olhos deles estão inchados de gordura; eles têm mais do que o coração podia desejar.
São corrompidos e tratam maliciosamente de opressão; falam arrogantemente.
Põem as suas bocas contra os céus, e as suas línguas andam pela terra.
Por isso o povo dele volta aqui, e águas de copo cheio se lhes espremem.
E eles dizem: Como o sabe Deus? Há conhecimento no Altíssimo?
Eis que estes são ímpios, e prosperam no mundo; aumentam em riquezas.
Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração; e lavei as minhas mãos na inocência.
Pois todo o dia tenho sido afligido, e castigado cada manhã.
Se eu dissesse: Falarei assim; eis que ofenderia a geração de teus filhos.
Quando pensava em entender isto, foi para mim muito doloroso;
Até que entrei no santuário de Deus; então entendi eu o fim deles.
Certamente tu os puseste em lugares escorregadios; tu os lanças em destruição.
Como caem na desolação, quase num momento! Ficam totalmente consumidos de terrores.
Como um sonho, quando se acorda, assim, ó Senhor, quando acordares, desprezarás a aparência deles.
Assim o meu coração se azedou, e sinto picadas nos meus rins.
Assim me embruteci, e nada sabia; fiquei como um animal perante ti.
Todavia estou de contínuo contigo; tu me sustentaste pela minha mão direita.
Guiar-me-ás com o teu conselho, e depois me receberás na glória.
Quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti.
A minha carne e o meu coração desfalecem; mas Deus é a fortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre.
Pois eis que os que se alongam de ti, perecerão; tu tens destruído todos aqueles que se desviam de ti.
Mas para mim, bom é aproximar-me de Deus; pus a minha confiança no Senhor DEUS, para anunciar todas as tuas obras.
(Salmos 73)

Jesus sofreu! Os apóstolos sofreram! Como discípulos precisamos estar prontos também para sofrer com a esperança de que nosso galardão não é aqui! Não somos deste mundo, os manjares deste mundo não são para os justos mas para os ímpios. Nosso lar é o Céu - a nova Jerusalém celestial onde os justos terão justiça, paz e descanso.

Asafe viu o fim do ímpio e o fim do justo e se aquietou. A justiça de Deus é implacável. E dará a todos o que merecem por seus atos e quão horrendo é cair nas mãos do Deus vivo. Quem o poderá livrar?

A justiça vem! O grande juízo de Deus sobre todas as criaturas. Então vereis a diferença entre o justo e ímpio, entre aquele que serve a Deus e o que O despreza.

Não abdique de sua honestidade. Não abra não de seu caráter mesmo que esteja cercado de corruptos. Mesmo que seja o único a fazer o certo e seja zombado por isto. Não se venda! Não se corrompa! Seja fiel a Deus e a seus princípios. Todos serão pesados na balança e muitos se acharão em falta! Sede santos pois o Senhor é santo, sede justos por que a eles Deus fará justiça!

Jesus Cristo breve vem, suportai as aflições na esperança de Sua vinda e na certeza da vida Eterna. Maranata!

17/01/2017

Cristofobia: mais de 900 MIL cristãos mortos por sua fé na última década

Por Jarbas Aragão. Portal Gospel Prime.

Levantamento de Instituto norte-americano mostra números alarmantes: mais de 900 mil cristãos foram martirizados nos últimos 10 anos, afirmou o Instituto de pesquisa do Seminário Teológico Gordon-Conwell, em Massachusetts, Estados Unidos. O Centro para o Estudo do Cristianismo Global divulgou recentemente seu relatório anual sobre a perseguição aos cristãos, onde constata que cerca de 90 mil cristãos morreram pela fé no último ano. Os números são iguais aos que já haviam revelado o proeminente sociólogo italiano Massimo Introvigne durante uma entrevista à Rádio Vaticano em dezembro.

Um cristão é morto
a cada seis minutos.

A média, um cristão morto a cada seis minutos, recebeu muita atenção da mídia em meio a uma verdadeira batalha midiática para minimizar a atuação de grupos terrorista como o Estado Islâmico. Os últimos atentados, embora reivindicados pelo grupo, sempre eram atribuídos a um “lobo solitário”.

Na divulgação oficial do Centro para o Estudo do Cristianismo Global, destaca-se a estimativa que a média de 90.000 mártires cristãos por ano foi uma constante entre 2005 e 2015.

Na última semana, várias organizações de notícias informaram sobre a perseguição de cristãos em todo o mundo e citaram nossa estimativa de 90 mil mártires cristãos em 2016 - afirmou a organização ao The Christian Post.

Ainda segundo o Instituto, apenas 30% desses foram mortos diretamente por ataques terroristas. Os demais 70% pereceram em conflitos tribais que envolviam questões étnicas e políticas. Esse é o motivo pelo qual organizações como a Missão Portas Abertas divulgam números bem menos alarmantes e a Organização das Nações Unidas se recusa a reconhecer que há um genocídio em andamento.

Os pesquisadores do Gordon-Conwell explicam que usaram o termo mártir para se referir a cristãos que morreram por causa de seu testemunho ou que foram vítimas "como resultado da hostilidade dirigida" a questões religiosas. Acrescentam que essa definição de “hostilidade” refere-se a "uma variedade de formas, incluindo guerras, conflitos, assassinatos aleatórios e genocídios, e inclui atos de indivíduos ou de grupos (como governos)".

Crescimento das mortes em 2017

A perseguição aos cristãos continuará crescendo em 2017, particularmente em países islâmicos onde geralmente ocorre tanto por parte do governo quanto de grupos extremistas. É o que apontam os novos relatórios do Release International e Portas Abertas, organizações que apoiam os cristãos perseguidos no mundo.

Publicados nas últimas semanas, esses levantamentos, apesar de usar metodologias diferentes do Centro para o Estudo do Cristianismo Global, mostram uma tendência de crescimento nas mortes motivadas por religião nos últimos anos. Todos concordam que os cristãos são o grupo religioso mais perseguido em todo o mundo.

Os países que mais restringem o cristianismo são:

  • Coréia do Norte
  • Somália
  • Afeganistão
  • Paquistão
  • Sudão
  • Síria
  • Iraque
  • Irã
  • Iêmen
  • Eritreia
  • Líbia
  • Nigéria
  • Maldivas
  • Arábia Saudita
  • Índia
  • Uzbequistão
  • Vietnã
  • Quênia
  • Turcomenistão
  • Catar e Egito

13/01/2017

O Anticristo Revelado

O WLC (do inglês World Last Chance) apresenta neste vídeo uma teoria sólida e possivelmente alinhadas às Escrituras sobre a identidade do Anticristo que já está entre nós há algum tempo. Cabe a cada um analisar e reter o que convém à luz das profecias bíblicas pois, tal como ensinou Yehoshua Hamashiach:

(...) nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada em segredo que não seja trazido à luz do dia. (Marcos 4:22)

Que o Espírito nos ensine a discernir a verdade da desinformação.

Assista ao vídeo:

12/01/2017

Pastor Reuel Bernadino é desmascarado pelo Senhor (notícia falsa)

Em um vídeo editado e com grande divulgação recente pelo portal Fuxico Gospel, o Pastor Reuel Bernadino, presidente do Gideôes Missionários da Última Hora (GMUH), filho do saudoso pastor Cesino Bernadino, parecia conclamar a plateia para que 1.000 homens e mulheres doassem R$ 1.000,00 e contar "causos" de pessoas que foram tocadas e incomodadas por Deus quando aparentemente o Senhor toma um obreiro e diz:


- Homem.
- Até quando vais continuar mentindo?
- Homem. Até quando tu enganarás?
- A tua capa vai cair!
- Chega de engano e mentira.

O GMUH endereçou uma nota de esclarecimento expondo a manipulação da edição e disponibilizou o vídeo completo do culto. Nele, vemos a partir de 2h04, que a repreensão não parece ser mesmo endereçada ao pastor Bernardino.

09/01/2017

A Vara da Repreensão e Sabedoria

Por Israel C. S. Rocha

Quando era pequeno, apanhei de vara de minha avó materna, não lembro o que fiz, mas sei que a desrespeitei. Foi a única que vez que apanhei de minha avó e também a única que a desrespeitei. Foram 3 lanhadas na perna que queimaram como fogo mas que não deixaram qualquer marca ou sequela, a não ser a lição de respeitar os mais velhos. E como eu amava minha avó Nilda.

Minha mãe tinha uma sistemática muito clara e objetiva: ela alertava 3 vezes. Na quarta reincidência a chinelada vinha e não adiantava fugir que as sandálias havaianas me alcançavam. E como amo minha mãe.

Um de meus tios furtou uma casa certa vez com uns "amigos". Quando meu avô soube, ele o levou em sua rural até uma área deserta, amarrou meu tio e o corrigiu no chicote. Meu tio reconhece que aquilo o tornou um homem trabalhador e de bem, livrando-o das garras mortais do banditismo.

As Escrituras nos ensinam claramente:

A vara e a repreensão dão sabedoria, mas o rapaz entregue a si mesmo envergonha a sua mãe. (Provérbios 29:15)

Quem ama educa, quem ama corrige. Não agride, não humilha, não desmoraliza! Educa e corrige na insistência de continuar na desobediência. Minha mãe advertia 3 vezes e eu sempre testava o sistema e repetia a quarta vez. Quando apanhava aprendia e não fazia mais. O "sistema" funcionava muito bem.

Quem se nega a disciplinar e repreender seu filho não o ama; quem o ama de fato não hesita em corrigi-lo. (Provérbios 13:24)

Hoje diz-se que não se pode mais corrigir, que tudo é agressão. Agressão (moral) é criar filhos mimados, sem limites e despreparados para a dura realidade da vida. Filhos que agridem verbal e fisicamente seus pais quando adultos. Filhos que matam quando tenta-se impor limites quando é tarde mais. Filhos sem vergonha na cara, sem respeito ao próximo, sem noção de ordem e disciplina que se enfileiram nas marchas de rebeldia contra o sistema dito opressor.

Até quando fingiremos ignorar que os valores cristãos são os que mantém nossa sociedade falida ainda de pé?! E que quanto mais buscamos destrui-los mais caótico o mundo se torna! Ordem, organização e disciplina são fundamentais para o funcionamento harmonioso de tudo. Sem isto a vida é um caos, um carro desgovernado rumo ao abismo.

Sem ordem e regras não há como estudar, trabalhar, empreender, prosperar. Não há como ser feliz. E pela falta dessa ordem e disciplina em casa, associada a uma escolarização esquerdista, os jovens estão sendo destruídos profissionalmente, moralmente e emocionalmente. Em geral, não estudam, não se esforçam, acham que o mundo conspirará a favor, que a sociedade ou melhor a burguesia opressora lhes devem, o governo lhes devem, mas eles, eles não devem nem precisam fazer nada.

Ficam na aula de "corpo presente", conversando, namorando ou no Facebook e afins. Vão à igreja para "pegar mulher". São jovens que não conhecem a Bíblia, que vão de modinha a modinha, de ideologia a ideologia, de guru a guru, de cantor a cantor, crescendo espiritualmente imaturos e doentes, se é que crescem.

O jovem Samuel

Faltam jovens como José, vendido pelos irmãos como escravo no Egito mas não apostatou da fé. Faltam jovens como Estêvão, covardemente morto por apedrejamento, mas contemplando a Glória de Deus. Estêvão não negou sua fé nem quando provado pela morte. Faltam jovens como Davi, capazes de enfrentar leões e gigantes. Faltam jovens como Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que não se curvaram à idolatria mesmo sob ameaça da fornalha ardente. Faltam jovens como Samuel.

O jovem Samuel, também não conhecia a Deus, quando foi entregue por sua mãe Ana ao sacerdote Eli. Ele conhecia apenas de ouvir falar, como a massiva maioria dos jovens dos movimentos religiosos. São jovens que conhecem um "Jesus Gospel", um Jesus "comercial" deveras distoante do Jesus bíblico e fruto de décadas de pseudo-evangelismo arminiano moderno.

Porém Samuel ainda não conhecia o SENHOR, e ainda não lhe tinha sido manifestada a palavra do SENHOR. (1 Samuel 3:7)

Samuel foi chamado pelo nome por Deus e orientado pelo sacerdote Eli, respondeu:

Fala SENHOR, porque o teu servo ouve. (1 Samuel 3:10b)

Então disse o SENHOR a Samuel:

Eis que vou fazer uma coisa em Israel, a qual todo o que ouvir lhe tinirão ambos os ouvidos. Naquele mesmo dia suscitarei contra Eli tudo quanto tenho falado contra a sua casa, começarei e acabarei. Porque eu já lhe fiz saber que julgarei a sua casa para sempre, pela iniqüidade que ele bem conhecia, porque, fazendo-se os seus filhos execráveis, não os repreendeu. (1 Samuel 3:11b-13 grifo deste autor)

Os filhos de Eli roubavam as ofertas sacrificais de Israel e Eli foi punido por não os repreender. Isto mostra como é séria a responsabilidade de um pai para com seus filhos. Filhos são confiados por Deus a seus pais para que sejam ensinados no caminho em que devam andar e toda negligência será cobrada dos pais.

Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele. (Provérbios 22:6)

Os filhos de Eli foram mortos pelos filisteus que tomaram para si a Arca de Deus. Quando Eli soube disto, caiu de sua cadeira e quebrou o pescoço (1 Samuel 4). Porém Samuel crescia e Deus era com ele.

Por fim, o apóstolo Paulo, em sua carta aos irmãos de Colossos, admoesta:

Vós, mulheres, estai sujeitas a vossos próprios maridos, como convém no Senhor. Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas. Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo. (Colossenses 3:18-21)

Que voltemos às raízes cristãs, não às pseudo-cristãs, como a Inquisição ou as teologias da prosperidade, unções "extravagantes", mas sim ao Evangelho de Jesus de amor e respeito aos pais, filhos e ao próximo, de ordem e decência. Voltemos a amar, a educar, a corrigir nossos filhos sem ira, impondo-lhes limites e ensinando a vencer os gigantes e leões dessa vida. Só assim teremos a sociedade profícua, próspera e feliz que desejamos para nossos filhos. Que o Espírito nos dê discernimento e que a graça de Deus-Pai abunde em nossos corações em o nome de Jesus.

01/01/2017

O Engano da Salvação Pelas Obras

Por T. A. McMahon. Portal A Chamada.

Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão (Gálatas 2.21).

Quando comparamos o Cristianismo Bíblico com as religiões do mundo, utilizando as Escrituras para nos guiar, vemos que a lacuna entre eles é intransponível. Na verdade, somos forçados a concluir que realmente há apenas duas religiões no mundo: o Cristianismo Bíblico de um lado, e todas as outras religiões, de outro.

Essas duas “religiões” são diferenciadas principalmente por aquilo que ensinam a respeito da salvação – como uma pessoa pode chegar ao Céu, ao Paraíso, ao Valhalla, ao Nirvana ou à morada de Deus, ou seja lá o que as pessoas creem sobre a vida após a morte. Cada uma pode ser classificada em uma destas categorias:

  • o que o ser humano tem de realizar ou
  • o que Deus consumou (através de Jesus).

Em palavras mais simples: a religião do “Fazer” ou a do “Feito”. Estou me referindo ao fato de que:

  • há coisas que devemos fazer (realizações humanas) ou
  • não há nada que possamos fazer porque tudo já foi feito (consumação divina) para ganharmos a entrada no céu.

Apenas o Cristianismo bíblico está na categoria de consumação divina. Todas as outras religiões do mundo devem ser classificadas sob o rótulo de realizações humanas. Consideremos primeiro algumas das religiões mais importantes, como o hinduísmo, o budismo, o islamismo, o judaísmo e determinadas denominações ou seitas que professam ser cristãs.

O hinduísmo tem cerca de 330 milhões de deuses que precisam ser apaziguados por meio de algum tipo de ritual. Dois anos atrás, fiz uma visita a um enorme templo hindu nas vizinhanças de Chicago. O estacionamento estava repleto de carros luxuosos. O revestimento era de pedras importadas da Itália. Não foram poupados recursos financeiros na construção. Do lado de dentro, médicos, advogados e engenheiros, dentre outros (de acordo com meu guia turístico), estavam servindo refeições aos ídolos: a Hanuman, o deus-macaco, e a Ganesha, o deus-elefante.

O hinduísmo é um sistema de obras – coisas que a pessoa precisa fazer para atingir o moksha, que é o paraíso hindu. Ele envolve a prática de yoga, cuja finalidade, contrariamente ao que muitos ouviram falar, jamais foi melhorar a saúde de alguém. Em vez disso, é um meio de morrer para seu próprio corpo na esperança de se livrar do âmbito físico. Isso supostamente une a pessoa a Brahman, a suprema deidade do hinduísmo. A reencarnação, um sistema que supostamente capacita a pessoa a construir seu caminho para o céu através de muitos nascimentos, mortes e renascimentos, é outro dos ensinamentos dessa religião.

O budismo também se baseia primeiramente em obras. Buda cria que a chave para se alcançar o Nirvana, que é alegadamente o estado de perfeição e de felicidade, é através de um entendimento das Quatro Nobres Verdades, e através da prática do Nobre Caminho Óctuplo.

Em essência, as Quatro Nobres Verdades declaram que nós suportamos o sofrimento por causa de nossos desejos ou de nossos anelos. Essas “Verdades” afirmam que o sofrimento cessará quando pararmos de tentar satisfazer aqueles desejos. De acordo com o budismo, podemos atingir isso seguindo o Nobre Caminho Óctuplo, o qual possui os elementos da “visão correta, intenção correta, fala correta, ação correta, sustento correto, esforço correto, cuidado correto, e concentração correta”. Tudo isso é feito por meio dos esforços humanos, isto é, “por se fazerem as coisas corretas” a fim de se atingir o Nirvana.

No islamismo, o paraíso é obtido quando Alá pesa as obras boas e os feitos maus em uma balança no Dia do Julgamento. O Alcorão declara:

Pois as coisas que são boas removem as que são más. (Sura 11:114)

É um processo quantitativo. As boas obras devem ultrapassar ou obscurecer os feitos maus. Também se lê no Alcorão:

A balança daquele dia será verdadeira: Aqueles cuja balança [de boas obras] tiver bastante peso prosperarão: Aqueles cuja balança for leve terão suas almas na perdição. (Sura 7:8,9)

Eis aqui um exemplo interessante daquilo que um muçulmano enfrenta para chegar ao paraíso: no dia 3 de abril de 1991, a revista egípcia Akher Saa registrou um debate acalorado entre quatro mulheres jornalistas e o sheik Dr. Abdu-Almonim Al-Nimr, que ocupa uma posição elevada na Universidade Islâmica Al-Azhar (no Cairo, Egito, a mais prestigiosa instituição islâmica sunita). Uma das jornalistas perguntou-lhe: “No islamismo, as mulheres são obrigadas a usar o jihab [um véu ou uma cobertura para a cabeça]? Se eu não usar o jihab, irei para o inferno a despeito de minhas outras boas obras? Estou falando sobre a mulher decente que não usa o jihab”.

O Dr. Al-Nimr respondeu: “As ordenanças no islamismo são muitas, minha filha, e Alá nos faz prestar contas por cada uma delas. Isso significa que, se você agir de acordo com aquela ordenança, ganha um ponto. Se você negligenciar uma ordenança, perde um ponto. Se você orar, ganha um ponto; se você não jejuar, perde um ponto; e assim por diante”. E ele continuou: “Eu não inventei uma nova teoria. (...) Para cada homem há um livro no qual todas as suas boas obras e os seus feitos maus são registrados, até mesmo como tratamos nossos filhos”.

A jornalista disse: “Isso significa que, se eu não usar o jihab, não irei para o fogo do inferno sem que se leve em consideração o restante de minhas boas obras”. O Dr Al-Nimr replicou: “Minha filha, ninguém sabe quem irá para o fogo do inferno. (...) Eu posso ser o primeiro a ir para lá. O califa Abu-Bakr Al-Sadik disse: “Não tenho a menor confiança nos esquemas de Alá, mesmo que um de meus pés esteja dentro do paraíso, quem poderá determinar qual obra é aceitável e qual não é?”. Você faz tudo o que pode, e a prestação de contas é com Alá. Peça a ele que a aceite”.

No judaísmo, o céu é alcançado por aquele que guarda a Lei e seus cerimoniais. Obviamente, isso não é consistente com o que o Tanakh [Antigo Testamento] ensina, mas essa tem sido a prática do judaísmo por milênios. Como disse Jesus: “E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mateus 15.9).

Boa Semente

Suas palavras também se aplicam a uma série de denominações e cultos “cristãos” que enfatizam as obras como sendo necessárias para a salvação. Os Testemunhas de Jeová, os Mórmons, os Adventistas do Sétimo Dia, os adeptos da Igreja de Cristo, os Católicos Romanos, os membros das igrejas Ortodoxas Oriental e Russa, muitos Luteranos, e inúmeros outros. Todos incluem algo que precisa ser realizado ou que é necessário para a salvação, seja o batismo, os sacramentos, ou a filiação a uma determinada organização e a observância de seus requisitos.

Aqui está um exemplo extraído dos primeiros 30 anos de minha própria vida como católico romano. Eu vivia por um sistema religioso de leis, muitas das quais os católicos são obrigados a guardar. O começo é o batismo. Se uma pessoa não é batizada, a Igreja diz que ela não pode entrar no céu. A Igreja também diz que, embora o batismo seja exigido, ele não é nenhuma garantia. Existem muitas outras regras que um católico tem que observar.

Tenho um livro em meu escritório chamado Código da Lei Canônica. Ele contém 1.752 leis, muitas das quais afetam o destino eterno de uma pessoa. Os pecados reconhecidos pela Igreja Católica Romana são classificados como mortais ou veniais. Um pecado mortal é aquele que amaldiçoa uma pessoa, condenando-a ao inferno, se essa pessoa morrer sem tê-lo confessado e sem ter sido absolvida dele por um sacerdote. Um pecado venial não precisa ser confessado a um sacerdote, mas, confessado ou não, todo pecado acrescenta tempo de punição à pessoa. O pecado venial deve ser expiado aqui na terra através do sofrimento e das boas obras ou então ser purgado nas chamas do purgatório após a morte da pessoa.

Há obrigações que um católico deve satisfazer com respeito tanto às crenças quanto às obras. Por exemplo, a pessoa precisa crer que Maria foi concebida sem pecado (um evento chamado de Imaculada Conceição). Se um católico não crer nisso, ele comete um pecado mortal, que carrega a penalidade da perdição eterna. O dia da Imaculada Conceição é dia santo de guarda, dia em que todos os católicos devem assistir à missa. A pessoa que não fizer assim pode estar cometendo um pecado mortal.

Todos os sistemas de crenças que mencionei, e também muitos outros, consistem em fazer ou não fazer determinadas coisas para alcançar o “céu”. Todos são baseados nas realizações humanas. Mas, e o Cristianismo Bíblico? É diferente? Como?

Efésios 2.8-9 deixa claro:

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.

Isso é bem direto. Nossa salvação não tem nada a ver com nossas realizações.

O versículo 8 nos diz que é pela graça que somos salvos. A graça é um favor imerecido. Se qualquer mérito estiver envolvido, não pode ser graça. A graça é um presente de Deus. Portanto, se for pela graça, não pode ser pelas obras. Isso parece bastante óbvio. Alguém trabalha duramente por um mês e seu patrão chega até ele, com seu cheque de pagamento na mão, e diz: “Muito bem, José, aqui está o seu presente!” Não! José trabalhou por aquilo que está sendo pago. Não há nenhum presente envolvido.

No que se refere a um trabalhador, Romanos 4.4 nos diz que seu salário é o pagamento por aquilo que seu empregador lhe deve, e que seu cheque de pagamento não tem nada a ver com a graça nem com um presente. Um trabalhador que fez um bom trabalho pode se gabar ou sentir orgulho por aquilo que realizou. Todavia, tudo isso é contrário à graça ou a um presente. A graça não dá lugar para nenhuma sensação de mérito próprio, e um presente liquida qualquer sensação de algo que foi merecido ou que foi entregue em pagamento por serviço prestado.

O ensinamento de Paulo aos efésios é reafirmado na Epístola a Tito:

Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna (Tito 3.4).

Podemos perceber que isso é consistente com Efésios 2.8-9. Não é por meio de nossas obras que somos salvos – não é por meio de obras de justiça que fizemos – somos salvos por meio da misericórdia d'Ele.

Você pode muito bem imaginar que, como católico romano, condicionado por uma vida de regras e rituais da Igreja, tive grande dificuldade para crer que a fé era a única base por meio da qual eu poderia entrar no céu. Isso não fazia sentido para mim.

Bem, não apenas faz sentido, mas é a única maneira por meio da qual uma pessoa pode ser salva. Isso é algo miraculosamente sensato!

Primeiro, o que impede uma pessoa de ir para o céu ou de desfrutar da vida eterna com Deus? Sabemos que a resposta é “o pecado”. Segue abaixo uma pequena amostra de versículos que se aplicam:

Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. (Romanos 3.23)

Porque o salário do pecado é a morte. (Romanos 6.23)

Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus. (Isaías 59.2) A alma que pecar, essa morrerá. (Ezequiel 18.20)

E o pecado, uma vez consumado, gera a morte. (Tiago 1.15)

Em Gênesis 2, Deus explica a Adão as consequências da desobediência a Ele. Adão foi admoestado a não comer de um determinado fruto no Jardim do Éden. Esse foi um mandamento relacionado com a obediência e o amor – e não que Deus estivesse retendo algo de Adão, como sugeriu a Serpente. Lembramos que Jesus disse:

Se alguém me ama, guardará a minha palavra. (João 14.23)

Ou seja, guardará os Seus ensinamentos. Nosso amor por Deus é demonstrado por nossa obediência.

Qual foi a penalidade estabelecida por Deus para a desobediência? Gênesis 2.17 diz:

Porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Adão e Eva amaram a si mesmos mais do que a Deus porque não “guardaram a palavra dEle”. Eles Lhe desobedeceram e a consequência foi a morte. “Porque, no dia em que comessem do fruto, certamente morreriam”. Nas Escrituras, a morte sempre envolve a separação, e, no julgamento de Deus sobre eles, duas aplicações são encontradas:

  • a morte física (a degeneração do corpo, levando finalmente à sua separação da alma e do espírito), e
  • a separação eterna de Deus.

Adão e Eva não morreram instantaneamente, mas o processo de morte começou naquele momento para eles e para toda a criação. Entretanto, seu relacionamento espiritual com Deus mudou imediatamente e para sempre. O julgamento de Deus pelo pecado é eterno: separação de Deus para sempre. É uma penalidade infinita. E Deus, que é perfeito em todos os Seus atributos, inclusive em justiça, tinha que efetuar a punição. Deus não podia permitir que eles saíssem em segredo e simplesmente tivessem uma nova oportunidade. Isso teria significado que Ele não era perfeitamente fiel à Sua Palavra. A penalidade tinha que ser paga.

Então, o que Adão e Eva poderiam fazer? Nada, exceto morrer física e espiritualmente, que é ficar separado de Deus para sempre. E, o que o restante da humanidade pode fazer, visto que todos pecaram? Nada. Bem, alguém pode perguntar: E o que acontece se nós fizermos todo tipo de boas obras que possam suplantar nossos pecados, ou se formos sempre à igreja, ou se formos batizados, fizermos obras religiosas, recebermos os sacramentos e assim por diante? Nenhuma dessas coisas pode nos ajudar. Por quê? Porque elas não pagam a penalidade. Então, o que podemos fazer? Não há nada que possamos fazer, exceto pagarmos nós mesmos a penalidade, sendo separados de Deus para sempre.

Nossa situação seria absolutamente sem esperanças; entretanto, Deus possui alguns outros atributos além de ser perfeitamente justo. Ele também é perfeito em amor e em misericórdia! “Porque Deus amou o mundo de tal maneira” que enviou Seu Filho unigênito para pagar a penalidade em nosso lugar (João 3.16).

E isso é exatamente o que Jesus fez na Cruz. É incompreensível para nós que, durante aquelas três horas de trevas – quando bradou:

Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27.46)

Ele tomou sobre Si os pecados do mundo e sofreu a ira de Seu Pai em nosso lugar. Na Cruz, Ele “[provou] a morte por todo homem” (Hebreus 2.9), ou seja, Ele experimentou e pagou a penalidade infinita pelos pecados de todos nós.

Quando aquele feito divino terminou, Jesus clamou, “Está consumado!” (João 19.30),significando que a penalidade havia sido paga totalmente. Foi uma realização divina porque era algo que apenas Deus poderia fazer! Deus tornou-Se homem e morreu fisicamente porque a morte física fazia parte da penalidade. Todavia, como Deus-Homem, Ele pôde experimentar completamente a penalidade que cada pecador experimentaria, a saber, ser espiritualmente separado de Deus para sempre.

A justiça de Deus exige pagamento. Ou pagamos a penalidade nós mesmos, ou nos voltamos para Jesus pela fé e recebemos os benefícios de Sua expiação sacrificial. O que lemos em Romanos 6.23:

Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

A Bíblia não poderia ser mais clara em afirmar que a salvação é exclusivamente “o dom gratuito de Deus”, e que apenas podemos apropriar-nos desse presente por meio da fé.

Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos. (Tiago 2.10)

Qualquer tentativa de merecer a salvação por meio de nossas obras não é apenas fútil – é impossível! “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tiago 2.10). E, ainda pior, tentar merecer a salvação é uma negação da infinita penalidade imposta por Deus, uma rejeição do “dom inefável” de Deus, e um repúdio ao que Cristo realizou por nós.

Isso é algo em que a maioria dos evangélicos costumava crer. Já não é mais o caso, uma vez que a apostasia ganha espaço nos Últimos Dias. Recentemente, um levantamento de um instituto de pesquisas (feito com mais de 40 mil americanos) verificou que 57% daqueles que diziam ser evangélicos não criam que Jesus é o único caminho para o céu. Como Jesus é o único que proporciona a consumação divina, tudo o que resta é o engano fútil das realizações humanas para se alcançar a salvação.